Nunes Marques diz que TSE não viu interferência
Presidente do Tribunal afirmou que órgãos de acompanhamento e Polícia Federal não detectaram interferência interna ou estrangeira no primeiro turno.

O presidente do Tribunal Superior Eleitoral, ministro Kassio Nunes Marques, afirmou que os órgãos responsáveis pelo acompanhamento das eleições de 2026 não detectaram interferência interna ou estrangeira no primeiro turno. A declaração foi publicada nesta sexta-feira (9), cinco dias depois da votação nacional.
Nunes Marques falou em entrevista à revista Veja. O relato é compatível com o balanço oficial divulgado pelo TSE na noite de domingo (4), quando o tribunal informou que observadores internacionais não encontraram fatos indicativos de interferência externa e classificou a primeira etapa do pleito como normal.
Tribunal relata primeiro turno tranquilo
Questionado sobre suspeitas levantadas durante a campanha, o ministro disse que o TSE não recebeu alerta concreto de interferência. Segundo ele, os órgãos internos de acompanhamento não apontaram atuação capaz de comprometer a votação, e a Polícia Federal também não apresentou relatório que identificasse esse tipo de ocorrência.
Missões de observação eleitoral acompanharam testes e procedimentos do sistema eletrônico. O TSE citou manifestações da Organização dos Estados Americanos, do Parlamento do Mercosul e da União Interamericana de Organismos Eleitorais sobre a transparência e a normalidade do processo. Uma missão ligada à Uerj também não registrou incidentes graves.
A apuração teve um atraso pontual na divulgação dos resultados na noite de domingo. Nunes Marques explicou que o problema ocorreu na conversão dos dados pelo programa de divulgação, após congestionamento, e não atingiu a totalização dos votos. Os técnicos restabeleceram o serviço depois das verificações de segurança.
Na avaliação do presidente do TSE, regras atualizadas para plataformas digitais e conteúdos manipulados reduziram parte dos riscos esperados. Ele mencionou a proibição de deepfakes eleitorais e mecanismos de comunicação com empresas de tecnologia como instrumentos para evitar que irregularidades se espalhassem durante a campanha.
Segurança eleitoral segue monitorada
O Sistema de Alertas de Desinformação Eleitoral recebeu 2.604 denúncias relacionadas à integridade do processo e à possível supressão do voto entre 1º de agosto e a véspera da eleição. Em período equivalente de 2022, foram 18.487 registros. A redução aproximada foi de 86%, segundo o balanço oficial.
O próprio ministro ponderou que a queda não autoriza o tribunal a reduzir a vigilância. O segundo turno está marcado para 25 de outubro, e o TSE manterá equipes responsáveis por segurança tecnológica, circulação de informações, transporte de eleitores e resposta a eventuais ocorrências nos estados.
Nunes Marques também defendeu que críticas ao Judiciário sejam recebidas como parte do debate democrático, desde que baseadas em fatos. Na entrevista, afirmou que narrativas sem sustentação não demonstram falha do sistema e disse que os testes de integridade são acompanhados por partidos, imprensa e observadores.
A ausência de indícios detectados no primeiro turno descreve o resultado das verificações realizadas até agora; não elimina a obrigação de examinar novas informações que possam surgir. A Justiça Eleitoral prepara a segunda votação com os mesmos protocolos e promete divulgar publicamente qualquer incidente relevante.
Em resumo
Segundo Nunes Marques, os órgãos de acompanhamento e a Polícia Federal não detectaram interferência interna ou externa no primeiro turno.
A divulgação sofreu atraso pontual por congestionamento, mas o TSE afirmou que a totalização dos votos não foi afetada.
Foram 2.604 denúncias no período comparado pelo TSE, queda aproximada de 86% em relação a 2022.
Missões da OEA, Parlasul, Uniore e uma equipe ligada à Uerj observaram procedimentos do primeiro turno.
A segunda votação presidencial está marcada para 25 de outubro de 2026.