Justiça · 2026-10-08 · Redação Notícia ES

Operação da PF mira desvios na Saúde e bloqueia bens

Ação conjunta com a CGU cumpriu cinco prisões preventivas e 24 buscas no Ceará e na Paraíba; empresa investigada recebeu mais de R$ 1 bilhão em verbas federais

Operação da PF mira desvios na Saúde e bloqueia bens
Operação da PF mira desvios na Saúde e bloqueia bens

A Polícia Federal e a Controladoria-Geral da União deflagraram nesta quinta-feira (8) uma operação contra uma organização suspeita de desviar recursos públicos destinados à Saúde. A ação cumpriu cinco mandados de prisão preventiva e 24 de busca e apreensão em municípios do Ceará e da Paraíba.

A apuração foi divulgada inicialmente pelo Metrópoles e confirmada em nota oficial da Polícia Federal publicada às 8h36. Segundo a PF, a principal empresa investigada recebeu mais de R$ 1 bilhão em recursos federais entre 2007 e 2025 por contratos firmados com entes subnacionais.

Mandados alcançam dois estados

As medidas foram autorizadas pela 32ª Vara Federal da Seção Judiciária do Ceará. Os agentes atuaram em Fortaleza, Caucaia, Eusébio e Tauá, no Ceará, além de Campina Grande, na Paraíba.

Além das prisões e buscas, a decisão determinou dois mandados de sequestro para apreensão de veículos. Também ordenou o afastamento cautelar de cinco gestores de funções gerenciais, financeiras ou de representação nas entidades investigadas.

A investigação começou depois da identificação de movimentações financeiras consideradas suspeitas, especialmente saques de valores elevados em espécie. A partir desse ponto, PF e CGU passaram a apurar a possível utilização de empresas de fachada e documentos ideologicamente falsos.

De acordo com os investigadores, esse mecanismo teria servido para retirar dinheiro de contratos públicos celebrados por entidades do setor da Saúde. As suspeitas abrangem corrupção, lavagem de dinheiro, organização criminosa e fraude documental.

A cifra de R$ 1 bilhão representa o total de recursos federais recebidos pela principal empresa no período analisado, e não o valor que já tenha sido comprovadamente desviado. A operação ainda está em fase de investigação, e a responsabilidade individual dos alvos dependerá da análise das provas e do processo judicial.

Patrimônio fica sob controle

A Justiça determinou ainda o sequestro de 38 imóveis e 82 veículos supostamente ligados aos investigados. Também autorizou a quebra dos sigilos bancário e fiscal de pessoas físicas e jurídicas relacionadas aos fatos em apuração.

Segundo a Polícia Federal, as restrições patrimoniais têm dois objetivos: preservar bens para um eventual ressarcimento aos cofres públicos e impedir que ativos de possível origem ilícita sejam transferidos ou ocultados durante a investigação.

O afastamento dos gestores busca reduzir a possibilidade de interferência na administração das entidades contratadas pelo poder público. A medida é cautelar e não equivale a condenação, assim como os mandados de prisão preventiva não antecipam o julgamento dos investigados.

A nota oficial não divulgou os nomes das empresas, das entidades nem das pessoas alcançadas pelas medidas. Também não detalhou quais unidades de Saúde ou contratos específicos estão sob análise, razão pela qual não é possível atribuir responsabilidade fora dos limites informados pela investigação.

O material apreendido e os dados bancários e fiscais deverão ser examinados nas próximas etapas. A partir dessa análise, a PF e a CGU poderão delimitar o montante efetivamente desviado, identificar beneficiários e encaminhar novas conclusões à Justiça Federal.

Em resumo

O que a Operação Coaptação investiga?

A operação apura suspeitas de desvio de recursos federais da Saúde, além de lavagem de dinheiro, corrupção, organização criminosa e fraude documental.

Quantos mandados foram cumpridos?

Foram cumpridos cinco mandados de prisão preventiva, 24 de busca e apreensão e dois de sequestro de veículos.

Onde ocorreu a operação?

As medidas foram executadas em quatro municípios do Ceará e em Campina Grande, na Paraíba.

O R$ 1 bilhão já foi confirmado como desvio?

Não. Esse é o total de recursos federais recebidos pela principal empresa investigada entre 2007 e 2025.

Quais bens foram bloqueados?

A Justiça determinou o sequestro de 38 imóveis e 82 veículos supostamente vinculados aos investigados.

Fontes