MP do Paraguai acusa Ueno Bank de simular venda de US$ 74,4 mi em créditos
Banco teria financiado a própria operação; polícia prendeu 8 pessoas, e o Banco Central determinou o fechamento das agências

Letícia Alves nasceu em Fortaleza e se formou em jornalismo na Universidade Federal do Ceará. Atuou no jornal O Povo, Poder360, Brasil sem Medo e Gazeta do Povo. Atualmente, é repórter na Revista Oeste.
O contexto da decisão judicial
O Ministério Público do Paraguai acusou o Ueno Bank de simular a venda de uma carteira de créditos avaliada em mais de US$ 74,4 milhões, financiando a transação após investigações.
O banco transferiu a carteira à Vinanzas SA, que também estava vinculada ao Ueno, e recebeu um aporte de US$ 76,06 milhões antes da compra.
O Banco Central do Paraguai determinou o fechamento das agências e garantiu cobertura de até US$ 38 mil por correntista.
Detalhes e consequências do caso
O Ministério Público do Paraguai acusa o Ueno Bank de simular a venda de uma carteira de créditos por mais de US$ 74,4 milhões. O banco teria financiado a própria transação depois de investigação da Procuradoria e pressão da Superintendência de Bancos.
Segundo o MP, a instituição forjou a cessão de créditos de empresas vinculadas, investigadas por empréstimos irregulares: Mowi, Grupo Hendy, Grupo M, Tuiu, Franede e Aime. O Banco Central do Paraguai (BCP) confirmou o valor da operação.
O Ueno transferiu a carteira à Vinanzas SA em 15 de junho. Segundo os investigadores, a compradora também pertencia ao banco e tinha apenas US$ 93,8 mil em conta na véspera.
No dia da transação, a Vinanzas recebeu um aporte de US$ 76,06 milhões. Horas depois, comprou a carteira de créditos.
Segundo o jornal paraguaio Última Hora , o Ueno financiou intermediárias entre 11 e 15 de junho. Liberou US$ 10 milhões para a Technoma, US$ 10 milhões para a La Tropa Fletes, US$ 35 milhões para a HD Invest, US$ 20 milhões para a Satec e US$ 6,8 milhões para a Factopar.
A HD Invest e a Satec transferiram os recursos diretamente à Vinanzas. Já as demais repassaram valores a outras firmas, incluindo o Grupo Vázquez, sócio majoritário do banco, que encaminhou o dinheiro à compradora.
“Essa situação impediria conhecer o estado real de sua situação patrimonial, uma vez que sua carteira teria sido adquirida pela própria instituição financeira”, afirmou o MP.
O BCP determinou o fechamento das agências e garante cobertura de até cerca de US$ 38 mil (R$ 208,48 mil) por correntista. Ainda segundo o Última Hora , o Fundo Garantidor de Depósitos antecipa os pagamentos nesta quinta-feira, 5.
O BCP reduziu o prazo dos repasses de 15 para até cinco dias úteis. Os interventores também asseguram o pagamento das verbas rescisórias aos funcionários, ainda sem prazo definido.
A polícia prendeu oito pessoas ligadas ao banco. A Justiça investiga outras 19 de empresas vinculadas. Os detidos participam de audiência nesta quinta-feira para a definição de prisões preventivas.
O MP acusa o grupo de conduta indevida em crise, abuso de confiança, tentativa de fraude e descumprimento de escrituração contábil.
Entre os presos estão o presidente Juan Manuel Gustale Cardoni, o fundador e primeiro vice-presidente Federico Miguel Vázquez Villasanti e a segunda vice-presidente Diana Leticia Mongelós González.
Além disso, a lista inclui Julio Daniel Rey Fernández, ex-segundo vice-presidente; Diego Fernando Duarte Schussmuller, ex-conselheiro do BCP; Alejandro Gómez Abente, diretor principal; Mariana Torres, ex-diretora-geral; e Miguel Ángel Almada Frutos, presidente do Grupo Vázquez.
O advogado do presidente do banco, José Fernández Zacur, negou o envolvimento do cliente.
“Não sei se vítima é a palavra certa, mas posso afirmar que ele desconhecia completamente a natureza independente das empresas”, diz a defesa.
“O presidente não é responsável por definir nem determinar quem é o beneficiário dos empréstimos.”
Manifestantes pediram o impeachment do presidente Santiago Peña nesta quarta-feira, 4, em Assunção. Ele atuou como investidor da holding do Ueno até março de 2025.
O Ueno começou como fintech em 2021 e obteve licença bancária rapidamente. Declarava atender 3 milhões de correntistas, mais de 60% dos adultos paraguaios.
Além disso, chegou a abrir agências de luxo e a patrocinar a seleção de futebol do país.
O governo Peña elevou os depósitos públicos no banco para mais de US$ 850 milhões (R$ 4,66 bilhões), quase um terço do total captado. O presidente, porém, rejeitou preocupações sobre a instituição em diversas ocasiões.
O Ueno emitiu em março o maior volume de títulos corporativos da história do país, mas suas ações caíram desde então.
No mês passado, a Fitch revisou sua perspectiva de crédito de longo prazo para negativa, ao citar o “crescimento acelerado do balanço e altos ativos intangíveis”.
Em resumo
Letícia Alves nasceu em Fortaleza e se formou em jornalismo na Universidade Federal do Ceará. Atuou no jornal O Povo, Poder360, Brasil sem Medo e Gazeta do Povo. Atualmente, é repórter na Revista Oeste.
O Ministério Público do Paraguai acusou o Ueno Bank de simular a venda de uma carteira de créditos avaliada em mais de US$ 74,4 milhões, financiando a transação após investigações. O banco transferiu a carteira à Vinanzas SA, que também estava vinculada ao Ueno, e recebeu um aporte de US$ 76,06 milhões antes da compra.
O Ministério Público do Paraguai acusa o Ueno Bank de simular a venda de uma carteira de créditos por mais de US$ 74,4 milhões. O banco teria financiado a própria transação depois de investigação da Procuradoria e pressão da Superintendência de Bancos.
Segundo o MP, a instituição forjou a cessão de créditos de empresas vinculadas, investigadas por empréstimos irregulares: Mowi, Grupo Hendy, Grupo M, Tuiu, Franede e Aime. O Banco Central do Paraguai (BCP) confirmou o valor da operação.
O Ueno transferiu a carteira à Vinanzas SA em 15 de junho. Segundo os investigadores, a compradora também pertencia ao banco e tinha apenas US$ 93,8 mil em conta na véspera. No dia da transação, a Vinanzas recebeu um aporte de US$ 76,06 milhões. Horas depois, comprou a carteira de créditos.