Política Nacional · 2026-09-27 · Redação Notícia ES

Mulheres ocupam menos de um quinto do Congresso brasileiro

Embora sejam maioria do eleitorado, mulheres ocupam 88 das 513 cadeiras da Câmara e 15 das 81 vagas do Senado.

Mulheres ocupam menos de um quinto do Congresso brasileiro
Mulheres ocupam menos de um quinto do Congresso brasileiro

As mulheres chegam às Eleições 2026 como 52,84% do eleitorado brasileiro, mas ocupam menos de uma em cada cinco cadeiras do Congresso Nacional. São 88 deputadas entre os 513 integrantes da Câmara e 15 senadoras em um plenário de 81 vagas, diferença que mantém o país nas últimas posições do ranking internacional de representação parlamentar.

O levantamento foi publicado pela CNN Brasil neste domingo (27) e conferido pela Redação Notícia ES nas bases da União Interparlamentar, a IPU, e do Tribunal Superior Eleitoral. O ranking mensal da IPU coloca o Brasil na 138ª posição, com 17,2% de mulheres na Câmara e 18,5% no Senado. O TSE registra 83.877.126 eleitoras aptas a votar em outubro.

A distância aparece também na comparação internacional. A participação feminina no Congresso brasileiro fica abaixo da média mundial de 27,3% e não alcança metade da média das Américas, de 35,7%. Países como Bolívia e México já superaram a marca de 50% no recorte utilizado pela entidade.

Os números descrevem a composição atual e não antecipam o resultado das urnas. Em 4 de outubro, o eleitorado renovará as 513 vagas da Câmara e escolherá 54 senadores, equivalentes a dois terços da Casa. A eleição oferece uma oportunidade de mudança, mas a quantidade de candidatas registradas não garante, por si só, a eleição de uma bancada proporcional ao número de mulheres que votam.

Eleitorado feminino supera representação

A legislação exige que cada partido ou federação preencha no mínimo 30% e no máximo 70% das candidaturas proporcionais com pessoas de cada sexo. Também existem regras para distribuição de recursos públicos e tempo de propaganda. O objetivo é impedir que mulheres apareçam apenas formalmente nas nominatas, sem condições reais de disputar.

Mesmo assim, a conversão de candidaturas em mandatos depende do apoio entregue pelas direções partidárias. Financiamento, presença na propaganda, estrutura de campanha, redes políticas e posição dentro das estratégias eleitorais influenciam a competitividade. A CNN ouviu as professoras Marlise Matos, da UFMG, e Flávia Biroli, da UnB, que apontaram os partidos como parte decisiva desse percurso.

O sistema brasileiro de lista aberta acrescenta outra dificuldade. O eleitor escolhe diretamente uma candidatura, e cada concorrente precisa conquistar votos próprios, embora o total do partido também determine a distribuição das vagas. Em países com listas fechadas e alternância entre homens e mulheres, a ordem definida pela legenda pode assegurar uma presença feminina maior entre os eleitos.

A desigualdade não atinge todas da mesma forma. Mulheres negras e de menor renda enfrentam obstáculos adicionais para construir visibilidade, arrecadar recursos e acessar redes partidárias. A violência política, especialmente nas plataformas digitais, também pode afastar candidatas e mandatárias ao ampliar ataques pessoais contra elas e suas famílias.

Partidos controlam recursos decisivos

A Câmara informou em abril que deputadas discutiam a reserva de cadeiras como alternativa às cotas de candidaturas. A proposta parte do diagnóstico de que obrigar a presença de mulheres na lista não assegura número equivalente de eleitas quando os recursos e o apoio político continuam concentrados em candidatos homens.

O debate seguirá depois da eleição, porque qualquer mudança no sistema precisa respeitar o calendário e as regras constitucionais. Até lá, a medição objetiva será feita nas urnas: quantas mulheres serão eleitas, quanto receberam dos fundos partidário e eleitoral e em quais posições ficaram dentro de cada bancada.

A composição atual oferece a linha de base. Mulheres são maioria entre as pessoas habilitadas a escolher deputados e senadores, mas representam 17,2% da Câmara e 18,5% do Senado. O resultado de outubro mostrará se a diferença diminuiu ou se as barreiras internas dos partidos continuaram limitando a passagem da candidatura ao mandato.

Em resumo

Quantas mulheres ocupam a Câmara dos Deputados?

A atual composição tem 88 mulheres entre os 513 integrantes da Câmara, o equivalente a 17,2% das cadeiras.

Quantas mulheres estão no Senado?

São 15 senadoras em um total de 81 vagas, participação de 18,5%.

Qual é a participação feminina no eleitorado de 2026?

O TSE registra 83.877.126 eleitoras, equivalentes a 52,84% das pessoas aptas a votar.

Onde o Brasil aparece no ranking internacional?

No ranking mensal da União Interparlamentar usado pela reportagem, o Brasil ocupa a 138ª posição.

Por que candidaturas femininas não garantem mais eleitas?

A eleição também depende de financiamento, propaganda, redes partidárias e apoio político capazes de tornar cada candidatura competitiva.

Fontes