Operação prende dez integrantes da Bamor em Salvador
Mandados miram a direção da torcida organizada em investigação sobre tortura, roubo, extorsão, ameaça e associação criminosa.

Uma operação do Ministério Público da Bahia prendeu dez integrantes da presidência e da diretoria da Bamor, torcida organizada ligada ao Bahia, nesta segunda-feira (28), em Salvador. A investigação apura suspeitas de tortura, roubo, extorsão, ameaça e associação criminosa.
A Veja noticiou que o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado cumpriu as prisões e 15 mandados de busca e apreensão. A CNN Brasil confirmou o número de detidos e informou que as diligências alcançaram a sede da torcida e endereços associados aos investigados.
Segundo o Ministério Público, ao menos duas pessoas teriam sido submetidas a violência física e psicológica dentro da sede da organizada em julho. Os investigadores afirmam que elas foram constrangidas a admitir supostas irregularidades. As acusações ainda serão examinadas no processo e não equivalem a condenação.
Entre os presos estão integrantes da cúpula da entidade. Um policial militar também aparece entre os alvos da apuração. A presença de um agente público levou à participação da força correcional da Secretaria da Segurança Pública da Bahia nas diligências.
Investigação aponta violência prolongada
Os relatos reunidos pelo MP descrevem agressões, ameaças e métodos de sufocamento que teriam se prolongado por horas. A reportagem omite pormenores que não são necessários para compreender o caso. O ponto central da investigação é saber quem ordenou, executou ou contribuiu para os atos atribuídos ao grupo.
Uma das vítimas teria sido chamada à sede para falar sobre um possível desfalque nas contas da torcida. De acordo com a linha investigativa, o encontro teria servido como emboscada para forçar uma confissão. A existência do suposto desvio e a responsabilidade de cada investigado ainda precisam ser demonstradas pelas provas.
Além da tortura, os investigadores apuram possíveis crimes patrimoniais e a atuação coordenada dos suspeitos. Documentos, equipamentos e registros recolhidos nas buscas poderão indicar se houve divisão de tarefas, participação da direção e eventual repetição das condutas.
Mandados alcançam direção da torcida
A ação foi coordenada pelo Gaeco com equipes dos departamentos de investigação criminal e de repressão ao narcotráfico, além de unidades da Polícia Militar. A mobilização buscou cumprir os mandados simultaneamente e preservar materiais considerados relevantes para a apuração.
O Correio 24 Horas também confirmou que membros da presidência e da diretoria foram presos e que a operação ocorreu na sede da Bamor. O alcance dos mandados, porém, não permite antecipar a culpa individual: cada suspeito deverá responder pelos fatos que lhe forem atribuídos e poderá contestar as provas.
A torcida declarou, em manifestação divulgada pela imprensa baiana, que está disponível para colaborar e negou que seus diretores tenham praticado os atos investigados. As defesas dos presos poderão questionar as prisões, pedir acesso aos autos e apresentar versões próprias às autoridades.
Depois das diligências, o material apreendido será analisado e os depoimentos deverão ser confrontados. O Ministério Público poderá requerer novas medidas ou oferecer denúncia se entender que há elementos suficientes. A Justiça decidirá sobre a manutenção das prisões e sobre os pedidos apresentados no curso da investigação.
Em resumo
Dez integrantes da presidência e da diretoria da Bamor foram presos na operação.
Tortura, roubo, extorsão, ameaça e associação criminosa estão entre as suspeitas apuradas.
As equipes cumpriram 15 mandados de busca e apreensão em Salvador.
Segundo a investigação, os fatos ocorreram dentro da sede da torcida organizada em julho.
Não. As prisões integram uma investigação e a responsabilidade individual ainda será julgada.