Mobilização pró-Lula ganha ruas fora dos partidos
Grupos articulados pela internet ampliaram atos em apoio ao presidente no segundo turno, enquanto as campanhas intensificam a disputa por mobilização presencial.

Grupos de apoiadores de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) transformaram articulações digitais em atos de rua durante o segundo turno presidencial. O movimento ganhou visibilidade nacional entre o domingo (11) e este sábado (17), com manifestações em São Paulo, no Rio de Janeiro e em outras cidades.
A Folha de S.Paulo registrou a participação de fã-clubes, jovens e coletivos sem comando único na mobilização. O UOL confirmou que a campanha petista planejou ações em bairros periféricos de São Paulo para este fim de semana, mas negou ter convocado um ato independente anunciado para a Faria Lima.
A distinção é importante porque nem toda manifestação favorável ao candidato parte da estrutura formal do PT ou da coligação. Há iniciativas de militantes, movimentos sociais, influenciadores e páginas criadas nas redes, com graus diferentes de coordenação e de ligação com a campanha.
Na Avenida Paulista, Lula agradeceu publicamente aos grupos que ajudaram a organizar o ato do dia 11. A ocupação da via, seguida por uma manifestação em Copacabana no dia 12, devolveu às ruas um papel que havia sido menos visível durante o primeiro turno.
Redes digitais ocupam as ruas
O método combina convocação online e presença física. Perfis compartilham horários, materiais e orientações, enquanto voluntários procuram alcançar eleitores fora das comunidades digitais em que a campanha já circula com facilidade.
A reportagem da Folha ouviu pesquisadores que identificam uma mobilização descentralizada e uma participação relevante de jovens. Essa leitura não significa ausência de partidos, mas indica que parte do impulso surgiu de grupos com autonomia para criar atos, linguagem e agendas próprias.
O modelo também traz riscos. Convocações sem organização claramente identificada podem gerar informações conflitantes, dificuldade para verificar responsáveis e disputas pela condução política do evento. A negativa da campanha sobre o ato da Faria Lima mostrou esse limite na prática.
Ao mesmo tempo, as ações oficiais foram direcionadas a bairros periféricos. Segundo o UOL, a orientação era promover conversas com indecisos e ampliar a presença territorial, sem depender apenas de um grande comício em uma região central.
Campanhas disputam mobilização final
O grupo de Flávio Bolsonaro (PL) reagiu ao crescimento dos atos adversários com uma manifestação marcada para a Avenida Paulista neste domingo (18). O governador Tarcísio de Freitas, o prefeito Ricardo Nunes e outros aliados confirmaram presença na agenda divulgada pela campanha.
A disputa de imagens nas ruas ocorre a poucos dias da votação de 25 de outubro. Multidões podem gerar entusiasmo, conteúdo para redes e cobertura jornalística, mas não substituem pesquisa de intenção de voto nem permitem calcular, sozinhas, mudança efetiva no eleitorado.
Também não há uma contagem única e independente dos participantes nos principais eventos citados. Fotografias aéreas mostram grande ocupação de espaços públicos, porém estimativas de público variam conforme método, horário e interesse de quem divulga os números.
Na reta final, as duas candidaturas tentam converter presença pública em contato direto com eleitores. A novidade do campo lulista está na combinação entre estruturas tradicionais e redes autônomas; o teste político será saber se essa energia permanece organizada até o dia da eleição.
Em resumo
Grupos digitais e movimentos autônomos ampliaram a presença nas ruas durante o segundo turno.
Não. Parte das manifestações surgiu fora da estrutura formal da campanha, segundo as apurações consultadas.
As maiores mobilizações citadas ocorreram na Avenida Paulista, em São Paulo, e em Copacabana, no Rio.
A equipe organizou ações em bairros periféricos para conversar com indecisos e ampliar a presença territorial.
O segundo turno presidencial está marcado para 25 de outubro de 2026.