Política Nacional · 2026-10-04 · Redação Notícia ES

Mulheres lideram eleitorado, mas não as disputas estaduais

Eleitoras são 52,84% do cadastro nacional, enquanto apenas oito mulheres aparecem entre os nomes competitivos aos governos em sete estados e no Distrito Federal.

Mulheres lideram eleitorado, mas não as disputas estaduais
Mulheres lideram eleitorado, mas não as disputas estaduais

As mulheres formam a maioria do eleitorado que vai às urnas neste domingo, 4 de outubro, mas continuam em número reduzido entre as candidaturas com maior presença nas disputas pelos governos estaduais. O contraste aparece em diferentes regiões e atravessa partidos de campos políticos distintos.

Levantamento publicado pela CNN Brasil identificou oito mulheres entre os nomes competitivos aos governos de sete estados e do Distrito Federal. Os números do cadastro foram confirmados pelo Tribunal Superior Eleitoral, segundo o qual 83.877.126 eleitoras representam 52,84% das 158.745.463 pessoas aptas a votar em 2026.

O grupo citado reúne Raquel Lyra, em Pernambuco; Juliana Brizola, no Rio Grande do Sul; Celina Leão, no Distrito Federal; Hana Ghassan, no Pará; Maria do Carmo, no Amazonas; Professora Dorinha, no Tocantins; Mailza Assis, no Acre; e Natasha Slhessarenko, em Mato Grosso. A presença na lista não significa a mesma posição em cada corrida: há candidatas na liderança, empatadas ou tentando se aproximar dos primeiros colocados.

Maioria eleitoral ainda não basta

O dado nacional expõe uma diferença entre o peso das mulheres como eleitoras e o espaço ocupado por elas nas disputas majoritárias. Embora decidam grande parte dos votos, elas não aparecem na mesma proporção entre os nomes que chegam à reta final com possibilidade concreta de vitória.

A diferença também é visível no conjunto das candidaturas. Dados divulgados pela Agência Brasil a partir dos registros do TSE mostram que 7.156 dos 20.530 pedidos apresentados em 2026 eram de mulheres, equivalente a 35% do total. Os homens respondiam por 65% dos registros.

Nas eleições estaduais de 2022, apenas duas mulheres venceram as 27 disputas para governador: Fátima Bezerra, no Rio Grande do Norte, e Raquel Lyra, em Pernambuco. A eleição pernambucana terminou com duas mulheres no segundo turno, mas permaneceu como exceção no quadro nacional.

Em 2026, as candidatas competitivas estão distribuídas por campos diferentes. Celina Leão conta com apoio do grupo de Flávio Bolsonaro no Distrito Federal, enquanto Juliana Brizola concorre no Rio Grande do Sul com apoio de Lula e do PT. Hana Ghassan representa a continuidade do grupo de Helder Barbalho no Pará.

Regra alcança eleições proporcionais

A legislação exige que partidos e federações preencham o mínimo de 30% e o máximo de 70% de candidaturas de cada sexo nas eleições proporcionais. A regra vale para as disputas de deputado federal, estadual ou distrital, mas não impõe a mesma composição nas chapas para governador e senador.

Por isso, o crescimento da participação feminina nos registros não produz automaticamente equilíbrio nas corridas pelo Executivo. A escolha de candidaturas majoritárias depende das decisões internas dos partidos, das alianças e da distribuição de recursos políticos e financeiros durante a campanha.

O Senado apresenta um cenário com mais mulheres entre os nomes conhecidos, em parte porque cada unidade da Federação elege duas pessoas neste pleito. Ainda assim, a quantidade de candidatas não garante paridade entre as 54 cadeiras que serão renovadas.

O resultado das urnas mostrará quantas das oito candidatas competitivas transformarão presença eleitoral em comando estadual. O ponto já comprovado pelo cadastro do TSE é que as mulheres são maioria entre quem escolhe; a representação entre quem governa continua distante dessa proporção.

Em resumo

Quantas mulheres estão aptas a votar em 2026?

O TSE registra 83.877.126 eleitoras, equivalentes a 52,84% do eleitorado nacional.

Quantas mulheres aparecem entre as candidaturas competitivas aos governos?

O levantamento da CNN Brasil identificou oito mulheres em sete estados e no Distrito Federal.

Mulheres são maioria entre todas as candidaturas?

Não. Elas representavam 35% dos pedidos de registro apresentados ao TSE em 2026.

A cota de gênero vale para governador?

Não. O percentual mínimo de 30% de cada sexo se aplica às eleições proporcionais, não às chapas majoritárias.

Quantas mulheres venceram governos estaduais em 2022?

Duas: Fátima Bezerra, no Rio Grande do Norte, e Raquel Lyra, em Pernambuco.

Fontes