Motorista é baleado no Terminal de Carapina e Ceturb abre apuração
Disparo atingiu trabalhador do Transcol na tarde desta terça-feira; vítima foi levada inconsciente ao Hospital Jayme dos Santos Neves.

Um motorista do sistema Transcol foi baleado dentro do Terminal de Carapina, na Serra, na tarde desta terça-feira (22). A vítima foi atendida pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência, levada inconsciente ao Hospital Estadual Dr. Jayme Santos Neves e encaminhada para cirurgia. Policiais civis e militares foram chamados ao terminal, enquanto a Companhia Estadual de Transportes Coletivos de Passageiros do Espírito Santo anunciou uma apuração administrativa.
As informações iniciais divulgadas por A Gazeta e Folha Vitória apontam que o tiro teria sido disparado por um fiscal do terminal, também funcionário da companhia. A hipótese apresentada nos primeiros relatos é de disparo acidental. Ela ainda não representa uma conclusão da Polícia Civil, que precisará esclarecer como a arma foi levada ao ambiente de trabalho, em que circunstâncias foi manuseada e qual foi a dinâmica exata do ferimento.
O caso ocorreu em uma copa reservada a trabalhadores. Segundo a Folha Vitória, o motorista, o fiscal e um terceiro homem estavam no local no momento do disparo. O fiscal estaria de folga e teria ido ao terminal para entregar óculos vendidos a um colega. Pessoas que ouviram o barulho encontraram o motorista ferido quando chegaram ao cômodo.
Ainda conforme a cobertura, o fiscal deixou o terminal depois do episódio e teria informado que se apresentaria à polícia. O terceiro trabalhador que estava na copa passou mal e também saiu do local. Esses pontos deverão ser confirmados formalmente em depoimentos. Até a publicação desta reportagem, as autoridades não haviam divulgado conclusão pericial nem informado eventual autuação.
Ceturb anuncia processo disciplinar
A Ceturb-ES informou, em nota reproduzida pela Folha Vitória, que instaurará um Processo Administrativo Disciplinar para apurar a ocorrência. A companhia declarou repudiar o episódio e afirmou que a conduta atribuída ao servidor não reflete seus valores institucionais. Também disse colaborar integralmente com as autoridades para esclarecer os fatos e responsabilizar os envolvidos, caso sejam confirmadas infrações.
A investigação administrativa e a apuração criminal têm finalidades diferentes. O procedimento interno deverá verificar possível descumprimento de deveres funcionais e de regras de segurança. Já a Polícia Civil analisará a origem da arma, sua regularidade, o manuseio, a intenção e a eventual responsabilidade penal. Uma frente não substitui a outra, e ambas dependem de prova.
A Polícia Militar foi a primeira fonte oficial citada nas informações preliminares de A Gazeta. A presença das duas corporações no terminal indica que o local foi tratado como cena a ser examinada. A perícia pode reunir vestígios como posição dos envolvidos, trajetória do projétil, imagens de câmeras e condições de funcionamento do armamento. Nenhum desses resultados havia sido divulgado até o fechamento desta matéria.
Estado de saúde exige cautela
O motorista foi socorrido inconsciente pelo Samu e levado ao Hospital Jayme dos Santos Neves, referência estadual em urgência e trauma. A informação mais recente disponível era de que ele passava por cirurgia. Não havia boletim médico público detalhando região atingida, prognóstico ou evolução clínica, por isso não é possível antecipar consequências do ferimento.
O atendimento ocorreu enquanto o Terminal de Carapina mantinha grande circulação de passageiros e trabalhadores. As reportagens consultadas não apontaram que usuários tenham sido atingidos nem informaram interrupção geral da operação. O episódio ficou concentrado na área interna onde estavam os funcionários, mas provocou mobilização policial e médica no terminal.
A versão de acidente precisa ser tratada como hipótese porque depende da reconstrução técnica do fato. A presença de uma arma em ambiente de trabalho e a saída do homem apontado como autor do disparo são elementos que exigem esclarecimento. Também será necessário ouvir o terceiro trabalhador, funcionários próximos e pessoas que chegaram ao cômodo logo após o tiro.
Próximos passos da investigação
Nas próximas horas, a Polícia Civil poderá confirmar a apresentação do fiscal, apreender e periciar a arma e registrar os depoimentos. A identificação pública dos envolvidos não havia sido divulgada pelas fontes consultadas. Preservar os nomes nesta fase evita atribuir culpa antes de uma versão formal e de elementos técnicos.
A Ceturb deverá designar a comissão responsável pelo procedimento disciplinar e reunir escalas, registros funcionais e normas internas. O processo precisa garantir defesa ao servidor investigado e, ao mesmo tempo, explicar como o armamento entrou em área de circulação restrita. Medidas preventivas poderão ser adotadas conforme o que for encontrado.
O ponto central continua sendo a recuperação do motorista e a definição objetiva da dinâmica do disparo. Até que a perícia e os depoimentos sejam concluídos, a notícia confirmada é que um trabalhador foi baleado, recebeu atendimento emergencial e que duas apurações — policial e administrativa — foram abertas. Qualquer classificação definitiva do episódio antes disso seria prematura.
Em resumo
O caso ocorreu em uma copa dentro do Terminal de Carapina, na Serra, na tarde de 22 de setembro.
Um motorista do sistema Transcol foi baleado e socorrido inconsciente pelo Samu.
Essa é a versão preliminar relatada às autoridades, mas as circunstâncias ainda dependem de investigação policial.
As informações iniciais apontam um fiscal que trabalha no terminal e estava de folga no momento do caso.
A companhia informou que instaurará processo administrativo disciplinar e que colabora com as autoridades.
Polícia Civil e Ceturb deverão colher depoimentos e analisar os elementos necessários para esclarecer a origem e a responsabilidade pelo disparo.