Justiça · 2026-10-14 · Redação Notícia ES

MPs pagaram supersalários após regra do STF sobre penduricalhos

Levantamento encontrou remuneração média acima de R$ 100 mil em São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro; órgãos dizem que pagamentos seguiram regras vigentes.

MPs pagaram supersalários após regra do STF sobre penduricalhos
MPs pagaram supersalários após regra do STF sobre penduricalhos

Ministérios Públicos estaduais mantiveram pagamentos acima de R$ 100 mil por membro em abril, mesmo após o Supremo Tribunal Federal fixar novos limites para verbas adicionais. Os contracheques analisados incluem casos que chegaram a R$ 229 mil.

O levantamento foi publicado pela Folha de S.Paulo nesta quarta-feira (14) e examinou dados de São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro. A Agência Brasil registrou a decisão do STF de 25 de março, que disciplinou os adicionais pagos a magistrados, promotores e procuradores.

O teto constitucional era de R$ 46.366,19, mas a decisão admitiu parcelas adicionais dentro de limites definidos pela Corte. Com a combinação prevista para verbas indenizatórias e adicional por tempo de serviço, a remuneração poderia chegar a aproximadamente R$ 78,8 mil.

Os dados de abril mostraram médias superiores a R$ 100 mil nos três Ministérios Públicos examinados. A diferença ocorreu sobretudo por ressarcimentos de férias não usufruídas, licenças compensatórias e outras parcelas lançadas fora do subsídio regular.

Pagamentos superam novo limite

No Ministério Público do Rio de Janeiro, a remuneração média saltou de R$ 67,5 mil em março para R$ 135,2 mil em abril, segundo o levantamento. Cerca de 630 promotores e procuradores receberam mais de R$ 100 mil, equivalentes a 70% do quadro ativo analisado.

O maior contracheque fluminense citado chegou a R$ 229 mil. A licença compensatória permitia acumular um dia de folga a cada três dias de trabalho cumulativo e converter períodos não usufruídos em pagamento, mecanismo que elevou as verbas indenizatórias.

Em Minas Gerais, a média permaneceu perto de R$ 148 mil entre fevereiro e abril e só recuou em maio. Em São Paulo, os pagamentos também cresceram no período que antecedeu a consolidação das regras do Supremo.

Os órgãos afirmaram que cumpriram a decisão do STF e que as parcelas tinham respaldo nas normas vigentes quando foram pagas. Essa justificativa será relevante para distinguir valores autorizados, pagamentos de períodos anteriores e verbas que ultrapassaram os limites já aplicáveis.

Transparência segue fragmentada

O controle é dificultado pela ausência de um portal nacional único para os contracheques do Ministério Público. Cada instituição divulga os dados em formato próprio, o que torna mais difícil comparar meses, identificar parcelas e acompanhar a aplicação das decisões judiciais.

A regra do STF procura limitar o uso de indenizações que, embora não integrem formalmente o salário, elevam a remuneração muito acima do teto. A Corte manteve parcelas previstas em lei, mas estabeleceu percentuais máximos e exigiu base legal para os benefícios.

O valor bruto de um contracheque também pode reunir pagamentos retroativos ou referentes a direitos acumulados. Isso não elimina o dever de transparência: a origem, o período e o fundamento de cada parcela precisam aparecer de forma clara para permitir fiscalização pública.

O ponto pendente é verificar como os Ministérios Públicos recalcularam os pagamentos depois da decisão e se haverá restituição quando forem identificados excessos. A resposta depende da análise individual das verbas e da interpretação aplicada pelos órgãos de controle.

Em resumo

Quanto chegaram a receber membros do Ministério Público?

O maior contracheque citado no levantamento alcançou R$ 229 mil em abril.

Quais estados foram analisados?

O levantamento examinou os Ministérios Públicos de São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro.

Qual limite foi definido pelo STF?

Com os adicionais admitidos, a remuneração poderia chegar a aproximadamente R$ 78,8 mil.

Quais verbas elevaram os pagamentos?

Ressarcimentos de férias, licenças compensatórias e outras parcelas indenizatórias aumentaram os contracheques.

Por que a fiscalização é difícil?

Os MPs não têm um portal nacional unificado e publicam dados de remuneração em formatos diferentes.

Fontes