Segurança Pública · 2026-09-01 · Redação Notícia ES

Operação A Tropa investiga relação de jogadores capixabas com suspeito de tráfico

David Corrêa, do Vasco, e Hayner Monjardim, do Vila Nova, tiveram celulares apreendidos em ação da Polícia Civil do Espírito Santo. A investigação, sob sigilo, busca esclarecer a natureza da relação dos atletas com um investigado por tráfico, armas e homicídios.

Operação A Tropa investiga relação de jogadores capixabas com suspeito de tráfico
Operação A Tropa investiga relação de jogadores capixabas com suspeito de tráfico

A Polícia Civil do Espírito Santo investiga a relação dos jogadores capixabas David Corrêa, atacante do Vasco da Gama, e Hayner William Monjardim Cordeiro, lateral-direito do Vila Nova, com Ruan de Freitas Camargo Cruz, preso e apontado em investigações policiais como integrante de um grupo ligado ao tráfico de drogas, armas e crimes violentos. Os dois atletas foram alvos de mandados de busca e apreensão cumpridos na segunda-feira, 31 de agosto, durante a Operação A Tropa, realizada em diferentes estados.

A ação é conduzida pela Polícia Civil capixaba e tramita sob sigilo na 4ª Vara Criminal da Serra. Segundo informações divulgadas por veículos que acompanharam a operação, as buscas chegaram aos jogadores depois que investigadores localizaram conversas em aparelhos apreendidos durante apurações anteriores. A polícia agora procura definir se os contatos encontrados refletem apenas vínculos pessoais antigos ou se existe algum tipo de participação em atividades investigadas.

Buscas no Rio e em Goiânia

No Rio de Janeiro, equipes das polícias civis do Espírito Santo e do Rio cumpriram mandado na residência de David Corrêa, na Barra da Tijuca. Dois celulares do atacante foram apreendidos. Policiais também estiveram no centro de treinamento do Vasco, em Jacarepaguá. David acompanhou as diligências e esteve posteriormente na 14ª Delegacia de Polícia, no Leblon. Segundo as informações disponíveis, ele não prestou depoimento naquele momento e deverá ser ouvido em outra data.

Em Goiânia, Hayner também teve um telefone celular apreendido. O Vila Nova informou que houve cumprimento de mandados na residência do jogador e no Centro de Treinamento Vila do Tigre, onde a busca ficou restrita ao armário pessoal do atleta.

As medidas judiciais não equivalem a uma conclusão de culpa. A finalidade da busca e apreensão é permitir que os investigadores reúnam elementos para confirmar ou descartar hipóteses formuladas durante o inquérito. Até o momento, não foi divulgada denúncia criminal contra os dois jogadores relacionada aos fatos apurados pela Operação A Tropa.

Investigação partiu de material apreendido

A apuração que alcançou os atletas é um desdobramento de investigações sobre uma organização suspeita de tráfico interestadual de drogas e armas e de envolvimento em homicídios. Segundo informações publicadas pelo UOL e pela imprensa capixaba, a análise de um celular apreendido em investigação anterior teria revelado trocas de mensagens entre os jogadores e um dos investigados.

A Polícia Civil busca esclarecer o conteúdo e o contexto dessas comunicações. A existência de mensagens ou de amizade com uma pessoa investigada, isoladamente, não demonstra participação em crime. Por isso, a análise dos aparelhos e de outros elementos reunidos na operação é considerada central para definir o grau de vínculo de cada alvo com os fatos apurados.

David, Hayner e Ruan são naturais da Serra, na Grande Vitória, e teriam vínculos de infância. Essa relação é uma das linhas consideradas pelos investigadores para entender a origem dos contatos.

Ruan é investigado por crimes violentos

Ruan de Freitas Camargo Cruz está preso e aparece em investigações da Polícia Civil como um dos executores do homicídio de Wellington de Souza Lima, de 47 anos, ocorrido em março de 2024 no bairro Parque Residencial Laranjeiras, na Serra. Segundo a apuração policial divulgada pela imprensa, a vítima estava dentro de um veículo quando foi atacada a tiros.

A Polícia Civil informou que dezenas de disparos foram feitos contra o automóvel. A investigação sustenta que a ordem para o homicídio teria partido de dentro de um presídio no Rio de Janeiro e sido transmitida aos executores por videochamada. Ruan também responde, ao lado de outro investigado, por uma tentativa de homicídio registrada no mesmo mês de março de 2024, em Novo Porto Canoa, também na Serra.

Os investigadores trabalham com a hipótese de que os crimes tenham relação com disputas envolvendo o tráfico de drogas. A Operação A Tropa procura ampliar o conjunto de provas sobre a atuação do grupo e identificar a eventual participação de outros envolvidos.

Clubes dizem colaborar com investigação

O Vasco informou que está colaborando com as autoridades e que David segue trabalhando normalmente enquanto a investigação prossegue. O diretor executivo de futebol do clube, Admar Lopes, afirmou à imprensa que a equipe aguardará uma definição das autoridades antes de fazer avaliações adicionais sobre o caso.

O Vila Nova divulgou nota informando que Hayner colaborou com o cumprimento das medidas judiciais. Segundo o clube, o jogador nega qualquer envolvimento com atividades ilícitas e acredita ter sido incluído na investigação em razão de uma amizade de infância com um dos investigados, pessoa da mesma comunidade onde cresceu no Espírito Santo.

Reportagens da Associated Press, Folha de S.Paulo e UOL também confirmaram o cumprimento das buscas contra os atletas e a condução da investigação pela Polícia Civil do Espírito Santo. As informações convergem sobre o caráter ainda investigativo das medidas e sobre a cooperação declarada pelos clubes.

Operação continua sob sigilo

Como o processo tramita sob segredo de Justiça, parte dos elementos reunidos pela polícia não é pública. Essa limitação impede afirmar, neste momento, qual é exatamente o conteúdo das conversas localizadas, quais movimentações estão sob análise e se os investigadores encontraram indícios suficientes para atribuir alguma conduta criminosa aos jogadores.

O próximo passo da investigação deve incluir a análise dos aparelhos apreendidos e novos depoimentos. A Polícia Civil poderá confrontar dados extraídos dos celulares com informações bancárias, registros de comunicação e outras provas já incorporadas ao inquérito, desde que autorizadas judicialmente.

Até que haja conclusão formal da investigação ou eventual acusação apresentada pelo Ministério Público, David Corrêa e Hayner Monjardim devem ser tratados como investigados atingidos por medidas de busca, sem presunção de responsabilidade criminal.

Fontes