Justiça · 2026-09-23 · Redação Notícia ES

Nunes Marques manda remover vídeo de Lula sobre Master gravado no Alvorada

Presidente do TSE apontou símbolos do cargo no cenário, proibiu o uso do conteúdo na propaganda e pediu informações sobre eventual emprego de recursos públicos.

Nunes Marques manda remover vídeo de Lula sobre Master gravado no Alvorada
Kassio Nunes Marques, presidente do Tribunal Superior Eleitoral. Foto: Rosinei Coutinho/STF.

O presidente do Tribunal Superior Eleitoral, ministro Kassio Nunes Marques, determinou que a campanha de Luiz Inácio Lula da Silva retire, em 24 horas, um vídeo gravado no Palácio da Alvorada no qual o candidato à reeleição comenta o caso Banco Master. A decisão, assinada na terça-feira (22) e divulgada nesta quarta-feira (23), também proíbe o uso do conteúdo na propaganda eleitoral de rádio e televisão.

A ordem alcança as publicações no YouTube, Instagram, Facebook e X. O pedido foi apresentado pela campanha presidencial de Flávio Bolsonaro (PL), que questionou o emprego da residência oficial em uma peça eleitoral. O vídeo havia sido divulgado em 3 de setembro nas redes da campanha de Lula.

Segundo os relatos de CBN e Revista Oeste, Nunes Marques considerou que o cenário não era neutro. Lula aparece com a bandeira nacional, o estandarte presidencial e outros elementos ligados à Presidência da República. Para o relator, esses sinais associam a gravação ao cargo público e não atendem às condições fixadas pela Justiça Eleitoral.

Regra permite residência oficial, mas exige neutralidade

A Resolução 23.735/2024 do TSE não estabelece uma proibição absoluta de gravações eleitorais em residência oficial. O artigo 19 permite que presidente, governador ou prefeito candidato à reeleição use um cômodo para live, podcast ou outra transmissão eleitoral, desde que cumpra condições cumulativas. A primeira delas é um ambiente neutro, sem símbolos, insígnias, objetos, decoração ou elementos associados ao poder público ou ao cargo.

A regra procura separar a campanha, financiada e organizada para disputar votos, da estrutura institucional mantida pelo Estado. A Lei das Eleições também admite o uso normal da residência oficial para contatos, encontros e reuniões de campanha sem caráter de ato público. No caso concreto, a discussão não é apenas o endereço da gravação, mas a aparência institucional apresentada ao eleitor.

No vídeo, Lula afirmou que o caso Master seria o maior roubo da história do país, mencionou as relações do ex-banqueiro Daniel Vorcaro com pessoas poderosas e defendeu investigação sem proteção a qualquer envolvido. Essas declarações integram o discurso político do candidato. A ordem de remoção não decide se as afirmações são verdadeiras ou falsas; examina, nesta etapa, a forma e o local usados para divulgar a mensagem.

TSE quer saber se houve uso de estrutura pública

Nunes Marques determinou ainda que a Presidência da República, a Secretaria de Comunicação Social e o Gabinete de Segurança Institucional informem, em cinco dias, se servidores ou recursos públicos participaram da produção do vídeo. O pedido de informações mostra que esse ponto ainda não foi concluído no processo.

É importante distinguir as etapas. A retirada cautelar interrompe a circulação da peça enquanto a representação é examinada, mas não equivale a uma condenação definitiva por abuso de poder ou uso indevido da máquina pública. Para eventual sanção, a Justiça Eleitoral terá de avaliar as provas, ouvir a defesa e definir o enquadramento jurídico dos fatos.

A campanha de Lula também terá prazo para responder à ação. Poderá discutir, entre outros pontos, se o cenário efetivamente transmitia caráter institucional, se os objetos identificados se enquadram na vedação e se a medida de remoção é proporcional. Até a publicação das reportagens usadas nesta apuração, não havia resposta da campanha incorporada aos textos.

Próximos passos incluem defesa e análise do mérito

O primeiro efeito prático é o cumprimento da ordem nas quatro plataformas e a retirada do material da propaganda no rádio e na televisão. Em seguida, as informações da Presidência, da Secom e do GSI deverão esclarecer quem produziu a gravação, quais equipamentos foram utilizados e se houve participação de agentes públicos durante o trabalho.

Depois dessas manifestações, o processo avançará para o exame do mérito. O tribunal poderá confirmar a decisão cautelar, afastar a irregularidade ou adotar outras providências previstas na legislação, conforme as provas. A existência de recurso também pode levar a discussão a uma decisão colegiada, dependendo do rito aplicado ao caso.

A determinação cria um parâmetro concreto para as demais campanhas de ocupantes de cargos executivos. A residência oficial pode servir de local para conteúdo eleitoral em situações delimitadas, mas enquadramento de câmera, bandeiras, brasões e objetos ligados ao governo passam a ter relevância jurídica. O ponto central é impedir que a autoridade pública se confunda visualmente com o candidato.

Enquanto a representação não tiver decisão final, duas conclusões devem permanecer separadas: o vídeo foi mandado retirar por causa do cenário identificado pelo relator, mas o TSE ainda apura se houve emprego de recursos públicos e ainda não julgou definitivamente a conduta. Os próximos documentos e a defesa indicarão se a cautelar será mantida e se haverá alguma consequência além da remoção.

Em resumo

O que Nunes Marques determinou sobre o vídeo de Lula?

O presidente do TSE deu 24 horas para a campanha retirar o conteúdo do YouTube, Instagram, Facebook e X e proibiu sua veiculação na propaganda eleitoral de rádio e televisão.

Por que o vídeo foi questionado?

A decisão apontou que a gravação feita no Palácio da Alvorada exibia a bandeira nacional, o estandarte presidencial e outros elementos associados ao cargo, contrariando a exigência de ambiente neutro.

Quem pediu a remoção do conteúdo?

A medida foi solicitada pela campanha presidencial de Flávio Bolsonaro, do PL.

O que dizia o vídeo de Lula sobre o Banco Master?

Lula chamou o caso de grande roubo, mencionou relações do ex-banqueiro com pessoas poderosas e defendeu investigação sem blindagem; a decisão não julgou a veracidade dessas declarações.

O TSE já concluiu que houve uso de recursos públicos?

Não. Nunes Marques pediu que Presidência da República, Secom e GSI informem em cinco dias se servidores ou recursos públicos participaram da produção.

Quais são os próximos passos do processo?

A campanha poderá apresentar defesa no prazo informado e os órgãos federais deverão responder ao TSE; depois, o mérito da representação ainda será analisado.

Fontes