Tecnologia · 2026-10-02 · Redação Notícia ES

Óculos inteligentes elevam alerta sobre sigilo do voto

Entidades pediram ao TSE orientações específicas para mesários identificarem dispositivos com câmera durante as eleições de 2026.

Óculos inteligentes elevam alerta sobre sigilo do voto
Óculos inteligentes elevam alerta sobre sigilo do voto

Óculos inteligentes com câmeras embutidas motivaram um alerta ao Tribunal Superior Eleitoral nesta sexta-feira, 2 de outubro, a dois dias do primeiro turno. Idec e Coding Rights pediram medidas para impedir gravações na cabine e orientar mesários sobre a identificação dos dispositivos.

O ofício foi revelado pela Folha de S.Paulo, enquanto a proibição de equipamentos capazes de registrar o voto foi confirmada em orientação oficial do TSE e em reportagem específica do UOL. O primeiro turno será realizado no domingo, 4 de outubro.

O problema técnico está na semelhança entre os modelos inteligentes e óculos convencionais. Câmeras, microfones e conexão sem fio podem ficar discretamente integrados à armação, dificultando a fiscalização visual sem critérios objetivos.

Câmeras desafiam fiscalização eleitoral

As entidades afirmam que os manuais usados no treinamento dos mesários em 2026 citam celulares, tablets e relógios digitais, mas não apresentam instruções específicas para diferenciar óculos com câmera daqueles usados apenas para correção visual.

Para o primeiro turno, o pedido é que o presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, envie um comunicado imediato aos tribunais regionais e determine o registro em ata de ocorrências envolvendo dispositivos vestíveis. O documento também solicita procedimentos uniformes para a abordagem.

As organizações pedem que um eventual segundo turno tenha orientação mais detalhada, com critérios de identificação e uma solução para eleitores que dependam de recursos visuais eletrônicos. O objetivo é proteger o sigilo sem criar barreiras indevidas à acessibilidade.

O receio é que uma câmera oculta registre a escolha feita na urna. Além da exposição do voto, a gravação poderia ser usada como prova em esquemas de compra ou coação, prática que contraria a liberdade do eleitor.

TSE já proíbe gravações

A regra geral da Justiça Eleitoral impede a entrada na cabine de celulares, câmeras, filmadoras, equipamentos de radiocomunicação e qualquer instrumento capaz de registrar, transmitir ou divulgar a escolha do eleitor, mesmo que esteja desligado.

Em orientação divulgada dez dias antes da votação, o TSE reforçou que relógios inteligentes e outros dispositivos capazes de comprometer o sigilo devem ser deixados com a mesa receptora. A vedação alcança os óculos inteligentes por sua capacidade de gravação e transmissão.

O UOL também informou que modelos com câmera não podem ser levados à cabine. A regra não proíbe óculos comuns nem instrumentos não eletrônicos de acessibilidade, mas exige que equipamentos com recursos de captação permaneçam fora do espaço de votação.

Idec e Coding Rights defendem que futuras resoluções mencionem expressamente óculos e pulseiras eletrônicas. As entidades também querem que o tema passe a integrar o treinamento obrigatório, diante da expansão dos dispositivos vestíveis no mercado.

Até a votação, a orientação prática é deixar qualquer aparelho com câmera ou comunicação no local indicado pelos mesários. A eventual suspeita de violação do sigilo poderá ser registrada e encaminhada às autoridades eleitorais para apuração.

Em resumo

Óculos inteligentes podem entrar na cabine?

Não. Dispositivos com câmera, gravação ou transmissão devem ficar fora da cabine de votação.

Por que os aparelhos preocupam?

Porque podem registrar discretamente a escolha do eleitor e comprometer o sigilo do voto.

Quem enviou o alerta ao TSE?

O Instituto de Defesa de Consumidores e a organização Coding Rights.

O que foi pedido para o primeiro turno?

Um comunicado aos tribunais regionais, critérios de abordagem e registro das ocorrências em ata.

Óculos comuns estão proibidos?

Não. A restrição alcança aparelhos eletrônicos capazes de captar ou transmitir imagens, não óculos convencionais.

Fontes