Tecnologia · 2026-10-15 · Redação Notícia ES

OpenAI comunica PF sobre ameaças contra Lula em conversas no ChatGPT

Empresa informou às autoridades brasileiras que identificou ao menos duas contas com sinais de risco grave; eventual abertura de inquérito ainda depende do Ministério da Justiça.

OpenAI comunica PF sobre ameaças contra Lula em conversas no ChatGPT
OpenAI comunica PF sobre ameaças contra Lula em conversas no ChatGPT

A OpenAI comunicou à Polícia Federal, no início de outubro de 2026, que ao menos dois usuários do ChatGPT haviam produzido conversas com ameaças contra o presidente e candidato à reeleição Luiz Inácio Lula da Silva. A empresa bloqueou as contas e enviou dados para avaliação das autoridades brasileiras.

A informação foi publicada pela Folha de S.Paulo nesta quinta-feira (15), com base em documentos encaminhados pela companhia. Segundo a reportagem, a PF remeteu o material ao Ministério da Justiça para decidir se há fundamento para instaurar dois inquéritos; PF e ministério não se manifestaram sobre os casos até a publicação.

Os alertas descrevem situações que a empresa classificou como possível emergência com risco de morte ou lesão física grave. Um dos usuários teria feito referências repetidas a violência contra terceiros e ao presidente, enquanto alternava essas mensagens com afirmações de que não agiria. O conteúdo exige análise policial própria, e o envio da comunicação não equivale a uma conclusão sobre crime ou autoria.

Como o alerta chegou às autoridades

De acordo com a documentação citada pela Folha, a OpenAI encerrou uma das contas no começo de outubro e compartilhou registros com a PF. A empresa informou que os dados deveriam ser examinados de maneira independente pelas autoridades competentes, ressalva importante porque o material de uma plataforma digital precisa ser confrontado com identificação, circunstâncias e eventuais provas externas.

A companhia também afirmou ter notificado o Tribunal Superior Eleitoral, conforme seu plano de conformidade para o período eleitoral. O aviso ocorre durante a campanha do segundo turno presidencial, mas os documentos divulgados não demonstram relação entre os usuários e organizações políticas. A notícia trata de comunicações individuais detectadas em uma ferramenta de inteligência artificial.

A reportagem registra que os arquivos entregues às autoridades não mostram as respostas dadas pelo ChatGPT. Assim, não é possível concluir, apenas pelo material tornado público, como o sistema reagiu a cada mensagem. O que está documentado é a decisão da empresa de escalar as conversas consideradas graves e preservar elementos para eventual apuração oficial.

O procedimento também não significa que a plataforma faça uma denúncia criminal automática a cada frase violenta. A avaliação mencionada pela OpenAI envolve sinais de risco real, revisão humana e decisão sobre medidas como suspensão da conta e comunicação às autoridades. Cada caso pode ter urgência, consistência e alcance diferentes.

Políticas para riscos graves

Em orientação pública sobre conversas sensíveis, a OpenAI afirma que situações com ameaça iminente de dano físico grave a terceiros podem ser encaminhadas à polícia após revisão por uma equipe especializada. A política de atendimento a autoridades também prevê divulgação emergencial de dados em circunstâncias limitadas, quando necessária para prevenir perigo de morte ou ferimento grave e em conformidade com a legislação aplicável.

Essas regras ajudam a explicar o caminho institucional citado nos documentos brasileiros, mas não substituem a investigação. Cabe à Polícia Federal analisar autenticidade, identidade dos usuários e possível capacidade de execução. Ao Ministério da Justiça compete decidir sobre a instauração dos procedimentos encaminhados pela direção-geral da PF, segundo o relato publicado.

O caso expõe uma tensão recorrente no uso de inteligência artificial: a proteção da privacidade dos usuários e, ao mesmo tempo, a obrigação de agir diante de sinais concretos de perigo. O compartilhamento precisa ser restrito ao necessário, sujeito a base legal e passível de controle, sobretudo quando envolve conversas privadas e um ambiente eleitoral.

Até agora, não há confirmação pública de que os dois inquéritos tenham sido abertos nem de que suspeitos tenham sido identificados formalmente. O estágio conhecido é o envio dos alertas, o bloqueio de contas e a remessa da documentação para decisão das autoridades brasileiras. Qualquer responsabilização dependerá da apuração e do devido processo.

A ocorrência também amplia o debate sobre protocolos de segurança de plataformas de IA no Brasil. Para usuários, empresas e órgãos públicos, o ponto central é distinguir um alerta preventivo de uma prova conclusiva, preservando tanto a resposta rápida a ameaças quanto as garantias legais de quem aparece nos registros.

Em resumo

O que a OpenAI comunicou à Polícia Federal?

A empresa informou que ao menos dois usuários produziram conversas com ameaças contra Lula e enviou dados para avaliação das autoridades.

Os inquéritos já foram abertos?

Não há confirmação pública. A PF encaminhou o material ao Ministério da Justiça, que deverá decidir sobre a abertura dos procedimentos.

A OpenAI bloqueou as contas?

A reportagem informa que contas envolvidas foram encerradas e registros foram preservados e compartilhados com as autoridades.

Por que a empresa pode acionar a polícia?

As políticas da OpenAI admitem encaminhamento em situações limitadas de ameaça iminente de dano físico grave, após avaliação especializada.

O alerta comprova um crime?

Não. O alerta é preventivo e precisa ser verificado pela polícia com identificação, circunstâncias e outras provas.

Fontes