MPPR denuncia suspeito por feminicídio e tentativa de estupro em Londrina
Promotoria acusa jovem de 21 anos pela morte de Thaissa Gabriely em academia ainda não inaugurada; defesa diz que atuará com responsabilidade.

O Ministério Público do Paraná denunciou Gabriel de Andrade, de 21 anos, por feminicídio e tentativa de estupro contra Thaissa Gabriely de Oliveira Marques, também de 21, morta em 11 de setembro dentro de uma academia ainda não inaugurada em Londrina. A acusação foi apresentada pela 14ª Promotoria de Justiça e agora depende de análise judicial para que o processo criminal avance.
Segundo a narrativa da Promotoria divulgada pela Folha de S.Paulo, Thaissa trabalhava na divulgação do empreendimento quando foi abordada. O Ministério Público afirma que o denunciado tentou violentá-la e, diante da reação, passou a atacá-la com uma faca. O laudo citado na investigação registrou dezenas de ferimentos. Essas informações integram a acusação e serão submetidas ao contraditório.
Gabriel foi preso em flagrante e permaneceu à disposição da Justiça. A polícia informou que ele confessou o ataque em declaração inicial. Confissão extrajudicial é um elemento relevante, mas não encerra o caso: precisa ser examinada em conjunto com perícias, testemunhos e demais provas, além de poder ser contestada pela defesa no processo.
Denúncia descreve tentativa de violência sexual
A Promotoria sustenta que o acusado levou uma corda e uma faca ao local e tentou imobilizar a vítima. A qualificadora do feminicídio foi empregada porque a morte teria ocorrido em contexto de violência contra mulher. A tentativa de estupro aparece como delito autônomo na denúncia. Caberá ao juiz verificar se há justa causa para receber cada imputação.
Mensagens de áudio atribuídas a Thaissa, enviadas antes do crime, relatavam incômodo com visitas frequentes do jovem ao ponto de divulgação. A polícia também apurou que ele teria procurado vaga no mesmo estabelecimento. Esses registros ajudam a reconstruir contato e oportunidade, mas seu significado probatório só pode ser definido dentro dos autos.
A defesa, conduzida pelo escritório Penha & Vainer, afirmou que fará uma análise responsável e mencionou a necessidade de esclarecer a confissão e aspectos ligados a uma condição do neurodesenvolvimento. Essa referência não produz automaticamente incapacidade penal. Eventual avaliação sobre imputabilidade exige perícia específica e decisão judicial, com participação do Ministério Público.
Julgamento deve respeitar presunção de inocência
Se a denúncia for recebida, começa a fase de instrução, na qual acusação e defesa apresentam documentos, indicam testemunhas e formulam perguntas aos peritos. Em crimes dolosos contra a vida, a etapa inicial termina com decisão sobre a existência de elementos suficientes para levar o réu a julgamento pelo Tribunal do Júri.
A pronúncia, se ocorrer, não significa condenação. Ela apenas reconhece que o caso deve ser submetido aos jurados. A defesa pode recorrer, pedir diligências e questionar qualificadoras. Da mesma forma, a família da vítima pode acompanhar o processo e atuar como assistente de acusação, conforme autorização judicial.
Próximos passos
O Judiciário deverá analisar o recebimento da denúncia e as medidas cautelares. O Ministério Público poderá complementar a prova se surgirem novos elementos, enquanto a defesa apresentará resposta formal. Datas de audiências serão definidas no andamento processual e poderão ser consultadas pelos canais públicos do Tribunal de Justiça do Paraná, respeitado eventual sigilo.
A tipificação de feminicídio aumenta a gravidade jurídica da acusação por reconhecer violência letal dirigida a uma mulher em razão do gênero ou em contexto doméstico e discriminatório. A incidência da qualificadora, contudo, será debatida no processo. Jurados deverão decidir com base nas provas produzidas, não na repercussão do caso.
A academia informou às autoridades o que sabia sobre o ambiente e a rotina de trabalho, e esses dados podem compor a instrução. Responsabilidade trabalhista ou civil, se discutida, seguirá critérios próprios e não se confunde com a autoria penal atribuída pela Promotoria ao denunciado.
O caso também chama atenção para protocolos de trabalho em instalações vazias ou em fase de abertura. Medidas preventivas incluem controle de acesso, presença de mais de um funcionário e comunicação imediata de abordagens insistentes. Essa discussão de segurança não transfere à vítima a responsabilidade pela violência que sofreu; a responsabilidade penal será examinada exclusivamente em relação ao acusado.
Em resumo
Gabriel de Andrade, de 21 anos, conforme a denúncia divulgada.
Feminicídio e tentativa de estupro, segundo a Promotoria.
Thaissa Gabriely de Oliveira Marques, estudante de 21 anos.
Em uma academia ainda não inaugurada em Londrina, no Paraná.
Não. A acusação ainda precisa ser recebida e julgada, com direito de defesa.
Que analisará o processo com responsabilidade e apresentará as questões jurídicas e pessoais pertinentes.