ONU projeta crescimento de 1,8% para o Brasil em 2026
Relatório da Unctad prevê desaceleração do PIB brasileiro e aponta juros, energia e fragmentação econômica como freios à atividade.

A economia brasileira deve crescer 1,8% em 2026 e 1,5% em 2027, segundo relatório divulgado nesta sexta-feira, 9 de outubro, pela Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (Unctad). A estimativa indica perda de ritmo depois da expansão de 2,3% registrada em 2025.
Os números constam do Trade and Development Report 2026 e foram publicados pelo Poder360. O documento oficial da Unctad e uma apuração da Reuters confirmam que o crescimento mundial deverá ficar em 2,6% neste ano, abaixo dos 2,9% de 2025.
Para o Brasil, a agência aponta que consumo das famílias, investimento privado e exportações agrícolas ainda oferecem sustentação à atividade. Esse apoio, porém, é limitado pelo crédito caro, pela inflação elevada e por um ciclo de redução de juros mais lento do que o esperado.
O relatório foi apresentado em Genebra e analisa como decisões comerciais, financeiras e tecnológicas passaram a ser orientadas também por interesses de segurança nacional. Na avaliação da Unctad, essa mudança estreita os caminhos de desenvolvimento disponíveis aos países de renda média e baixa.
Projeção indica ritmo moderado
A expansão de 1,8% colocaria o Brasil abaixo da média prevista para as economias em desenvolvimento, calculada em 4% para 2026. Grande parte dessa diferença decorre do peso de países asiáticos de rápido crescimento, como Índia e China, sobre o resultado agregado.
O cenário brasileiro também sofre influência do choque de energia provocado pela crise no Oriente Médio. A alta do petróleo pressiona custos de transporte e produção, afeta a inflação e tende a prolongar políticas monetárias restritivas em diferentes economias.
O Banco Central brasileiro também projetou em setembro crescimento de 1,8% para o Produto Interno Bruto em 2026. Embora as metodologias sejam distintas, a coincidência mostra que instituições nacionais e internacionais enxergam uma atividade econômica mais contida no horizonte imediato.
A Unctad ressalta que o país preserva vantagens por seu mercado interno, sua produção agrícola e sua capacidade de articulação regional. O relatório cita o Brasil entre as economias do Sul Global capazes de organizar cadeias produtivas e ampliar a integração com mercados vizinhos.
Comércio mantém expansão desigual
No quadro mundial, o volume de bens e serviços comercializados deve avançar cerca de 4% em 2026. Em valores nominais, o fluxo global deverá superar os US$ 35 trilhões alcançados em 2025, embora parte do aumento venha de preços mais altos, sobretudo no setor de energia.
A tecnologia continua sendo um dos principais motores dessa corrente. O comércio de produtos tecnológicos cresceu 22% em 2025 e chegou a US$ 4,2 trilhões, mas a agência alerta que os ganhos estão concentrados em poucas empresas e economias com domínio de infraestrutura digital e inteligência artificial.
Outro foco do documento é a retomada de políticas industriais por países ricos. Controles de exportação, subsídios e exigências para investimentos tornam mais difícil o ingresso de novos participantes em setores estratégicos, como semicondutores, inteligência artificial e equipamentos para a transição energética.
Para o Brasil, o desafio será transformar suas vantagens em investimento produtivo e crescimento mais duradouro. A trajetória projetada para 2027 sugere que o efeito dos juros e das incertezas externas não desaparece rapidamente, mesmo com a continuidade das exportações e do consumo doméstico.
Em resumo
A Unctad projeta expansão de 1,8% para a economia brasileira em 2026.
O relatório estima crescimento de 1,5% para o Brasil em 2027.
O Trade and Development Report 2026 foi divulgado em 9 de outubro de 2026.
A agência cita inflação elevada, crédito caro, redução lenta dos juros e choques de energia entre os principais freios.
A Unctad prevê crescimento global de 2,6% em 2026, abaixo dos 2,9% registrados em 2025.