Política Nacional · 2026-09-01 · Redação Notícia ES

MP Eleitoral pede retirada de imagem de Jair Bolsonaro em material de campanha de Lucas Bove

Parecer da Procuradoria Regional Eleitoral de São Paulo sustenta que peças com o ex-presidente contrariam decisão do STF; palavra final caberá à Justiça Eleitoral.

MP Eleitoral pede retirada de imagem de Jair Bolsonaro em material de campanha de Lucas Bove
MP Eleitoral pede retirada de imagem de Jair Bolsonaro em material de campanha de Lucas Bove

A Procuradoria Regional Eleitoral em São Paulo se manifestou favoravelmente, em parte, a uma representação que pede a retirada da imagem do ex-presidente Jair Bolsonaro de material de campanha do candidato a deputado estadual Lucas Bove (PL). O parecer foi emitido no domingo (30) e ainda depende de decisão da Justiça Eleitoral.

A representação foi apresentada pela vereadora e candidata a deputada estadual Duda Hidalgo (PT), de Ribeirão Preto. O material questionado inclui banners que associam Bove às imagens de Bolsonaro, do governador Tarcísio de Freitas e do candidato à Presidência Flávio Bolsonaro.

Procuradoria concentrou parecer na imagem de Bolsonaro

O Ministério Público Eleitoral não acolheu integralmente todos os pontos da representação. A manifestação se concentrou no uso da fotografia do ex-presidente, por entender que essa associação contraria decisão do Supremo Tribunal Federal que impôs restrições a manifestações político-eleitorais de Bolsonaro, inclusive por intermédio de terceiros.

O parecer foi assinado pelo procurador regional eleitoral auxiliar Uendel Domingues Ugatti. Ele pede o recolhimento das peças que utilizam a imagem do ex-presidente, mas a determinação só terá força judicial se for acolhida pelo Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo.

Bove diz que acatará decisão

Em nota divulgada após a repercussão, Lucas Bove criticou a representação e afirmou que ela demonstra a força política da identificação com o bolsonarismo. Apesar da crítica, disse que aguardará e cumprirá o que for determinado pela Justiça Eleitoral.

A posição da defesa será relevante porque o processo discute não apenas propaganda convencional, mas o alcance de uma restrição individual imposta a Bolsonaro e seus efeitos sobre campanhas de terceiros que desejam utilizar sua imagem.

Questão envolve liberdade de propaganda e ordem judicial

Candidatos normalmente podem utilizar fotografias de apoiadores e lideranças políticas, desde que respeitem regras de autorização, propaganda e veracidade. O ponto excepcional neste caso é a existência de decisão judicial que restringe manifestações político-eleitorais do ex-presidente.

A Procuradoria entende que permitir a associação visual em material de campanha poderia esvaziar a eficácia da decisão ao possibilitar manifestação eleitoral indireta. A defesa e apoiadores de Bolsonaro, por outro lado, tendem a argumentar que a imagem de uma liderança política possui valor histórico e partidário que não se confunde automaticamente com uma manifestação pessoal.

TRE-SP terá a palavra final nesta fase

O parecer do Ministério Público não é sentença. O processo será analisado pela Justiça Eleitoral, que poderá acolher, rejeitar ou limitar o pedido. A decisão também poderá ser questionada por meio dos recursos cabíveis.

O episódio mostra como as restrições judiciais aplicadas a figuras nacionais produzem efeitos sobre campanhas estaduais e proporcionais. Em 2026, o uso de imagens, perfis digitais e manifestações de apoiadores se tornou uma área de conflito frequente entre liberdade de expressão, regras de propaganda e cumprimento de decisões judiciais.

Fontes