Segurança Pública · 2026-10-19 · Redação Notícia ES

Operação apreende 118 armas em lojas do ES e Rio

Operação Câmara Fria fiscalizou nove lojas, apreendeu mais de 4 mil munições e levou três investigados à prisão em flagrante.

Operação apreende 118 armas em lojas do ES e Rio
Operação apreende 118 armas em lojas do ES e Rio

A Polícia Civil do Espírito Santo apresentou nesta segunda-feira (19) o balanço da Operação Câmara Fria, que apreendeu 118 armas de fogo e mais de 4 mil munições em estabelecimentos do Espírito Santo e do Rio de Janeiro. A ação, deflagrada em 7 de outubro, também resultou em três prisões em flagrante.

A Gazeta informou que as buscas alcançaram nove lojas e que a investigação apura a destinação irregular de armamentos a organizações criminosas. O Folha Vitória confirmou o volume apreendido, as prisões e o bloqueio judicial de contas e bens ligados aos investigados.

Dos estabelecimentos fiscalizados, seis ficam no Espírito Santo — cinco na Grande Vitória e um em Castelo — e três no Rio de Janeiro. A ofensiva reuniu policiais civis, militares e científicos, além de equipes do Exército e da Secretaria da Fazenda capixaba.

Fraudes ampliaram o rastreio policial

Segundo a apuração policial, documentos falsos e registros inconsistentes teriam sido usados para dar aparência regular a compras e vendas. Entre as suspeitas estão lançamentos vinculados a CPFs de terceiros e negociações feitas sem comprovação de que o comprador estava habilitado a adquirir armas ou munições.

As três detenções ocorreram durante as fiscalizações. Dois proprietários de lojas e um funcionário foram autuados por suspeitas relacionadas à falsidade ideológica e ao comércio ilegal de armas e munições. As acusações ainda dependem da conclusão do inquérito e da análise do Judiciário, o que preserva a condição de investigados dos envolvidos.

O cruzamento de estoques, notas fiscais e cadastros de compradores foi central para a operação. A polícia buscou verificar se os produtos adquiridos pelos lojistas continuavam armazenados, tinham saída documentalmente registrada ou apareciam associados a pessoas sem autorização legal.

A participação de órgãos de fiscalização permitiu confrontar dados de naturezas diferentes. Enquanto a polícia examinou a cadeia de circulação do armamento, a Sefaz apoiou a conferência fiscal e o Exército atuou dentro de suas atribuições sobre produtos controlados.

Apuração nasceu no sul capixaba

A investigação começou em 2024, depois de um caso de venda ilegal de armas envolvendo um empresário de Cachoeiro de Itapemirim. A partir daquele episódio, os agentes identificaram indícios semelhantes em outros pontos comerciais e ampliaram o rastreamento para municípios capixabas e para o Rio de Janeiro.

Uma das linhas examinadas é a tentativa de encaminhar dezenas de armas a uma facção criminosa do Espírito Santo. De acordo com as informações divulgadas pela Polícia Civil, algumas vendas chegaram a ser canceladas e os armamentos foram recomprados após a repercussão da primeira prisão relacionada ao caso.

A apreensão não significa, por si só, que todas as armas encontradas tenham origem ilícita. O trabalho pericial e documental precisa separar produtos regularmente mantidos em estoque daqueles relacionados a registros falsos, desvio, venda clandestina ou destinatários impedidos de comprar.

O material recolhido será submetido a conferência e perícia, enquanto a polícia aprofunda a identificação de compradores, intermediários e possíveis beneficiários do esquema. O bloqueio patrimonial busca preservar valores para eventual reparação ou confisco, caso a Justiça confirme a origem criminosa dos bens.

A Operação Câmara Fria também expõe um ponto sensível do controle de armamentos: a rastreabilidade depende de cadastros confiáveis, validação das autorizações e comunicação rápida entre comerciantes e autoridades. Falhas nessa cadeia podem permitir que uma transação aparentemente formal esconda a entrega a pessoas não habilitadas.

Em resumo

O que foi a Operação Câmara Fria?

Foi uma ação interestadual contra suspeitas de comércio ilegal e desvio de armas e munições para organizações criminosas.

Quantas armas foram apreendidas?

A Polícia Civil informou a apreensão de 118 armas de fogo e mais de 4 mil munições.

Onde ocorreram as buscas?

Os mandados e fiscalizações alcançaram seis lojas no Espírito Santo e três no Rio de Janeiro.

Houve prisões?

Sim. Dois proprietários de lojas e um funcionário foram presos em flagrante durante a operação.

O que será investigado agora?

A polícia seguirá o caminho das armas, revisará registros de venda e buscará identificar compradores, intermediários e destinatários finais.

Fontes