No bordado, mulheres de Vitória encontram caminhos para recomeçar
Projeto Fio de Esperança une formação, acolhimento e troca de conhecimentos entre mulheres do Morro do Quadro e do Cabral, em Vitória

Bordado e costura podem parecer coisas simples para alguns, mas para as mulheres do Morro do Quadro, do Cabral e áreas adjacências, em Vitória, têm significados valiosos.
Isso porque, de ponto em ponto, aquelas que fazem
Isso porque, de ponto em ponto, aquelas que fazem parte do projeto Fio de Esperança transformam as próprias realidades e encontram, umas nas outras, apoio para enfrentar as dificuldades do dia a dia.
“Quando você fala Fio de Esperança, significa trazer a cultura das nossas mulheres, a história, a identidade… porque cada trabalho bordado é exclusivo da identidade de cada mulher”, explica Valquíria Matos, 51 anos, fundadora do Instituto do Quadro de Esperança, onde o projeto nasceu e se desenvolve.
A história do grupo começou em 2021, durante a pandemia de Covid-19, quando moradores da comunidade e voluntários se mobilizaram para enfrentar a insegurança alimentar de famílias em situação de vulnerabilidade.
Naquele período, o objetivo era conseguir doar cestas básicas
Naquele período, o objetivo era conseguir doar cestas básicas e oferecer cartões para alimentação para que, principalmente, mulheres que chefiavam os lares sozinhas pudessem fazer suas próprias compras.
Com o tempo, a atuação se ampliou para outras demandas do território, como o desenvolvimento de habilidades profissionais, a criação de oportunidades e a busca por moradia digna.
A costura entrou na trajetória da organização para amarrar todos os objetivos. Para além do trabalho artesanal, que se transforma em renda, o Fio de Esperança proporciona às participantes um espaço seguro de convivência e aprendizado, além de alimentar a esperança de que é possível recomeçar.
Elas não só tecem fios, mas tecem esperanças, se conectam à vida, dialogam e trocam ideias, saberes populares da nossa ancestralidade.
Valquíria Matos , fundadora e coordenadora do Instituto Quadro de Esperança.
Essa relação de proximidade com a comunidade e suas demandas, inclusive, foi fundamental para que o projeto fosse selecionado no 7º Edital de Projetos Sociais do Sicoob-ES, que investiu mais de R$ 5 milhões em 213 projetos.
Segundo Sandra Martins, supervisora de Cidadania e Sustentabilidade da cooperativa financeira, “apoiar quem já atua no local significa reconhecer o conhecimento e a capacidade das próprias organizações comunitárias”.
Além disso, a supervisora reforça que “projetos de formação podem deixar um resultado que permanece depois que a ação termina. Quando uma pessoa aprende uma habilidade, amplia seu repertório ou encontra uma oportunidade de desenvolvimento, ela leva esse conhecimento consigo”.
O caso de Nilma Gomes, 40 anos, demonstra como as linhas, os desenhos e as máquinas de costura são capazes de ajudar as mulheres a enxergarem novos caminhos e a se reconectarem com o conhecimento e a própria vida.
Depois de perder a mãe, ela se fechou em casa e desistiu até mesmo do pequeno negócio que tinha na comunidade. Certo dia, porém, foi tocada por uma ação do instituto e decidiu participar.
“Eu não queria convivência com ninguém, porque eu senti que eu passei aquela dor (do luto) sozinha. Eu olhava para mim e não via recomeço.
Mas, quando eu insisti (em participar do instituto), eu vi a necessidade de ajudar as pessoas. Então, o instituto, para mim, foi uma porta que se abriu. Hoje, eu não sou a mesma que chegou aqui”, conta emocionada.
A mulher que chegou sem esperança no grupo se sentiu acolhida e recebeu um convite para usar as máquinas de costura que tinha em casa, mas estavam paradas.
“Me ofereceram para costurar e ensinar mulheres a fazer bolsas com as pernas das calças. Aproveitar (o material usado), né?”, conta Nilma, ao lembrar do convite para ensinar outras participantes.
Em resumo
Bordado e costura podem parecer coisas simples para alguns, mas para as mulheres do Morro do Quadro, do Cabral e áreas adjacências, em Vitória, têm significados valiosos. Isso porque, de ponto em ponto, aquelas que fazem parte do projeto Fio de Esperança transformam as próprias realidades e encontram, umas nas outras, apoio para enfrentar as dificuldades do
“Quando você fala Fio de Esperança, significa trazer a cultura das nossas mulheres, a história, a identidade… porque cada trabalho bordado é exclusivo da identidade de cada mulher”, explica Valquíria Matos, 51 anos, fundadora do Instituto do Quadro de Esperança, onde o projeto nasceu e se desenvolve.
A história do grupo começou em 2021, durante a pandemia de Covid-19, quando moradores da comunidade e voluntários se mobilizaram para enfrentar a insegurança alimentar de famílias em situação de vulnerabilidade.
Naquele período, o objetivo era conseguir doar cestas básicas e oferecer cartões para alimentação para que, principalmente, mulheres que chefiavam os lares sozinhas pudessem fazer suas próprias compras.
Com o tempo, a atuação se ampliou para outras demandas do território, como o desenvolvimento de habilidades profissionais, a criação de oportunidades e a busca por moradia digna.