Justiça · 2026-10-21 · Redação Notícia ES

Minuta do TSE propõe bloquear canais políticos

Texto em discussão alcançaria canais eleitorais com mais de 200 mil seguidores, mas ainda depende de análise e votação do colegiado.

Minuta do TSE propõe bloquear canais políticos
Minuta do TSE propõe bloquear canais políticos

Uma minuta em discussão no Tribunal Superior Eleitoral propõe tornar indisponíveis canais de WhatsApp com conteúdo político-eleitoral e mais de 200 mil seguidores nas 48 horas anteriores ao segundo turno. A restrição também alcançaria as 24 horas posteriores à votação, marcada para domingo (25).

Segundo a Revista Oeste, o ministro André Mendonça ficou responsável pela redação depois de reuniões informais entre integrantes da Corte. O texto ainda não está em vigor e depende de deliberação colegiada. A distinção é essencial: uma proposta interna não produz o mesmo efeito de uma resolução aprovada e publicada.

A Agência Brasil confirmou que a minuta abrangeria grandes canais vinculados aos dois candidatos. Entre os espaços potencialmente atingidos estão o “Exército do Lula”, com mais de 7 milhões de inscritos, e a “Tropa do Flávio”, com cerca de 2 milhões. O critério descrito é o alcance, e não a orientação política.

A justificativa apresentada por Mendonça é o risco de circulação de conteúdo ilícito num período curto, quando uma resposta judicial poderia chegar depois da votação. O gabinete afirmou que os critérios pretendem ser objetivos e impessoais. Integrantes da Corte, porém, divergem sobre o alcance da medida e sobre a conveniência de alterar regras tão perto do pleito.

Texto amplia restrição eleitoral

A proposta compara canais de grande audiência ao conteúdo impulsionado, embora o funcionamento seja diferente. No impulsionamento, uma campanha paga para ampliar a distribuição. Nos canais, usuários aderem voluntariamente e recebem mensagens do administrador. Tratar as duas modalidades como equivalentes exigiria uma justificativa jurídica específica.

A resolução eleitoral já vigente estabelece dever de cuidado para responsáveis por canais vinculados a campanhas e admite indisponibilização diante de condutas ilícitas reiteradas. A minuta acrescentaria uma limitação preventiva baseada no tamanho e no período, mesmo sem decisão individual sobre cada mensagem.

Essa mudança produz uma pergunta de proporcionalidade. O TSE pode combater ilícitos e proteger a liberdade de escolha do eleitor, mas uma suspensão geral também impede conteúdo lícito. A avaliação precisa demonstrar necessidade, adequação e ausência de alternativa menos restritiva, como ordens dirigidas a publicações específicas.

Críticas apontam insegurança jurídica

Uma nota assinada por juristas e representantes da sociedade civil sustenta que bloquear canais já existentes poucos dias antes da votação altera as condições da disputa e confunde comunicação orgânica com propaganda paga. O grupo pede que a Corte preserve a diferença entre adesão voluntária e contratação de alcance.

O presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, declarou ser contrário a mudanças de última hora e se distanciou da autoria do texto, segundo a Folha de S.Paulo. Mendonça, por sua vez, afirmou que a minuta resultou de discussão coletiva, mas reconheceu que qualquer versão final depende do plenário.

Até eventual aprovação, nenhum canal pode ser tratado como bloqueado por essa minuta. Se o colegiado examinar o texto, a decisão deverá esclarecer alcance, fundamento, forma de recurso e aplicação igual aos dois campos políticos. A mesma régua exige combater conteúdo ilícito sem transformar uma hipótese administrativa em censura automática de milhões de usuários.

Em resumo

O que a minuta do TSE propõe?

O texto propõe suspender grandes canais político-eleitorais nas 48 horas anteriores e 24 horas posteriores à votação.

Qual é o limite de seguidores?

A proposta alcança canais com mais de 200 mil seguidores.

A regra já está valendo?

Não. Trata-se de uma minuta que ainda depende de análise e aprovação do colegiado.

Quais canais poderiam ser atingidos?

O critério incluiria tanto o Exército do Lula quanto a Tropa do Flávio e outros canais eleitorais de grande alcance.

Qual é a principal crítica jurídica?

Críticos afirmam que a medida preventiva confunde comunicação orgânica com propaganda paga e altera regras perto da eleição.

Fontes