Nova bancada amplia disputa pelo comando do Congresso
PL terá as maiores bancadas da Câmara e do Senado em 2027 e pressiona os projetos de reeleição de Hugo Motta e Davi Alcolumbre.

A eleição de uma bancada mais numerosa do PL abriu uma disputa antecipada pelo comando da Câmara e do Senado a partir de fevereiro de 2027. O partido terá força para reivindicar a presidência de pelo menos uma das Casas, enquanto Hugo Motta e Davi Alcolumbre articulam a própria recondução.
O novo cenário foi descrito pela CNN Brasil neste domingo (11) e confirmado por levantamento publicado pela Folha de S.Paulo na sexta-feira (9). As duas apurações apontam Rogério Marinho e Tereza Cristina como opções para o Senado e Sóstenes Cavalcante como um dos nomes considerados para a Câmara.
A mudança começa pelo tamanho das bancadas. O PL elegeu 121 dos 513 deputados federais e terá 28 das 81 cadeiras do Senado na próxima legislatura. O partido será a maior força isolada nas duas Casas, embora ainda precise formar maioria com outras siglas para escolher os presidentes.
PL amplia poder de negociação
Na Câmara, a eleição do presidente exige maioria absoluta no primeiro escrutínio ou maioria simples no segundo, desde que haja quórum mínimo. Mesmo com 121 deputados, o PL não consegue decidir sozinho. A federação entre União Brasil e PP, que somou 87 eleitos, aparece como bloco decisivo para qualquer candidatura competitiva.
Hugo Motta foi eleito presidente da Câmara em 2025 com 444 votos e já manifestou a intenção de continuar no cargo. A nova correlação de forças, porém, obriga o deputado a reconstruir uma aliança ampla. Partidos de esquerda tendem a apoiar sua permanência, mas dependem da adesão de parte do centro para alcançar os votos necessários.
Sóstenes Cavalcante é citado como alternativa dentro do PL. O deputado já exerceu a vice-presidência da Câmara e mantém interlocução com partidos do centro e parlamentares de campos distintos. Outra hipótese discutida nas negociações é apoiar um nome de outra legenda em troca do comando do Senado ou de posições relevantes na Mesa Diretora.
No Senado, Rogério Marinho e Tereza Cristina aparecem como os nomes mais lembrados pelo campo de direita. Para eleger o presidente da Casa são necessários 41 votos. Os 28 senadores do PL formam uma base importante, mas não eliminam a necessidade de acordos com PP, União Brasil e outras bancadas.
Alianças definem disputa interna
Davi Alcolumbre parte de uma posição institucional forte. Em 2025, recebeu 73 dos 81 votos para presidir o Senado. Desde então, entretanto, perdeu apoio de setores da direita que cobram uma postura mais dura em relação ao Supremo Tribunal Federal e criticam sua aproximação com o Palácio do Planalto.
A disputa na Câmara também foi afetada por atritos entre Motta e o PL. Integrantes do partido reclamam que o presidente não conduziu pautas consideradas prioritárias pela bancada. Ao mesmo tempo, líderes do centro avaliam que preservar os atuais presidentes pode oferecer previsibilidade à relação entre Legislativo e Executivo.
A votação interna ocorrerá somente depois da posse dos parlamentares eleitos. Até lá, as conversas envolvem apoio no segundo turno presidencial, divisão de espaços nas comissões, composição das Mesas e participação em um futuro governo. Nenhum dos nomes citados formalizou candidatura nesta fase.
O resultado das urnas, portanto, não entregou o comando do Congresso a um único grupo. Ele aumentou o poder de barganha do PL e reduziu a margem para acordos fechados com antecedência. Motta e Alcolumbre ainda contam com redes amplas de aliados, mas precisarão converter essas relações em votos diante de um Parlamento mais numeroso à direita.
Em resumo
As eleições internas ocorrerão após a posse dos parlamentares, em fevereiro de 2027.
O partido elegeu 121 dos 513 deputados federais.
O PL terá 28 das 81 cadeiras na próxima legislatura.
Rogério Marinho e Tereza Cristina estão entre os nomes citados nas articulações da direita.
Não. Os dois articulam apoio, mas a escolha depende de votação secreta entre deputados e senadores.