Não respeita família e quer governar o ES
Editorial do Notícia ES comenta vídeo de maio de 2025 em que Lorenzo Pazolini, então prefeito de Vitória, aparece com a então vice Cris Samorini em show da banda Calcinha Preta em Teresina.

O candidato a governador que se vende como homem de direita e de família foi filmado dançando colado na vice, mão no ombro, dividindo lata de cerveja, num show de Calcinha Preta em Teresina. A mulher dele é promotora, o casamento tem quase duas décadas e tem filha. Agora ele pede voto para mandar no Espírito Santo. O capixaba tem o direito de olhar o filme inteiro, não só o palanque.
Lorenzo Pazolini (Republicanos) está na urna 10, coligação “Paz pra viver um novo tempo”. O partido gosta de se apresentar como defensor da família e de valores. O candidato também. Nas redes, aparece com a esposa e a filha. No Dia das Mães de 2026 postou foto com as duas. No TSE consta como casado. Tudo certo no papel.
Em maio de 2025 o papel encontrou o vídeo.
Pazolini ainda era prefeito de Vitória. Cris Samorini era a vice. Os dois aparecem no Xand’s Bar, em Teresina, no show da Calcinha Preta. Ele atrás dela, dançando perto, mão no ombro, os dois na mesma lata. O registro saiu pelo colunista local e virou matéria nacional em portal de fofoca, site de entretenimento e jornal de política. Não foi um aperto de mão em corredor de prefeitura. Foi festa, forró, proximidade que qualquer pessoa com olhos na cara reconhece como clima de intimidade.
Ele é casado desde 2008 com uma promotora de Justiça do Ministério Público do Espírito Santo. Têm uma filha. A esposa construiu carreira discreta e honesta. Enquanto o marido e a vice curtiam Teresina, ela estava no Espírito Santo: trabalhando. A Prefeitura soltou nota dizendo que não houve diária nem passagem paga com dinheiro público. A Lei Orgânica permite os dois saírem ao mesmo tempo. Tudo legal. O constrangimento não é jurídico. É de caráter.
Depois do vazamento, a gestão tentou administrar o estrago. Relatos da época e de meses seguintes dizem que Pazolini passou a evitar aparecer ao lado da vice em entregas e agendas oficiais. Distância calculada. O vídeo já tinha rodado. Apagar o gesto não apaga a imagem.
Agora o mesmo homem pede para governar o Estado.
A pergunta não é se ele traiu ou não. Ninguém aqui está inventando quarto de hotel. A pergunta é outra, mais simples e mais grave para quem se diz conservador: que tipo de respeito à família um político demonstra quando, casado, com filha, viaja e aparece daquele jeito com a número dois da própria gestão? Conservador de verdade começa em casa. Se em casa a regra é maleável quando a festa é boa e a câmera está longe, o discurso de família vira só adereço de palanque.
O capixaba que leva a sério casamento, filha, mulher e exemplo público não é obrigado a fingir que não viu. Pazolini não é um desconhecido que surgiu ontem. Foi delegado, foi prefeito duas vezes, agora quer o Palácio Anchieta. O eleitor de direita que já cansou de político que fala de Deus e de família só até a porta do evento precisa saber quem está pedindo o voto.
Quem não cuida do próprio teto com o mesmo rigor que cobra dos outros não tem moral para falar em valores quando o assunto é o Estado. O Espírito Santo não precisa de mais um que se coloca à direita no horário eleitoral e relaxa o padrão quando a banda toca. Precisa de gente que aguente o próprio recado.
O vídeo existe. O casamento existe. A candidatura existe. O resto é o eleitor decidir se esse é o conservador que quer na frente do governo.
Em resumo
O registro divulgado em maio de 2025 mostra Lorenzo Pazolini e Cris Samorini durante um show da banda Calcinha Preta no Xand’s Bar, em Teresina.
Não. O vídeo registra a presença e a proximidade dos dois no evento, mas, por si só, não comprova traição ou relação extraconjugal.
Lorenzo Pazolini disputa o Governo do Espírito Santo pelo Republicanos, com o número 10, na coligação Paz Pra Viver Um Novo Tempo.
Segundo nota da Prefeitura divulgada à época, não houve gasto de recurso público com diárias ou passagens aéreas em nome de Pazolini ou Cris Samorini nos períodos mencionados.
Sim. Ele é casado desde 2008 com uma promotora de Justiça do Ministério Público do Espírito Santo e o casal tem uma filha.
A Lei Orgânica de Vitória permite a ausência simultânea por até 15 dias sem necessidade de autorização da Câmara, conforme reportado à época.