Política ES · 2026-10-26 · Redação Notícia ES

O que vai acontecer com dólar e juros após derrocada dos mercados financeiros com vitória de Lula - BBC News Brasil

Contenção da 'sangria' que levou o dólar acima de R$ 5,40 e a bolsa a ter negociação interrompida vai depender de sinalização do governo para ajuste das contas públicas, dizem analistas.

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Segunda-feira (26/10) foi "sangrenta" nos mercados financeiros, após

A segunda-feira (26/10) foi "sangrenta" nos mercados financeiros, após a virada histórica que deu a vitória a Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

A bolsa de valores de São Paulo teve a operação interrompida por um circuit breaker logo na abertura das negociações, após registrar queda de mais de 10%.

Depois de retomados os negócios, o Ibovespa continuou em baixa acentuada, mas o mecanismo de proteção para momentos de forte volatilidade não voltou a ser acionado.

Já o dólar à vista chegou a encostar

Já o dólar à vista chegou a encostar em R$ 5,60 pela manhã, e era negociado acima de R$ 5,40 no meio da tarde, após ter fechado na sexta-feira (23/10) em R$ 4,99. Os juros futuros também apresentaram forte estresse, com alta de até 3 pontos percentuais nos contratos para 2031.

Jorge Ferreira dos Santos Filho, professor do curso de Administração da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM), explica que o movimento é uma correção de posições, diante da quebra de expectativa dos agentes do mercado, que estavam absolutamente convencidos de uma vitória de Flavio Bolsonaro (PL).

"Tinha muitas posições montadas no longo prazo, prevendo uma estabilização da economia, com maior rigor fiscal, mesmo que, naquele momento, [Flávio] não tivesse um plano ainda delineado – tinha basicamente uma declaração de intenções", diz Santos Filho.

Um cenário de maior rigor fiscal permitiria ao Banco Central baixar a taxa de básica de juros, o que estimularia o crescimento da economia e a valorização dos ativos financeiros.

"O mercado estava acreditando num cenário otimista, que os preços de ativos iam se valorizar com a possível eleição do Flávio Bolsonaro", observa Luciano Sobral, economista-chefe da NEO Investimentos.

"Como não veio esse cenário e veio no lugar um cenário que o mercado considera ruim, os agentes estão revisando o que tinham de premissa para os preços", explica Sobral.

"Então, por exemplo, uma ação que se esperava que ia valer R$ 40, agora se espera que valha R$ 20, com isso, não vale a pena manter essa ação e as pessoas vendem", exemplifica.

Ambos os analistas avaliam que o mau humor do mercado deve continuar nos próximos dias, mas mais para o fim de semana, os ativos devem buscar um novo equilíbrio, porém, em patamares distintos daqueles que eram observados antes do segundo turno.

"O dólar, por exemplo, vai permanecer estruturalmente mais alto do que estava na semana passada, vai seguir operando acima dos R$ 5, a menos que alguma coisa muito extraordinária aconteça", diz o professor da ESPM.

Quanto à bolsa, Santos Filho observa que o choque desta segunda-feira foi muito exagerado, então, nos próximos dias empresas exportadoras, com receitas em dólar e menos expostas aos juros devem se recuperar, já que elas se beneficiam da desvalorização da moeda brasileira.

Já os juros são uma incógnita maior. Antes do segundo turno, o mercado esperava novos cortes da Selic, a taxa básica de juros da economia brasileira, nas reuniões do Comitê de Política Monetária (Copom) marcadas para novembro e dezembro.

Atualmente, a taxa está em 13,75% ao ano, após ter começado o ano em 15%.

Em resumo

O que aconteceu?

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Qual é o ponto principal?

A segunda-feira (26/10) foi "sangrenta" nos mercados financeiros, após a virada histórica que deu a vitória a Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Quais são os dados mais importantes?

A bolsa de valores de São Paulo teve a operação interrompida por um circuit breaker logo na abertura das negociações, após registrar queda de mais de 10%.

Qual é o contexto?

Depois de retomados os negócios, o Ibovespa continuou em baixa acentuada, mas o mecanismo de proteção para momentos de forte volatilidade não voltou a ser acionado.

Quais são os próximos desdobramentos?

Já o dólar à vista chegou a encostar em R$ 5,60 pela manhã, e era negociado acima de R$ 5,40 no meio da tarde, após ter fechado na sexta-feira (23/10) em R$ 4,99. Os juros futuros também apresentaram forte estresse, com alta de até 3 pontos percentuais nos contratos para 2031.

Fontes