‘Não sabemos ainda fazer democracia com redes sociais’, diz José Henrique Bortoluci
Em entrevista ao Fim de Expediente desta sexta-feira (09), o escritor e sociólogo fala sobre seu novo livro,

Em entrevista ao Fim de Expediente desta sexta-feira (09), o escritor e sociólogo José Henrique Bortoluci falou sobre seu livro “Geração Democracia” , lançado em agosto deste ano.
Na obra, Bortoluci investiga a geração de brasileiros
Na obra, Bortoluci investiga a geração de brasileiros que nasceu nos anos 1980, durante o processo de redemocratização do Brasil após a ditadura militar.
A inspiração, como ele conta, veio por fazer parte desta geração.
“Eu nasci em 1984, que é mais ou menos no ano da transição democrática. Na verdade, o marco principal é comecinho de 1985, a depender de como a gente calcula. Eu nasci junto da democracia.
Eu e milhões de outros brasileiros que nasceram sem
Eu e milhões de outros brasileiros que nasceram sem memória viva de presidentes militares.
Nascemos já com a democracia como algo entregue, ou em processo de construção nessa fase, e vivemos as promessas, as frustrações, os retrocessos e as contradições desse processo democrático.
Então, eu comecei a imaginar a possibilidade de escrever esse livro como algo que combinasse uma narrativa das histórias de vida de vários brasileiros da minha geração, com as transformações do Brasil nos últimos 40 anos, que é a nossa fase de vida” , diz
O livro nasceu a partir de uma série de perfis que o sociólogo escreveu para a Revista Piauí, sobre pessoas de diferentes regiões do Brasil.
“Quando a gente olha para uma geração, a gente tem experiências radicalmente diferentes de vida. E no Brasil ainda, é tudo muito diferente entre as regiões e classes sociais. Nós somos um mundo em um país.
Então, tenho personagens, pessoas e interlocutores no livro que vão desde um ex-presidiário traficante no Rio de Janeiro, que hoje é um missionário batista que tem uma missão nos morros, até uma cuidadora de idosos de Fernando de Noronha e uma ativista do Rio Grande do Sul.
Histórias muito diferentes que eu acho que ajudam a discutir e olhar com carne e osso, com trajetórias, as transformações do Brasil” , divide.
“A minha ideia não era partir com uma definição minha de democracia, ou uma definição teórica de democracia. Era exatamente ouvir a diversidade de experiências e de definições que as pessoas têm na sua relação com a democracia brasileira”, completa.
Questionado sobre a evolução, ou não, da democracia no Brasil, o sociólogo diz que o fazer democrático no país “é muito difícil”. Isso ocorre pois o regime era algo “estranho” na vida do brasileiro até pouco tempo atrás.
“A maior parte do século 20 a gente passou por experiências não democráticas. Então, nós tivemos breves períodos democráticos. Esse que nós vemos hoje é o mais largo e com todos os limites que nós temos.
E se a gente ainda recuar no tempo, nós somos uma sociedade profundamente desigual. (...) Não tem um culpado só”, relata.
Bortoluci ainda reflete quais são os impactos da pulverização da opinião pública, feita pelas redes sociais, para a democracia.
“A gente não tem mais grandes veículos de mídia que definem um pensamento hegemônico no país. A gente nunca teve isso 100%, mas a gente tinha grandes veículos.
Agora você tem um comportamento muito mais hiper individualizado, porque a sua timeline só você vê e você está dentro de uma bolha, então o universo que você lê é radicalmente ‘do meu’.
Às vezes é que a gente toma grandes sustos. Às vezes você fala: ‘mas quem é essa deputada eleita que eu nunca ouvi falar e teve não sei quantos milhões de votos?’ Ela certamente é muito conhecida dentro de certos públicos e desconhecida por outros.
Então, essa novidade histórica não é só brasileira. Uma coisa que eu tenho dito é que nós, humanidade, não sabemos ainda fazer democracia com redes sociais.
Agora, a gente está num momento em que fazer democracia com TikTok, com Instagram, com Twitter e com inteligência artificial vai ter que ser uma criação nova da humanidade. Isso não vai ser fácil” , finaliza.
‘Não sabemos ainda fazer democracia com redes sociais’, diz José Henrique Bortoluci
Em resumo
Em entrevista ao Fim de Expediente desta sexta-feira (09), o escritor e sociólogo José Henrique Bortoluci falou sobre seu livro “Geração Democracia” , lançado em agosto deste ano. Na obra, Bortoluci investiga a geração de brasileiros que nasceu nos anos 1980, durante o processo de redemocratização do Brasil após a ditadura militar.
A inspiração, como ele conta, veio por fazer parte desta geração.
“Eu nasci em 1984, que é mais ou menos no ano da transição democrática. Na verdade, o marco principal é comecinho de 1985, a depender de como a gente calcula. Eu nasci junto da democracia. Eu e milhões de outros brasileiros que nasceram sem memória viva de presidentes militares. Nascemos já com a democracia como algo entregue, ou em processo de construção ne
O livro nasceu a partir de uma série de perfis que o sociólogo escreveu para a Revista Piauí, sobre pessoas de diferentes regiões do Brasil.
“Quando a gente olha para uma geração, a gente tem experiências radicalmente diferentes de vida. E no Brasil ainda, é tudo muito diferente entre as regiões e classes sociais. Nós somos um mundo em um país. Então, tenho personagens, pessoas e interlocutores no livro que vão desde um ex-presidiário traficante no Rio de Janeiro, que hoje é um missionário batist