Política Nacional · 2026-10-20 · Redação Notícia ES

Motta apoia passe livre, mas rejeita uso de emendas

Presidente da Câmara concorda com a gratuidade do transporte coletivo nos fins de semana, porém defende outra fonte de financiamento para preservar recursos parlamentares.

Motta apoia passe livre, mas rejeita uso de emendas
Motta apoia passe livre, mas rejeita uso de emendas

O presidente da Câmara, Hugo Motta, declarou apoio à proposta de transporte coletivo gratuito nos fins de semana, mas se posicionou contra o uso de emendas parlamentares para financiar a medida. A divergência expõe a primeira disputa sobre o custeio da promessa apresentada por Lula na reta final da eleição.

A posição de Motta foi publicada nesta terça-feira (20) pela Folha de S.Paulo e repercutida pelo Política Livre. O anúncio feito por Lula e a previsão de envio de uma proposta de emenda à Constituição também foram confirmados pelo UOL, que acompanhou o ato de campanha do presidente em São Luís.

Segundo os relatos, Motta tem dito a deputados e líderes partidários que concorda com a gratuidade, mas considera necessário buscar outra fonte de recursos. Para ele, as emendas atendem municípios e regiões que nem sempre recebem verbas suficientes diretamente do Poder Executivo.

Proposta enfrenta disputa fiscal

O cálculo apresentado por integrantes do PT estima custo anual próximo de R$ 16 bilhões para oferecer passagem gratuita aos sábados e domingos. O total de emendas parlamentares previsto para 2026 gira em torno de R$ 60 bilhões, mas a definição de quais parcelas poderiam ser direcionadas ao programa ainda não foi formalizada.

As emendas são reservadas no Orçamento para indicações de deputados e senadores. Parte delas tem execução obrigatória, e os congressistas usam esses recursos para financiar saúde, obras e serviços em suas bases eleitorais. Retirar uma fração desse montante exigiria negociação política e uma regra clara sobre distribuição e execução.

A gratuidade nacional também depende de desenho operacional. Sistemas de ônibus e metrô são administrados por estados e municípios, com contratos, tarifas e subsídios diferentes. Uma proposta constitucional precisará definir quem receberá os repasses, como o gasto será fiscalizado e quais serviços estarão incluídos.

Calendário amplia pressão política

Lula afirmou que enviará o texto ao Congresso, mas a proposta ainda não havia chegado oficialmente à Câmara quando Motta manifestou sua posição. Sem uma redação protocolada, não é possível saber se o financiamento por emendas será obrigatório, parcial ou combinado com recursos federais.

O anúncio foi feito a cinco dias do segundo turno presidencial. Esse calendário torna legítimo o exame eleitoral da promessa, mas não dispensa a análise do mérito. A mesma régua aplicada a propostas de candidatos da direita deve valer para medidas apresentadas pelo governo: fonte de dinheiro, impacto permanente e capacidade de execução precisam ser demonstrados.

A cobertura também deve separar apoio ao objetivo e concordância com o financiamento. Motta não rejeitou o passe livre; contestou a retirada de recursos controlados pelo Congresso. Tratar a ressalva como oposição integral esconderia o ponto central do conflito, que é a divisão de poder sobre o Orçamento.

Depois do protocolo, a PEC precisará superar etapas formais, incluindo análise de admissibilidade e votação em dois turnos nas duas Casas. Até lá, o fato confirmado é que existe apoio político à gratuidade, mas não há consenso sobre quem pagará a conta.

Em resumo

Qual é a posição de Hugo Motta?

Ele apoia o passe livre nos fins de semana, mas rejeita financiá-lo com emendas parlamentares.

Quanto custaria a proposta?

Integrantes do PT estimam custo anual próximo de R$ 16 bilhões.

A PEC já chegou ao Congresso?

Não. Até a declaração de Motta, o texto ainda não havia sido protocolado.

Por que Motta quer preservar as emendas?

Ele afirma que os recursos atendem regiões e municípios pouco alcançados pelo Executivo.

O passe livre já está aprovado?

Não. A proposta ainda dependerá de texto formal e votação em dois turnos na Câmara e no Senado.

Fontes