Economia · 2026-10-27 · Redação Notícia ES

Objetivo do Lula 4 é ser Lula 1, mas precisa desarmar bomba fiscal, diz Silvia Matos

Silvia Matos, da FGV, analisa a urgência de um ajuste de contas e de uma equipe econômica técnica para garantir o controle da inflação.

Objetivo do Lula 4 é ser Lula 1, mas precisa desarmar bomba fiscal, diz Silvia Matos
Objetivo do Lula 4 é ser Lula 1, mas precisa desarmar bomba fiscal, diz Silvia Matos

O resultado das urnas deu ao atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) a continuidade de governo, mas com o sinal de que a política econômica está em xeque.

Disputa acirrada e os votos direcionados ao adversário

A disputa acirrada e os votos direcionados ao adversário dão o recado de que parte da população estava comprando a proposta de uma gestão com maiores cortes de gastos, enquanto a outra parte optou por garantir direitos já conquistados, incluindo os benefícios sociais.

O dilema da gestão Lula 4 será organizar as contas, sem deixar de atender ao eleitorado.

Na análise da economista Silvia Matos, coordenadora do Boletim Macro IBRE na FGV , Lula terá que ser muito pragmático e buscar nomes para os ministérios que tragam confiança ao mercado.

“O objetivo do Lula 4 é ser Lula 1

“O objetivo do Lula 4 é ser Lula 1. Não precisa inventar nada”, afirma, se referindo à gestão de Lula entre 2003 e 2006, quando houve o compromisso de responsabilidade fiscal já no período de transição.

“Ficou claro que a vitória do PT não é uma vitória endossando a política econômica do PT. Metade da população faz uma avaliação muito ruim da economia”, afirma Matos.

Em entrevista, a economista traçou um panorama dos desafios da nova gestão. Para ela, o governo eleito precisará promover um severo ajuste de rota para escapar de uma recessão e de uma crise de popularidade, formando uma equipe econômica técnica, autônoma e com forte capacidade de diálogo.

A economia nacional está, atualmente, em um ciclo de desaceleração da atividade, inflação em alta e taxas de juros elevadas.

Segundo a economista da FGV, o governo assumirá uma herança fiscal difícil, agravada pelos esforços de gastos realizados durante o período eleitoral.

O Brasil lida hoje com um orçamento público extremamente rígido, em que os gastos obrigatórios consomem a maior parte dos recursos, além de ter uma dívida elevada e um Congresso Nacional dividido e propenso ao populismo fiscal, que, segundo ela, tornou-se “ecumênico” ao unir esquerda e direita na busca por fatias do orçamento.

“O Congresso, apesar de ser de direita, tem se mostrado com uma capacidade enorme de fazer populismo fiscal, que está sendo ecumênico. É de esquerda e de direita. E isso está levando a uma falta de espaço para orçamento público”, diz.

Esse cenário interno já complexo esbarra em um contexto internacional altamente desfavorável.

O mundo enfrenta um momento de incerteza econômica significativa, com taxas de juros reais muito elevadas em diversos países, além dos conflitos geopolíticos que elevam os custos de matérias-primas.

Essa conjuntura externa pressiona a inflação no Brasil e cria uma barreira enorme para que o Banco Central consiga reduzir a taxa básica de juros, a Selic.

Com o câmbio e os juros subindo, a pressão recai inteiramente sobre a necessidade de estabilização das contas públicas internas.

Para evitar que a economia entre em colapso, Silvia Matos destaca a urgência de uma mudança de rumo na política fiscal , aproximando-se da ortodoxia.

O país vive o que ela classifica como uma “bomba fiscal” prestes a estourar, o que exige a criação de regras rigorosas capazes de gerar superávits primários consistentes ao longo do tempo.

“A gente precisa ter uma ponte para o futuro. E hoje o que a gente tem? A gente não tem essa ponte para o futuro, a gente só tem uma bomba fiscal que está estourando”, avalia.

Para a economista, o ajuste fiscal não deve ser feito de forma cega, mas sim com revisão da qualidade dos gastos.

Em resumo

O que aconteceu?

O resultado das urnas deu ao atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) a continuidade de governo, mas com o sinal de que a política econômica está em xeque. A disputa acirrada e os votos direcionados ao adversário dão o recado de que parte da população estava comprando a proposta de uma gestão com maiores cortes de gastos, enquanto a outra parte optou

Qual é o ponto principal?

Na análise da economista Silvia Matos, coordenadora do Boletim Macro IBRE na FGV , Lula terá que ser muito pragmático e buscar nomes para os ministérios que tragam confiança ao mercado.

Quais são os dados mais importantes?

“O objetivo do Lula 4 é ser Lula 1. Não precisa inventar nada”, afirma, se referindo à gestão de Lula entre 2003 e 2006, quando houve o compromisso de responsabilidade fiscal já no período de transição. “Ficou claro que a vitória do PT não é uma vitória endossando a política econômica do PT. Metade da população faz uma avaliação muito ruim da economia”, afir

Qual é o contexto?

Em entrevista, a economista traçou um panorama dos desafios da nova gestão. Para ela, o governo eleito precisará promover um severo ajuste de rota para escapar de uma recessão e de uma crise de popularidade, formando uma equipe econômica técnica, autônoma e com forte capacidade de diálogo.

Quais são os próximos desdobramentos?

A economia nacional está, atualmente, em um ciclo de desaceleração da atividade, inflação em alta e taxas de juros elevadas.

Fontes