O que o gráfico não mostra? Perretti e Molini unem macro e fluxo no day trade
Perretti e Molini mostraram na Casa Clear como a análise macroeconômica pode ampliar os critérios do trader antes de assumir risco.

Identificar uma região de entrada no gráfico é apenas parte do desafio de quem faz day trade. Quando o preço se aproxima desse nível, surge uma decisão ainda mais difícil: entrar na operação ou esperar?
Dados e contexto do setor
Em um mercado influenciado por juros, indicadores econômicos e fluxo estrangeiro, compreender o que está por trás dos movimentos pode ser tão importante quanto identificar uma oportunidade de entrada.
Essa discussão ganhou espaço durante a Casa Clear 2026 , com Rafael Perretti , economista da Clear Corretora, e Léo Molini , trader e influenciador da instituição.
Em entrevistas ao InfoMoney , os dois especialistas e Fábio F. , trader e cliente da Clear, relataram como a leitura do cenário econômico pode ajudar nas decisões operacionais, mesmo quando o mercado apresenta um comportamento diferente do esperado.
Impactos e informações adicionais
A sessão colocou os participantes diante de um dilema comum no day trade: manter a expectativa formada antes da abertura ou rever a estratégia diante de um mercado menos volátil do que o previsto.
O cenário pós-eleitoral alimentava a expectativa de oscilações mais intensas. “A gente vendia um cenário pós-eleitoral, um mercado marcado por bastante volatilidade”, relata Perretti.
A manhã, porém, apresentou movimentos mais contidos, mesmo diante de uma agenda relevante de indicadores econômicos.
Para Perretti, o contraste reforçou a importância de observar o comportamento dos preços antes de decidir por uma operação. “Era um dia relevante em termos de dados econômicos.
Tínhamos PIB e CPI, mas o mercado ficou um pouco mais travado, principalmente pela manhã”, conta.
Para Molini, interpretar aquele ambiente exigia conectar diferentes informações, sem depender de um único indicador.
O desafio era compreender como essas variáveis poderiam influenciar o mercado em meio ao grande volume de dados divulgados. “Foi uma manhã com muitos dados, informações e conteúdo”, comenta.
Mesmo sem a volatilidade esperada, a sessão permitiu demonstrar como a análise macroeconômica pode contribuir para as decisões operacionais.
Perretti destacou a oportunidade de aproximar esse conhecimento da prática dos participantes.
“Foi superinteressante levar essa leitura aos traders presentes e mostrar como utilizar o contexto macroeconômico na busca por bons resultados no mercado”, observa.
O comportamento da Bolsa brasileira também precisava ser analisado à luz do cenário internacional. A decisão do Federal Reserve (Fed), banco central dos Estados Unidos, na véspera, e a divulgação de indicadores econômicos americanos acrescentavam novas variáveis ao pregão.
“No pregão após a decisão do Fed, tivemos dados de inflação e do PIB dos Estados Unidos, que poderiam reforçar ou não a perspectiva de alta dos juros americanos”, detalha Perretti.
Para quem opera contratos futuros, especialmente mini-índice e minidólar, compreender o cenário internacional ajuda a interpretar os movimentos dos ativos brasileiros.
Mudanças nas expectativas para os juros americanos, por exemplo, podem influenciar o mercado doméstico.
“Por sermos um país emergente, qualquer alteração nos juros norte-americanos interfere diretamente na Bolsa brasileira”, pontua Perretti.
Entretanto, conhecer os indicadores não significa saber automaticamente para onde os preços seguirão. O desafio é transformar essas informações em referências úteis para as operações.
Nesse sentido, Perretti mostrou como relacionar o cenário econômico às regiões de preço observadas no gráfico.
“Mostramos como analisar o mercado e identificar regiões de preço considerando o contexto macroeconômico”, explica.
A análise também incorporou o fluxo de negociação e a atuação dos grandes participantes do mercado, buscando identificar possíveis reações dos preços.
“Mostramos como analisar o fluxo e as possíveis reações do mercado à atuação dos grandes participantes, relacionando tudo isso ao cenário econômico”, acrescenta Perretti.
Para Molini, o exercício permitiu ampliar as referências de quem já utiliza estratégias próprias, como o Price Action.
Mais do que substituir métodos conhecidos, a proposta era combinar diferentes formas de interpretar o mercado.
“Nós mostramos outra forma de olhar para o mercado financeiro, juntando todas as peças do quebra-cabeça”, comenta.
Para facilitar essa leitura, Molini apresentou uma ferramenta desenvolvida por ele que reúne diferentes indicadores em uma única tela.
O painel combina a curva de juros futuros (DIs), o fluxo estrangeiro em tempo real nos contratos futuros de índice e dólar e referências internacionais, permitindo uma visão integrada do cenário macroeconômico.
A ferramenta também foi utilizada durante a sessão. Em tempo real, Perretti e Molini identificavam regiões de preço e explicavam como os traders poderiam interpretar as possíveis reações do mercado.
A decisão de executar as operações, porém, ficava a cargo de cada participante, conforme sua estratégia.
“Não abrimos ordens, mas mostramos aos traders os possíveis cenários de alta e de baixa, explicando o que poderia levar os preços a reagir em cada região. E o mercado reagiu conforme nossa análise”, relata Molini.
Para quem acompanhava a atividade, a análise permitiu observar relações que nem sempre aparecem diretamente no gráfico do ativo operado.
Fábio F., trader e cliente da Clear, destacou as correlações entre o mercado brasileiro e o cenário internacional. “O Perretti e o Molini nos mostraram as correlações e como estava o mercado lá fora”, relata.
Em resumo
Identificar uma região de entrada no gráfico é apenas parte do desafio de quem faz day trade. Quando o preço se aproxima desse nível, surge uma decisão ainda mais difícil: entrar na operação ou esperar?
Essa discussão ganhou espaço durante a Casa Clear 2026 , com Rafael Perretti , economista da Clear Corretora, e Léo Molini , trader e influenciador da instituição. Em entrevistas ao InfoMoney , os dois especialistas e Fábio F.
A sessão colocou os participantes diante de um dilema comum no day trade: manter a expectativa formada antes da abertura ou rever a estratégia diante de um mercado menos volátil do que o previsto. O cenário pós-eleitoral alimentava a expectativa de oscilações mais intensas.
A manhã, porém, apresentou movimentos mais contidos, mesmo diante de uma agenda relevante de indicadores econômicos. Para Perretti, o contraste reforçou a importância de observar o comportamento dos preços antes de decidir por uma operação. “Era um dia relevante em termos de dados econômicos.
Para Molini, interpretar aquele ambiente exigia conectar diferentes informações, sem depender de um único indicador. O desafio era compreender como essas variáveis poderiam influenciar o mercado em meio ao grande volume de dados divulgados. “Foi uma manhã com muitos dados, informações e conteúdo”, comenta.