Cultura · 2026-09-22 · Redação Notícia ES

Multiplace cancela Festival de Verão Mais 2027 após 26 anos

Casa de shows de Meaípe atribui pausa a cachês, custos de produção, concorrência de eventos gratuitos e risco climático; espaço seguirá aberto.

Multiplace cancela Festival de Verão Mais 2027 após 26 anos
Público acompanha apresentação no Multiplace Mais, em Meaípe, Guarapari. Crédito: divulgação/Multiplace Mais.

O Multiplace Mais, casa de shows localizada em Meaípe, Guarapari, anunciou nesta terça-feira (22) que não realizará o Festival de Verão Mais em 2027. A programação tradicional ocupava o calendário capixaba havia 26 anos. A direção atribuiu a pausa ao aumento dos cachês, aos custos de produção e logística, à concorrência de eventos gratuitos promovidos pelo poder público e à incerteza econômica e climática.

A decisão não significa o fechamento do complexo. Segundo as informações publicadas por A Gazeta e ES Hoje, o espaço continuará operando e poderá receber eventos em outros formatos. O cancelamento se refere à temporada concentrada de verão, que exige contratação antecipada de artistas, equipes, fornecedores, segurança e estrutura para várias datas.

Fundado por Bruno Lawall, o Multiplace Mais tornou-se um dos principais endereços privados de entretenimento do Espírito Santo. O complexo ocupa uma área de cerca de 8 mil metros quadrados, com aproximadamente 7 mil metros quadrados construídos, e tem capacidade próxima de 6 mil pessoas. Ao longo das temporadas, recebeu artistas nacionais e ajudou a inserir Meaípe no circuito de grandes shows.

No comunicado reproduzido pelos veículos, a empresa aponta que cachês e despesas operacionais cresceram de forma incompatível com a previsibilidade de receitas. A conta inclui montagem, iluminação, som, equipes técnicas, segurança, impostos, fornecedores e transporte. Como contratos precisam ser fechados meses antes, uma mudança de cenário depois da venda inicial pode comprometer toda a temporada.

Eventos gratuitos mudaram a disputa pelo público

A direção também citou a concorrência de shows gratuitos financiados por governos e prefeituras. Para o público, essas apresentações ampliam o acesso à cultura. Para produtores privados, porém, criam uma disputa desigual quando artistas semelhantes se apresentam sem cobrança de ingresso em datas próximas. O problema não está na gratuidade em si, mas na falta de coordenação entre calendários e no uso de recursos públicos sem diálogo com a cadeia local.

Uma temporada privada depende de bilheteria, consumo e patrocínio para cobrir custos e risco. Um evento público pode ser custeado por orçamento, emendas, contratos de turismo ou cultura. Os modelos cumprem funções diferentes e podem coexistir, desde que haja transparência sobre valores, critérios de contratação e impacto na economia criativa.

A previsão de um período chuvoso mais intenso em 2027 aparece como outro fator de risco, segundo ES Hoje. Meteorologia de longo prazo não oferece certeza para uma data específica, mas temporadas ao ar livre ou com circulação externa são sensíveis a chuvas, interdições e cancelamentos. Para quem assume despesas antecipadas, a combinação de clima incerto e custo alto aumenta a exposição financeira.

Pausa afeta uma cadeia além do palco

O impacto alcança trabalhadores temporários, hotéis, restaurantes, motoristas, ambulantes formalizados, fornecedores e moradores que alugam imóveis durante o verão. O Festival de Verão Mais não movimentava apenas artistas e bilheteria. Cada data gerava demanda antes, durante e depois do espetáculo, sobretudo em uma região turística que concentra receita nos meses de férias.

Isso não autoriza estimar perdas sem dados. A casa não divulgou número de empregos suspensos, faturamento projetado ou valor dos contratos que deixaram de ser assinados. Qualquer cálculo precisará considerar quantos eventos seriam realizados, público esperado e alternativas que Guarapari oferecerá no mesmo período.

O anúncio também convida a um debate sobre a sustentabilidade de grandes agendas culturais fora da Grande Vitória. A concentração de artistas em poucas semanas eleva preços e pressiona infraestrutura. Uma programação distribuída ao longo do ano pode reduzir risco, mas depende de turismo constante, transporte, hospedagem e público regional disposto a viajar fora da alta estação.

Casa promete continuar ativa

A direção classificou a decisão como pausa, não como encerramento. A distinção é importante: não há anúncio de venda, demolição ou término das atividades do Multiplace Mais. O que foi suspenso é o formato de festival de verão de 2027. Eventos pontuais poderão ser divulgados separadamente, conforme viabilidade comercial.

Nos próximos meses, o setor deverá acompanhar o calendário oficial de Guarapari, os editais e contratos públicos para o verão e eventuais anúncios da casa. Esses documentos permitirão comparar custos, atrações e datas, além de verificar se a cidade conseguirá manter fluxo turístico sem a temporada tradicional.

Após 26 anos, o cancelamento é um fato relevante para a cultura e a economia criativa capixabas, mas não deve ser tratado como obituário do espaço. O Multiplace permanece aberto. A questão agora é se produtores, poder público e cadeia turística encontrarão um modelo que permita retomar a temporada com risco suportável, concorrência transparente e planejamento para o público.

Em resumo

O Multiplace Mais fechou?

Não. A direção informou que o espaço continuará funcionando; a decisão atinge a programação tradicional do verão de 2027.

Por que o Festival de Verão Mais foi cancelado?

A empresa citou alta de cachês, custos de equipes e logística, concorrência de shows gratuitos e incerteza econômica e climática.

Onde fica o Multiplace Mais?

O complexo está localizado em Meaípe, no município de Guarapari, litoral do Espírito Santo.

Há quanto tempo o festival era realizado?

A programação de verão ocorria havia 26 anos, segundo o anúncio divulgado pela casa.

O cancelamento é definitivo?

A direção apresentou a decisão como uma pausa e não anunciou o encerramento permanente do festival.

Qual é o próximo passo?

A casa deverá divulgar eventos pontuais e informar futuramente se haverá condições para retomar uma temporada de verão.

Fontes