Tecnologia · 2026-11-02 · Redação Notícia ES

O país improvável que virou um polo da corrida global da IA

Na Malásia, gigantes americanas e chinesas da tecnologia estão investindo bilhões de dólares em enormes centros de dados, pressionando recursos locais e testando os limites das restrições impostas por Washington à exportação de chips avançados

O país improvável que virou um polo da corrida global da IA
O país improvável que virou um polo da corrida global da IA

JOHOR, Malásia — Em uma área do sul da Malásia antes ocupada por plantações de óleo de palma e abacaxi, os sinais das ambições tecnológicas globais da China estão se multiplicando.

Dados e contexto do setor

Mais de 15 guindastes se erguem sobre cerca de 40 hectares de terra escavada, onde a DayOne, empresa com raízes corporativas em uma das maiores operadoras chinesas de data centers, constrói um enorme complexo.

A poucos quilômetros dali, na borda de uma densa floresta tropical, centenas de trabalhadores finalizam outra instalação que deverá atender empresas chinesas de tecnologia.

Dentro desses data centers estarão alguns dos chips de inteligência artificial mais avançados do mundo.

Impactos e informações adicionais

Produzidos pela Nvidia, esses semicondutores estão amplamente proibidos de serem exportados para a China pelas restrições impostas pelos Estados Unidos.

Mas as regras geralmente não impedem que empresas chinesas, como a ByteDance, principal cliente da DayOne, acessem os mesmos chips em centros de dados localizados fora do território chinês.

Essa distinção ajudou a transformar a Malásia, país de 35 milhões de habitantes, em uma fronteira improvável do boom da IA.

Atraídas por terrenos baratos, energia relativamente acessível e proximidade de cabos submarinos que conectam a China ao restante do mundo, empresas de tecnologia estão despejando bilhões de dólares no país.

A Malásia conquistou uma posição rara em uma indústria cada vez mais dividida entre Estados Unidos e China. Em vez de escolher um lado, decidiu receber os dois.

A corrida pelos investimentos remodelou a economia e a paisagem do país, gerou preocupações sobre o consumo de água e eletricidade e atraiu a atenção de autoridades americanas preocupadas com o acesso chinês a chips avançados de IA.

Em nenhum lugar essa transformação é mais evidente do que em Johor, estado no sul do país que se tornou o epicentro desse movimento. Atualmente, 65 projetos de data centers estão em operação, construção ou em diferentes fases de aprovação.

As instalações já consomem mais de 2 gigawatts de eletricidade, o suficiente para abastecer mais de um terço das residências da Malásia.

Caso todos os projetos planejados sejam concluídos, a demanda poderá superar 10 gigawatts, segundo a agência estadual Invest Johor, transformando a região em uma das maiores concentrações de poder computacional do mundo.

“É algo impressionante e difícil até de imaginar”, afirmou Steven Tan, CEO da Pro3c, empresa taiwanesa que fabrica componentes ópticos usados nos chips da Nvidia. “Todo mundo está vindo para cá.”

Gigantes americanas como Microsoft, Google e Oracle estão investindo pesadamente na Malásia para se aproximar dos clientes asiáticos.

Ao mesmo tempo, o país tornou-se um polo de processamento de dados para empresas chinesas como ByteDance, Tencent e Alibaba.

Em alguns parques industriais de Johor, infraestrutura voltada para empresas americanas e chinesas está sendo construída praticamente lado a lado.

“Este é o único lugar do mundo onde estamos vendo isso acontecer”, afirmou Lee Ting Han, integrante do governo de Johor envolvido na aprovação dos projetos. “O que torna a Malásia tão especial para essa onda da IA é justamente sua posição neutra e não alinhada.”

O boom começou por volta de 2021. Após Singapura proibir novos projetos de data centers devido a restrições energéticas, as empresas passaram a buscar terrenos do outro lado da fronteira.

Gary Goh, consultor especializado em data centers, relembra ter percorrido Johor procurando terrenos próximos a linhas de transmissão elétrica. “Tem o caçador de demônios do K-pop. Eu sou o caçador de linhas de transmissão”, brincou.

As empresas chinesas chegaram primeiro, entre elas aquilo que viria a se tornar a DayOne.

Originalmente uma subsidiária internacional da GDS Holdings, uma das maiores desenvolvedoras de data centers da China, a companhia anunciou sua primeira instalação em Johor em 2021 para ajudar clientes chineses em sua expansão internacional.

Rebatizada como DayOne em 2025, tornou-se uma das maiores desenvolvedoras de data centers da Malásia. Em um dos projetos, transformou até mesmo um campo de golfe de 18 buracos em um novo complexo.

A expansão coincidiu com o aumento das tensões entre Washington e Pequim. Em 2022, o governo americano impôs controles que impediram a Nvidia de vender diretamente seus chips mais avançados para a China.

Em resumo

O que aconteceu?

JOHOR, Malásia — Em uma área do sul da Malásia antes ocupada por plantações de óleo de palma e abacaxi, os sinais das ambições tecnológicas globais da China estão se multiplicando.

Qual é o ponto principal?

Mais de 15 guindastes se erguem sobre cerca de 40 hectares de terra escavada, onde a DayOne, empresa com raízes corporativas em uma das maiores operadoras chinesas de data centers, constrói um enorme complexo.

Quais são os dados mais importantes?

Dentro desses data centers estarão alguns dos chips de inteligência artificial mais avançados do mundo. Produzidos pela Nvidia, esses semicondutores estão amplamente proibidos de serem exportados para a China pelas restrições impostas pelos Estados Unidos.

Qual é o contexto?

Essa distinção ajudou a transformar a Malásia, país de 35 milhões de habitantes, em uma fronteira improvável do boom da IA. Atraídas por terrenos baratos, energia relativamente acessível e proximidade de cabos submarinos que conectam a China ao restante do mundo, empresas de tecnologia estão despejando bilhões de dólares no país.

Quais são os próximos desdobramentos?

A Malásia conquistou uma posição rara em uma indústria cada vez mais dividida entre Estados Unidos e China. Em vez de escolher um lado, decidiu receber os dois.

Fontes