Tecnologia · 2026-10-14 · Redação Notícia ES

O "paradoxo" da Bolsa: por que e quais ações estão mais baratas mesmo após disparada?

Queda dos juros elevou as projeções de lucro mais rápido do que as cotações, o que tornou ações mais atrativas

O "paradoxo" da Bolsa: por que e quais ações estão mais baratas mesmo após disparada?
O "paradoxo" da Bolsa: por que e quais ações estão mais baratas mesmo após disparada?

A ideia parece contraditória à primeira vista: ações que subiram forte na última semana por conta do rali eleitoral podem mesmo estar mais baratas?

Essa é a tese defendida por analistas de mercado

Essa é a tese defendida por analistas de mercado como os do Bradesco BBI e do BTG Pactual que, em relatórios divulgados após o primeiro turno das eleições, destacam que a queda dos juros alterou de forma relevante a capacidade de geração de lucro das empresas e, em muitos casos, mais do que compensou a valorização recente das ações.

O BBI afirma que diversas empresas brasileiras hoje negociam com múltiplos menores do que antes do rali eleitoral porque o mercado passou a incorporar lucros futuros maiores em um cenário de Selic mais baixa.

Já o BTG conclui que uma parte relevante das companhias domésticas ainda não precifica integralmente um ciclo mais intenso de afrouxamento monetário.

Explicação para isso é que o lucro está crescendo

A explicação para isso é que o lucro está crescendo mais rápido que o preço. Conforme destacam os analistas, uma ação não fica mais cara apenas porque seu preço sobe – o que acaba importando mais é a relação entre o preço e os lucros futuros.

Segundo o Bradesco BBI, muitas companhias apresentam hoje um preço/lucro (P/L) inferior ao observado antes da eleição porque os analistas revisaram para cima as estimativas de resultados após a queda da curva de juros.

Para o banco, os resultados eleitorais favorecem implementação de reformas e impulsiona novo preço para as ações da companhia

O banco calcula que a queda de aproximadamente 140 pontos-base dos juros reais de longo prazo desde julho elevou em cerca de 15% o valor justo estimado para as ações brasileiras.

Além disso, a redução do risco fiscal percebido após as eleições ampliou ainda mais o potencial de valorização.

Para o BBI, a Bolsa brasileira passou a contar com três motores simultâneos: valor justo mais alto; menor risco fiscal e futuras revisões positivas de lucro. Já o BTG Pactual ressalta ainda que os juros podem cair mais do que o mercado espera.

Atualmente, o mercado trabalha com Selic próxima de 12% ao final de 2027. O BTG, porém, avalia que um cenário fiscal mais benigno poderia levar a taxa para algo entre 10% e 11%, uma redução de até 375 pontos-base em relação aos níveis atuais.

Os analistas da instituição apontam que juros menores tendem a beneficiar especialmente empresas com elevado endividamento; grande parcela da dívida indexada ao CDI/Selic e margens mais sensíveis ao custo financeiro.

Banco vê combinação de juros menores, menor risco fiscal e revisões de lucro impulsionando ações

Neste sentido, o banco analisou aproximadamente 100 empresas brasileiras e calculou quanto o lucro de 2027 aumentaria para cada queda de 100 pontos-base na Selic.

Em diferentes análises, o Bradesco BBI identificou as ações cujo valuation ficou mais atrativo após a queda dos juros, enquanto o BTG mostra quais companhias registrariam os maiores ganhos de lucro nesse mesmo cenário.

A varejista surge como uma das maiores beneficiárias da queda dos juros. O BTG calcula que cada redução de 100 pontos-base na Selic pode elevar seu lucro em aproximadamente 19%.

O BBI também coloca a companhia entre os papéis cujo valuation ficou mais atraente mesmo depois da forte valorização recente.

A Vamos também aparece em ambas as análises. Para o BTG, uma redução de 100 pontos-base nos juros elevaria os lucros em cerca de 10%. Já o BBI a vê como uma das ações mais sensíveis ao novo regime de juros e integrante do grupo favorecido pela rotação pós-eleição.

A Ecorodovias integra a carteira de small caps do BBI e aparece entre os nomes mais alavancados ao ciclo de afrouxamento monetário.

No BTG, cada queda de 100 pontos-base na Selic implicaria aumento de aproximadamente 45% no lucro projetado para 2027, um dos maiores impactos de toda a cobertura.

Em resumo

O que aconteceu?

A ideia parece contraditória à primeira vista: ações que subiram forte na última semana por conta do rali eleitoral podem mesmo estar mais baratas?

Qual é o ponto principal?

Essa é a tese defendida por analistas de mercado como os do Bradesco BBI e do BTG Pactual que, em relatórios divulgados após o primeiro turno das eleições, destacam que a queda dos juros alterou de forma relevante a capacidade de geração de lucro das empresas e, em muitos casos, mais do que compensou a valorização recente das ações.

Quais são os dados mais importantes?

O BBI afirma que diversas empresas brasileiras hoje negociam com múltiplos menores do que antes do rali eleitoral porque o mercado passou a incorporar lucros futuros maiores em um cenário de Selic mais baixa. Já o BTG conclui que uma parte relevante das companhias domésticas ainda não precifica integralmente um ciclo mais intenso de afrouxamento monetário.

Qual é o contexto?

A explicação para isso é que o lucro está crescendo mais rápido que o preço. Conforme destacam os analistas, uma ação não fica mais cara apenas porque seu preço sobe – o que acaba importando mais é a relação entre o preço e os lucros futuros.

Quais são os próximos desdobramentos?

Segundo o Bradesco BBI, muitas companhias apresentam hoje um preço/lucro (P/L) inferior ao observado antes da eleição porque os analistas revisaram para cima as estimativas de resultados após a queda da curva de juros.

Fontes