Nordeste reafirma força da esquerda e mira protagonismo nacional no pós-Lula
Presidente reafirma força na região em meio a novas demandas dos eleitores e avanço da direita

Eram 21h10 de 25 de outubro quando o Tribunal Superior Eleitoral confirmou a vitória do presidente Lula (PT) sobre Flávio Bolsonaro (PL).
O contexto da decisão judicial
No quartel-general da campanha em Brasília, Rafael Fonteles e Camilo Santana sacaram seus respectivos celulares e gravaram vídeos, em festa, para as redes sociais.
Rui Costa estava na Bahia, onde horas antes abriu uma live em uma garagem de ônibus e cobrou a Prefeitura de Salvador sobre a oferta de transporte público no dia da votação. Confirmada a vitória, seguiu para a comemoração no Rio Vermelho, reduto da esquerda.
A trinca petista formada pelo governador do Piauí e pelos ex-governadores do Ceará e da Bahia reforçou a campanha de Lula no segundo turno. Agora, os três buscam ampliar a projeção nacional, em meio às articulações sobre a composição do novo governo e a sucessão do presidente.
Detalhes e consequências do caso
O Nordeste manteve nas urnas seu viés lulista e deu ao presidente 24,45 milhões de votos no segundo turno ante 10,8 milhões de Flávio Bolsonaro.
A mobilização nos nove estados fez com que o petista tivesse cerca de 3 milhões de votos a mais na região em comparação ao primeiro turno.
O resultado confirma a força eleitoral da esquerda na região, mas ocorre em um cenário de mudanças na representação política dos estados e no perfil de voto dos eleitores para os demais cargos.
Para o Senado, foram eleitos nomes abertamente de direita como Lahesio Bonfim (Novo-MA) e Arthur Lira (PP-AL). Na Câmara, a bancada nordestina de direita mudou de perfil: deputados alinhados ao centrão perderam espaço para nomes mais ideológicos e estridentes.
Os partidos de esquerda não serão maioria entre os governadores da região pela primeira vez desde 2006. O PT elegeu os governadores da Bahia, Ceará, Piauí e Rio Grande do Norte, repetindo o feito de 2018 e 2022.
Mas o PSB, que elegeu dois governadores há quatro anos, agora não terá nenhum.
O PSD saiu vencedor em Pernambuco , Maranhão e Sergipe , o PSDB vai comandar Alagoas e o PP ganhou na Paraíba. Destes, dois estavam no palanque de Lula: Lucas Ribeiro (PP), da Paraíba e Fábio Mitidieri (PSD), de Sergipe.
Raquel Lyra , reeleita em Pernambuco, Eduardo Braide vencedor no Maranhão e JHC, que vai governar Alagoas, ganharam nas urnas adotando uma estratégia de neutralidade em relação à eleição presidencial.
A fragmentação também aparece nas prioridades dos eleitores. Embora Lula tenha mantido uma vantagem expressiva na região, a identificação com o presidente e com os governos petistas divide espaço com preocupações mais imediatas, como segurança pública, inflação e preço dos alimentos.
A trajetória do caminhoneiro Jairo dos Santos, 56, caminhoneiro de Jaçanã, no interior do Rio Grande do Norte, ajuda a mostrar essas contradições.
Semanas antes do início da campanha, ele estava de passagem por Salgueiro, em Pernambuco, e decidiu ir até o canal da transposição do rio São Francisco para ver de perto a obra iniciada no primeiro governo Lula de que tanto ouvira falar.
Sua relação com o presidente é de idas e vindas. Ele votou em Lula em 2002 e 2006, mas em 2018 e 2022 foi para o outro lado do espectro ideológico e escolheu Jair Bolsonaro (PL) por seu discurso sobre segurança pública – antes de ser caminhoneiro, Jairo trabalhou com segurança privada.
Sua avaliação era que Lula tinha deixado a desejar no combate à criminalidade que Jair Bolsonaro foi melhor nessa área. Ainda assim, não cogitava votar em Flávio, indicado pelo pai para concorrer à Presidência.
"Se fosse o velho, eu votava. Mas o filho dele é fraco. Acredito que Lula vai levar esta eleição e deve ser com o meu voto", disse Jairo à Folha dois meses antes da eleição.
Já naquela época, citava as suspeitas de corrupção como motivo para não apoiar o senador: "Não vale a pena arriscar."
Edielza Santos, 43, havia decidido abandonar o voto tradicional em Lula para apoiar Flávio. Ela mora na zona rural de Salgueiro, próximo ao eixo norte da transposição, mas sua casa segue dependente de caminhões-pipa.
Em resumo
Eram 21h10 de 25 de outubro quando o Tribunal Superior Eleitoral confirmou a vitória do presidente Lula (PT) sobre Flávio Bolsonaro (PL). No quartel-general da campanha em Brasília, Rafael Fonteles e Camilo Santana sacaram seus respectivos celulares e gravaram vídeos, em festa, para as redes sociais.
Rui Costa estava na Bahia, onde horas antes abriu uma live em uma garagem de ônibus e cobrou a Prefeitura de Salvador sobre a oferta de transporte público no dia da votação. Confirmada a vitória, seguiu para a comemoração no Rio Vermelho, reduto da esquerda.
A trinca petista formada pelo governador do Piauí e pelos ex-governadores do Ceará e da Bahia reforçou a campanha de Lula no segundo turno. Agora, os três buscam ampliar a projeção nacional, em meio às articulações sobre a composição do novo governo e a sucessão do presidente.
O Nordeste manteve nas urnas seu viés lulista e deu ao presidente 24,45 milhões de votos no segundo turno ante 10,8 milhões de Flávio Bolsonaro. A mobilização nos nove estados fez com que o petista tivesse cerca de 3 milhões de votos a mais na região em comparação ao primeiro turno.
O resultado confirma a força eleitoral da esquerda na região, mas ocorre em um cenário de mudanças na representação política dos estados e no perfil de voto dos eleitores para os demais cargos.