Justiça · 2026-11-06 · Redação Notícia ES

MP atribui a ex-juiz de tribunal de impostos elo com propinas na Fazenda de SP

Operação Mágico de Oz investiga recolhimento de mais R$ 70 milhões em propinas de comerciantes e empresários de Osasco e cercanias

MP atribui a ex-juiz de tribunal de impostos elo com propinas na Fazenda de SP
MP atribui a ex-juiz de tribunal de impostos elo com propinas na Fazenda de SP

A Justiça de São Paulo recebeu denúncia criminal do Ministério Público contra o advogado Manoel Marcelo Camargo de Laet por suposta ligação com esquema de corrupção instalado na Delegacia Regional Tributária (DRT)-14, em Osasco, na região metropolitana.

O contexto da decisão judicial

Laet foi juiz do Tribunal de Impostos e Taxas (TIT) da Fazenda estadual por cinco biênios, entre 2006 e 2015.

A decisão é da 3.ª Vara Estadual de Organizações Criminosas e Lavagem de Bens, Direitos e Valores e alcança também dois auditores fiscais da Receita paulista, Jorge David Júnior e Rafael Merenghi Valenciano – aquele foragido, o segundo já preso no âmbito de uma outra investigação, segundo a qual ele teria extorquido R$ 2 milhões em dinheiro e ainda uma picape blindada de um empresário idoso da região de Barueri, na Grande São Paulo.

Em discurso no CNPE, presidente destacou que também buscará transformar o país em uma “potência”

Detalhes e consequências do caso

Jorge David e Valenciano são investigados na Operação Mágico de Oz por supostamente terem amealhado mais de R$ 70 milhões em propinas de comerciantes e empresários de Osasco e cercanias.

Em nota, os advogados Vinícius Ehrhardt Julio Drago e Gabriel Coimbra Rodrigues Abboud , que representam o fiscal Jorge David, informaram que irão se manifestar após tomar ciência de todo o conteúdo da decisão nos autos do processo.

A defesa de Rafael Valenciano, via o advogado Edson Asarias, declarou que ‘adotará as medidas judiciais cabíveis’ e que ‘as acusações serão enfrentadas nos autos’.

Segundo a Promotoria, Jorge David, na condição de agente fiscal de Rendas da DRT-14 de Osasco, exigiu e recebeu vantagem indevida global de R$ 802.820,20 paga pelo representante de uma empresa de plásticos cooptada pelo grupo.

A investigação mostra “interlocução direta travada por canal pessoal com intermediários para simular entraves fiscais, cobrança de pagamentos e direcionamento das parcelas”.

Resultado foi um pouco melhor do que o esperado pelo ⁠mercado, ‌que previa saldo positivo ⁠de US$ 9,05 bilhões

Jorge David recebeu pessoalmente, segundo a investigação, duas entregas de R$ 10 mil em espécie em um posto de combustíveis e determinou o repasse do remanescente (R$ 782.820,20) por meio de transferências fracionadas para a conta da empresa de fachada RDSeals, supostamente criada para produção de artefatos de borracha e de plásticos.

Segundo a Promotoria, o advogado e ex-juiz do Tribunal de Impostos e Taxas Manoel de Laet teria atuado na “administração material e articulação externa” da RDSeals. Essa é a quarta denúncia criminal contra Laet.

A investigação mostra que ele teria operado a simulação de “transações mercantis sem lastro”, gerando documentos fiscais frios para mascarar e dissimular a origem do capital ilícito amealhado pela organização fiscal.

Laet é o primeiro nome vinculado ao TIT que desponta nos autos da Mágico de Oz, jornada que sucedeu a Operação Ícaro, desencadeada em agosto do ano passado – uma terceira fase, denominada Fisco Paralelo, foi às ruas em março último.

Todas elas são de autoria de um grupo de promotores do Gedec – unidade do Ministério Público que combate crimes tributários – que cercam numeroso grupo de auditores da Secretaria de Estado da Fazenda e Planejamento que teriam se especializado na liberação antecipada de créditos tributários a gigantes do varejo e do atacado em troca de propinas bilionárias.

Os fatos atribuídos a Laet ocorreram depois que ele ocupou assento no Tribunal de Impostos e Taxas.

Órgão colegiado da Secretaria da Fazenda, o tribunal tem caráter administrativo e julga pendências fiscais, entre elas a cobrança de ICMS e multas aplicadas a contribuintes. O presidente do TIT é um auditor de carreira.

Metade das cadeiras é reservada a funcionários públicos – entre fiscais da própria Pasta -, a outra é preenchida por representantes de contribuintes, indicados por segmentos econômicos e associações empresariais.

Depois que os autos passam pelo TIT eles podem seguir para a Justiça.

Além dos fiscais e do ex-juiz do TIT, o Ministério Público denunciou Jone Eder Balestra por suposta atuação direta como sócio ostensivo e operador de campo da RDSeals, ‘encarregado de intermediar contatos com os contribuintes fiscalizados, fornecer os dados bancários para repasses de dinheiro e gerenciamento da emissão de notas fiscais fraudulentas com a finalidade exclusiva de legitimar o ingresso do produto da corrupção’.

Em nota ao Estadão , os advogados Vinícius Ehrhardt Julio Drago e Gabriel Coimbra Rodrigues Abboud informaram que receberam ‘com surpresa, por meio da imprensa, a notícia da expedição de um novo mandado de prisão em desfavor de Jorge David Júnior’.

“Até o presente momento, a defesa não teve acesso aos autos nem ao teor da decisão que teria fundamentado a medida. Em razão disso, se manifestará após tomar ciência de todo o conteúdo, no processo.”

Em resumo

O que aconteceu?

A Justiça de São Paulo recebeu denúncia criminal do Ministério Público contra o advogado Manoel Marcelo Camargo de Laet por suposta ligação com esquema de corrupção instalado na Delegacia Regional Tributária (DRT)-14, em Osasco, na região metropolitana.

Qual é o ponto principal?

A decisão é da 3.ª Vara Estadual de Organizações Criminosas e Lavagem de Bens, Direitos e Valores e alcança também dois auditores fiscais da Receita paulista, Jorge David Júnior e Rafael Merenghi Valenciano – aquele foragido, o segundo já preso no âmbito de uma outra investigação, segundo a qual ele teria extorquido R$ 2 milhões em dinheiro e ainda uma picape blindada de um empresário idoso da região de Barueri, na Grande São Paulo.

Quais são os dados mais importantes?

Em discurso no CNPE, presidente destacou que também buscará transformar o país em uma “potência”

Qual é o contexto?

Jorge David e Valenciano são investigados na Operação Mágico de Oz por supostamente terem amealhado mais de R$ 70 milhões em propinas de comerciantes e empresários de Osasco e cercanias.

Quais são os próximos desdobramentos?

Em nota, os advogados Vinícius Ehrhardt Julio Drago e Gabriel Coimbra Rodrigues Abboud , que representam o fiscal Jorge David, informaram que irão se manifestar após tomar ciência de todo o conteúdo da decisão nos autos do processo.

Fontes