Nunes Marques ordena suspensão de canal de Janones no WhatsApp
Presidente do TSE determinou a interrupção do canal Exército do Lula até a homologação do resultado do segundo turno e exigiu informações da plataforma.

O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques, determinou neste domingo (11) que o WhatsApp suspenda o canal “Exército do Lula”, administrado pelo deputado federal André Janones (Rede-MG). A ordem foi provocada por um pedido da campanha de Flávio Bolsonaro (PL) e alcança uma estrutura digital usada na disputa presidencial.
A CNN Brasil informou a decisão e a reação da campanha de Lula. A Agência Brasil confirmou a medida, registrou que o canal reunia cerca de 3,3 milhões de pessoas e detalhou os argumentos apresentados ao tribunal e a resposta de Janones.
A suspensão deve permanecer até a homologação do resultado do segundo turno. O despacho impede novas atualizações e o ingresso de seguidores, sem determinar neste momento a exclusão definitiva do histórico do canal.
Ordem alcança canal milionário
Segundo as reportagens, Nunes Marques considerou que a mobilização política em redes é legítima, mas entendeu que a estrutura teria sido utilizada para replicar em larga escala conteúdos já tratados pelo TSE como inverídicos. A campanha de Flávio citou mensagens sobre aposentadorias, Bolsa Família e o título de Nossa Senhora Aparecida como Padroeira do Brasil.
A decisão fixou prazo de três horas, contado da notificação, para a suspensão técnica. Também determinou que a empresa responsável pelo WhatsApp apresente informações sobre as providências adotadas e sobre a existência de outros canais criados ou administrados pela conta vinculada a Janones desde 5 de outubro.
O presidente do TSE sustentou que a proximidade da votação aumenta o risco de dano ao equilíbrio eleitoral. O segundo turno está marcado para 25 de outubro, e o despacho afirma que a difusão contínua de mensagens para milhões de pessoas poderia produzir efeitos de difícil reversão antes da ida às urnas.
A plataforma ainda deverá preservar registros relacionados ao canal. A medida permite que o tribunal examine as mensagens publicadas, inclusive conteúdos apagados, e avalie pedidos adicionais formulados no processo, sem antecipar o julgamento definitivo da ação.
Reações chegam à disputa eleitoral
Lula criticou a suspensão durante ato na Avenida Paulista, em São Paulo, e disse que seus advogados pedirão explicações à Justiça Eleitoral. O presidente afirmou enxergar decisões desfavoráveis à sua campanha; essa avaliação é uma posição política do candidato e não altera, por si só, a validade imediata da ordem.
Janones negou ter usado o canal para espalhar desinformação. À Agência Brasil, declarou que a ferramenta servia para mobilizar e orientar eleitores no segundo turno e afirmou que ainda não havia iniciado a divulgação planejada. A campanha de Flávio, por outro lado, apresentou a decisão como resposta à circulação coordenada de conteúdos que considera falsos.
O caso segue em duas frentes. Na esfera judicial, o TSE deverá analisar as informações da plataforma e as manifestações das partes. Na campanha, a suspensão reorganiza a comunicação digital de aliados de Lula e amplia o debate sobre os limites entre mobilização eleitoral, liberdade de expressão e combate à desinformação.
Em resumo
A suspensão do canal Exército do Lula no WhatsApp até a homologação do resultado do segundo turno.
O deputado federal André Janones, da Rede de Minas Gerais.
As fontes consultadas registraram aproximadamente 3,3 milhões de participantes.
O ministro apontou risco de replicação coordenada e em larga escala de conteúdos já considerados inverídicos pelo TSE.
Não. A suspensão é cautelar, e o tribunal ainda analisará informações da plataforma e manifestações das partes.