Moraes bloqueia até R$ 6 bilhões de Willer Tomaz
Ministro do STF alcança bens do advogado e de empresas relacionadas, suspende atividades empresariais e determina identificação de operadores financeiros.

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, determinou o bloqueio de até R$ 6 bilhões em bens, contas e ativos do advogado Willer Tomaz e de empresas relacionadas a ele. A decisão também suspendeu atividades empresariais e restringiu passaportes no âmbito de uma investigação sobre movimentações financeiras.
A ordem foi noticiada pelo g1 nesta sexta-feira (23) e confirmada em reportagem do UOL, que detalhou o alcance patrimonial e as medidas pessoais. Instituições financeiras deverão informar quem são ou foram os operadores autorizados de contas ligadas à Alcazar Holding Ltda., à Alcazar Holdings Unipessoal e à Alcazar Global Holdings.
O valor fixado funciona como teto de indisponibilidade e não significa que R$ 6 bilhões já tenham sido encontrados ou apreendidos. A medida busca preservar recursos enquanto investigadores analisam operações, vínculos societários e a origem do dinheiro. Eventual responsabilidade penal dependerá de prova e decisão judicial.
Decisão alcança empresas e passaportes
Além do bloqueio, Moraes determinou a suspensão de atividades empresariais atribuídas ao advogado e adotou providências sobre seus documentos de viagem. O conjunto de medidas é cautelar: pretende impedir dispersão de patrimônio, continuidade de operações sob suspeita ou dificuldade de aplicação de futuras decisões.
Segundo as reportagens, Willer Tomaz está fora do Brasil desde 21 de agosto e não havia retornado até a divulgação da ordem. Essa circunstância aparece na fundamentação pública das medidas, mas a permanência no exterior, isoladamente, não prova prática de crime nem substitui a análise das transações investigadas.
Os bancos deverão identificar titulares, procuradores e pessoas com autorização atual ou anterior para movimentar contas das empresas citadas. Esse rastreamento pode revelar quem dava ordens, recebia informações ou tinha acesso aos recursos. A lista de autorizados, contudo, também precisará ser confrontada com documentos e operações efetivamente realizadas.
Investigação apura movimentações bilionárias
O caso começou a partir de apuração no Rio Grande do Sul sobre possível lavagem de dinheiro relacionada ao setor de apostas. A investigação chegou ao Supremo depois que elementos reunidos mencionaram autoridade com prerrogativa de foro. A mudança de instância não confirma as suspeitas; define qual tribunal pode supervisionar as diligências.
O senador Flávio Bolsonaro teria figurado como “usuário master” de uma conta vinculada à Alcazar até meados de 2025. Ele e Willer afirmam manter amizade, mas negam relação comercial e irregularidades. O dado técnico sobre acesso deverá ser esclarecido para distinguir cadastro, autorização operacional e eventual participação em movimentações.
O UOL informou ainda que a decisão impôs sigilo e alcançou contas e empresas associadas ao advogado. A combinação de bloqueio elevado, coleta de dados bancários e suspensão de atividades indica que a apuração busca reconstruir uma rede financeira, e não apenas examinar uma transação isolada.
A próxima etapa depende das respostas das instituições e da análise do material reunido. Até lá, o bloqueio deve ser tratado como medida preventiva, não como condenação. Defesa, contraditório e verificação da origem de cada operação serão indispensáveis para definir se os indícios sustentam denúncia, revisão das cautelares ou arquivamento.