Política Nacional · 2026-09-01 · Redação Notícia ES

Mourão propõe papel do Conselho de Defesa Nacional na política de minerais estratégicos

Senador apresentou proposta para que decisões sobre projetos minerais estratégicos considerem diretrizes de defesa nacional; debate ocorre enquanto Senado analisa marco dos minerais críticos.

Mourão propõe papel do Conselho de Defesa Nacional na política de minerais estratégicos
Mourão propõe papel do Conselho de Defesa Nacional na política de minerais estratégicos

O senador Hamilton Mourão (Republicanos-RS) apresentou uma proposta para ampliar a participação do Conselho de Defesa Nacional nas decisões relacionadas à política de minerais críticos e estratégicos do país. A iniciativa foi divulgada nesta terça-feira, 1º de setembro, no momento em que o Senado discute o marco legal do setor, aprovado pela Câmara em maio.

A proposta de Mourão é que o conselho seja ouvido em projetos considerados relevantes para a soberania nacional e que a política mineral tenha conexão explícita com diretrizes da Política Nacional de Defesa.

Minerais críticos ganharam peso geopolítico

Lítio, terras raras, níquel, grafita, cobre e outros minerais são usados na produção de baterias, veículos elétricos, semicondutores, equipamentos de defesa e sistemas de energia. A disputa por acesso a essas matérias-primas se intensificou com a transição energética e com a competição tecnológica entre Estados Unidos, China e União Europeia.

O Brasil possui reservas importantes e busca ampliar a produção sem permanecer apenas como exportador de matéria-prima de baixo valor agregado.

Marco legal já passou pela Câmara

A Câmara dos Deputados aprovou em maio a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos. O texto estabelece critérios para classificação dos minerais e prevê instrumentos de incentivo à pesquisa, lavra, processamento e industrialização.

Entre os mecanismos aprovados estão incentivos fiscais e exigências de agregação de valor no país. A proposta também permite que o governo estabeleça diretrizes para exportação e condições relacionadas ao abastecimento interno.

Mourão quer incorporar dimensão de defesa

A emenda do senador acrescenta uma camada de segurança nacional ao debate. O Conselho de Defesa Nacional é órgão de consulta do presidente da República em temas relacionados à soberania e à defesa do Estado democrático.

Para Mourão, decisões sobre projetos minerais estratégicos devem considerar riscos de dependência externa, controle de ativos sensíveis e impacto sobre cadeias industriais ligadas à defesa.

Setor também envolve ambiente e comunidades

A expansão da mineração crítica não envolve apenas interesses econômicos e militares. Projetos de grande escala podem afetar comunidades locais, terras indígenas, recursos hídricos e áreas ambientalmente sensíveis.

Organizações ambientais e representantes de povos indígenas têm cobrado regras claras de licenciamento, consulta e compensação. Empresas e governos estaduais, por outro lado, defendem maior previsibilidade regulatória para acelerar investimentos.

Planalto criou estrutura de coordenação

O governo federal também passou a tratar o tema como prioridade estratégica. Em julho, o Palácio do Planalto avançou na criação de uma estrutura de coordenação para políticas de minerais críticos, com participação de diferentes ministérios e do Conselho Nacional de Política Mineral.

O objetivo é articular produção, processamento, tecnologia, exportação e atração de investimentos, evitando decisões fragmentadas entre órgãos públicos.

Senado terá de equilibrar interesses

A discussão no Senado deve envolver soberania, competitividade, proteção ambiental e segurança jurídica. Caso o texto seja alterado, poderá retornar à Câmara.

A proposta de Mourão amplia a dimensão geopolítica da matéria e reforça a ideia de que minerais críticos deixaram de ser assunto exclusivamente econômico. Em um cenário de disputa global por cadeias de suprimentos, a definição de quem extrai, processa e controla esses recursos passou a ter impacto direto sobre política externa e defesa.

Fontes