Operação Ícaro cumpre 15 mandados contra grupo ligado ao Comando Vermelho
MPRJ afirma que investigação identificou transporte de toneladas de drogas de São Paulo ao Rio e movimentações atípicas acima de R$ 70 milhões.

O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro deflagrou nesta terça-feira, 22 de setembro, a Operação Ícaro para cumprir 15 mandados de prisão preventiva contra pessoas apontadas como integrantes de uma rede ligada ao Comando Vermelho. A ação ocorreu no Rio, em São Paulo e em Alagoas, com participação de forças policiais e do sistema penitenciário. Segundo a acusação, o grupo transportava grandes cargas de drogas entre os estados e ocultava o dinheiro por meio de empresas de logística.
Os mandados foram expedidos pela 1ª Vara Criminal Especializada em Organização Criminosa do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro. A operação foi coordenada pelo Grupo de Atuação Especializada no Combate à Sonegação Fiscal e aos Ilícitos contra a Ordem Tributária do MPRJ, o Gaesf, em conjunto com a Polícia Civil fluminense. Também participaram as polícias de São Paulo e Alagoas, a Secretaria de Administração Penitenciária e a Polícia Militar do Rio.
O MPRJ afirma que a investigação identificou mais de R$ 70 milhões em movimentações financeiras consideradas atípicas. O valor não representa necessariamente dinheiro apreendido nem condenação definitiva: é o montante que, segundo os investigadores, circulou por contas relacionadas à estrutura examinada. A denúncia atribui ao grupo os crimes de associação para o tráfico e lavagem de dinheiro.
Investigação começou com alvo conhecido como My Thor
De acordo com o Ministério Público, a apuração começou a partir das atividades de Marcos Antônio Pereira Firmino da Silva, conhecido como My Thor. Ele é apontado como um dos responsáveis pela compra e pela distribuição de entorpecentes para comunidades controladas pelo Comando Vermelho. A investigação teria reconstruído contatos, pagamentos, veículos e rotas usados para fazer a droga chegar ao Rio.
O órgão também cita Laércio Isidoro do Nascimento Júnior, conhecido como Boss, como possível fornecedor das cargas. A narrativa apresentada à Justiça sustenta que empresas do ramo de transportes funcionavam como fachada para dar aparência regular às viagens. Essa é a versão da acusação, que ainda deverá ser confrontada pelas defesas durante o processo criminal.
Dois policiais militares, Claudio Tavares da Silveira e Diego Portella Batista, são mencionados pelo MPRJ entre os denunciados. O órgão afirma que eles teriam prestado apoio à organização. A reportagem não localizou manifestações das defesas até a publicação. O envolvimento atribuído aos agentes não permite antecipar culpa ou punição administrativa antes do contraditório.
Apreensões em Guarulhos e Seropédica integram as provas
Entre os episódios usados para sustentar a investigação está a apreensão de 715 quilos de drogas em Guarulhos, na Grande São Paulo, em fevereiro de 2024. O material, segundo a apuração, seguiria para o Rio de Janeiro. Outra carga, de 73 quilos, foi interceptada em Seropédica, na Baixada Fluminense, em maio do mesmo ano.
As apreensões são relevantes porque ligam a investigação financeira a fatos concretos na estrada. Para o Ministério Público, notas, veículos, empresas e contas bancárias formariam um único sistema de abastecimento. A análise agora precisa demonstrar o papel individual de cada denunciado, requisito indispensável para que a Justiça decida sobre responsabilidade penal.
O nome Ícaro foi dado à operação pelos investigadores, mas não altera a natureza processual da ação. Prisão preventiva é uma medida cautelar: serve para proteger a investigação, evitar fuga ou impedir novos crimes quando os requisitos legais estão presentes. Ela não equivale a sentença, pode ser contestada e deve ser fundamentada de forma individual.
Processo seguirá com defesas e análise das provas
Além das condenações, o MPRJ pediu a perda de bens que considere produto ou proveito dos crimes investigados. Esse pedido deverá passar pela análise judicial e pode alcançar valores, veículos ou patrimônio somente se o vínculo com a atividade ilícita for demonstrado. A defesa de cada acusado poderá questionar documentos, laudos, interceptações e a origem das informações financeiras.
O balanço final de prisões e apreensões depende da conclusão do cumprimento dos mandados nos três estados. Órgãos envolvidos costumam consolidar esses dados após as equipes retornarem. Também poderá haver desdobramentos se celulares, computadores ou documentos recolhidos revelarem novos integrantes, outras rotas ou diferentes mecanismos de lavagem.
A Operação Ícaro concentra duas frentes que costumam caminhar juntas no combate ao crime organizado: interromper o transporte de drogas e seguir o dinheiro. A etapa pública começou com os mandados, mas o resultado jurídico será definido em processo. Até lá, as alegações são do Ministério Público, e os investigados preservam todos os direitos de defesa.
Em resumo
É uma ação do MPRJ e de forças policiais contra uma rede suspeita de tráfico interestadual e lavagem de dinheiro.
A Justiça expediu 15 mandados de prisão preventiva.
Segundo a denúncia, drogas saíam de São Paulo e eram transportadas para o Rio de Janeiro.
O MPRJ informou ter identificado mais de R$ 70 milhões em movimentações consideradas atípicas.
A 1ª Vara Especializada em Organização Criminosa do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro.
Não. As acusações ainda serão julgadas, e todos têm direito à defesa e à presunção de inocência.