Não existe um debate de corte de gastos no governo Lula, diz Eurasia Group
No WW, Christopher Garman avalia que o governo discute apenas medidas para reduzir o ritmo do aumento do gasto, não cortes efetivos

Christopher Garman, diretor-executivo da Eurasia Group, avaliou em entrevista ao WW que o debate interno no governo Lula na quinta-feira (5) não envolve cortes de gastos, mas sim medidas para desacelerar o ritmo de crescimento das despesas públicas.
Dados e contexto do setor
Segundo ele, investidores estrangeiros e locais observam atentamente os sinais que o governo emitirá sobre o controle fiscal. Garman foi enfático ao distinguir o que está sendo discutido dentro do governo. "Não existe um debate de corte de gasto", afirmou.
De acordo com Garman, a economia brasileira enfrenta uma crise de juros elevados, que sufoca empresas com alto custo de capital e mantém famílias endividadas.
Há um reconhecimento amplo entre economistas de que é necessário conter as regras do gasto e exercer maior controle fiscal para que o Banco Central possa reduzir os juros.
Impactos e informações adicionais
"O que existe é um debate de implementar medidas para tentar reduzir o ritmo do aumento do gasto", que pode incluir tanto medidas mais amenas quanto propostas via emenda constitucional.
No fundo, segundo ele, o que está em discussão é uma versão da proposta que Fernando Haddad colocou na mesa dois anos atrás, envolvendo mudanças nas regras de indexação de saúde, educação e limites no BPC — medidas que, à época, foram consideradas impopulares e não foram encampadas.
Garman destacou ainda que ninguém espera um corte efetivo de gastos . "O que está em jogo é, pelo menos, sinalizar ao longo do tempo mais controle", disse.
Caso algum sinal nesse sentido seja emitido, Garman avalia que pode haver alívio no câmbio e na curva de juros futuros, embora a correção fiscal tenda a ser insuficiente. "O debate é o grau dessa insuficiência", pontuou.
Daniel Rittner, diretor editorial da CNN em Brasília, trouxe informações adicionais sobre o ambiente interno do governo. Segundo ele, Lula tem recebido forte pressão da ala política do Palácio do Planalto para não legitimar o que chamam de "agenda do tesouraço".
Essa pressão seria tão intensa que a própria equipe econômica estaria evitando usar a expressão "ajuste fiscal", preferindo termos como "racionalização", "pente fino" e "revisões".
Rittner indicou que estão fora de cogitação medidas como revisão do aumento real do salário mínimo, desvinculação de aposentadorias e revisão mais profunda dos pisos constitucionais de saúde e educação.
A aposta recai sobre taxação de aplicações financeiras, IOF sobre LCI, LCA, CRI e CRA, eliminação de sobreposição de programas sociais e moderação no ritmo de crescimento dos gastos.
O risco apontado é de repetir o cenário do final de 2024, quando o governo anunciou medidas de contenção e, em seguida, Fernando Haddad precisou anunciar a isenção do imposto de renda até R$ 5 mil, gerando uma mensagem contraditória ao mercado.
Lula 4: Não existe um debate de corte de gastos, diz Eurasia Group | WW
Em resumo
Christopher Garman, diretor-executivo da Eurasia Group, avaliou em entrevista ao WW que o debate interno no governo Lula na quinta-feira (5) não envolve cortes de gastos, mas sim medidas para desacelerar o ritmo de crescimento das despesas públicas.
Segundo ele, investidores estrangeiros e locais observam atentamente os sinais que o governo emitirá sobre o controle fiscal. Garman foi enfático ao distinguir o que está sendo discutido dentro do governo. "Não existe um debate de corte de gasto", afirmou.
De acordo com Garman, a economia brasileira enfrenta uma crise de juros elevados, que sufoca empresas com alto custo de capital e mantém famílias endividadas. Há um reconhecimento amplo entre economistas de que é necessário conter as regras do gasto e exercer maior controle fiscal para que o Banco Central possa reduzir os juros.
"O que existe é um debate de implementar medidas para tentar reduzir o ritmo do aumento do gasto", que pode incluir tanto medidas mais amenas quanto propostas via emenda constitucional.
No fundo, segundo ele, o que está em discussão é uma versão da proposta que Fernando Haddad colocou na mesa dois anos atrás, envolvendo mudanças nas regras de indexação de saúde, educação e limites no BPC — medidas que, à época, foram consideradas impopulares e não foram encampadas.