Segurança Pública · 2026-09-01 · Redação Notícia ES

Ministro de El Salvador diz que impunidade por homicídios caiu de 97% para zero

Gustavo Villatoro apresentou números do governo Bukele em evento na Fiesp, em São Paulo. Modelo reduziu homicídios, mas é alvo de críticas internacionais por prisões em massa e denúncias de abusos.

Ministro de El Salvador diz que impunidade por homicídios caiu de 97% para zero
Ministro de El Salvador diz que impunidade por homicídios caiu de 97% para zero

O ministro da Segurança Pública e Justiça de El Salvador, Gustavo Villatoro, afirmou em São Paulo que a taxa de impunidade nos casos de homicídio no país caiu de 97% para zero após a adoção da estratégia de segurança do governo Nayib Bukele. A declaração foi feita durante congresso realizado pela Fiesp nesta segunda-feira, 31 de agosto, e voltou a repercutir nesta terça-feira em meio ao debate brasileiro sobre combate ao crime organizado.

Villatoro apresentou dados oficiais segundo os quais El Salvador registrou 3.962 homicídios em 2015 e 32 em 2025. Ele atribuiu a queda ao enfraquecimento das gangues, ao aumento da capacidade investigativa e ao regime de exceção em vigor desde março de 2022.

Governo diz ter eliminado impunidade nos homicídios

Segundo o ministro, antes da atual política de segurança um autor de homicídio teria 97% de probabilidade de não ser responsabilizado. Villatoro afirmou que esse índice caiu progressivamente e chegou a zero nos casos recentes, com todos os assassinatos encaminhados ao sistema de Justiça.

A afirmação de impunidade zero é uma estatística apresentada pelo governo salvadorenho e precisa ser entendida dentro da metodologia utilizada pelas autoridades do país. Solução policial, apresentação de suspeito à Justiça, condenação e trânsito em julgado são etapas distintas, e diferentes países usam critérios diferentes para medir esclarecimento e impunidade.

Regime de exceção ampliou poder das forças de segurança

A política de Bukele ganhou projeção internacional depois que o governo declarou regime de exceção em 2022, suspendendo algumas garantias e ampliando a capacidade de prisão de suspeitos de ligação com organizações criminosas. Dezenas de milhares de pessoas foram detidas desde então.

O governo afirma que as medidas permitiram retomar territórios antes dominados por facções e reduzir drasticamente a violência. Villatoro descreveu as gangues como estruturas que exerciam funções paralelas de Estado, cobravam extorsões e controlavam comunidades inteiras.

Organizações denunciam abusos

O modelo também é alvo de críticas de organizações internacionais de direitos humanos, que relatam detenções arbitrárias, tortura, mortes sob custódia e dificuldades de defesa para parte dos presos. Reportagem da Reuters registrou que mais de 90 mil pessoas haviam sido detidas sob o regime de exceção e que centenas morreram em custódia.

Villatoro rejeitou as críticas durante sua passagem pelo Brasil e sustentou que o Estado salvadorenho atua dentro de uma estratégia de defesa da população. O ministro também destacou o elevado apoio popular ao governo Bukele.

Modelo entrou na campanha brasileira

A presença de Villatoro no Brasil ganhou dimensão eleitoral. Flávio Bolsonaro se reuniu com o ministro e elogiou aspectos da política salvadorenha, defendendo aumento da capacidade prisional brasileira e maior coordenação federal na segurança pública. Sergio Moro também citou El Salvador ao anunciar proposta de presídio de segurança máxima no Paraná.

O uso do modelo como referência no Brasil exige comparação cuidadosa. Os dois países têm dimensões populacionais, sistemas federativos, legislações penais e estruturas judiciais muito diferentes. El Salvador tem população inferior à de muitos estados brasileiros e adotou mecanismos de exceção que enfrentariam limites constitucionais específicos no Brasil.

Debate combina resultados e custos institucionais

A experiência salvadorenha permanece como um dos casos mais discutidos da segurança pública na América Latina. A queda dos homicídios é reconhecida em diferentes levantamentos, enquanto a forma utilizada para alcançar os resultados provoca questionamentos sobre garantias individuais e controle judicial.

Para o eleitor brasileiro, o ponto central é separar slogans de medidas concretas. Qualquer proposta inspirada em El Salvador precisará indicar quais instrumentos seriam compatíveis com a Constituição brasileira, quais resultados seriam mensurados e quais controles seriam adotados para impedir prisões indevidas e abusos de autoridade.

Fontes