Segurança Pública · 2026-09-23 · Redação Notícia ES

Operação Quatro Torres prende em Vila Velha suspeito de integrar grupo da Bahia

Homem de 42 anos foi localizado em Nova Itaparica; investigação atribui ao grupo tráfico, homicídios e movimentação milionária, segundo as polícias.

Operação Quatro Torres prende em Vila Velha suspeito de integrar grupo da Bahia
Delegado da Polícia Civil da Bahia apresenta o balanço da Operação Quatro Torres em vídeo oficial divulgado em 22 de setembro de 2026. Crédito: PCBA/Reprodução.

Um homem de 42 anos foi preso na manhã de terça-feira (22) no bairro Nova Itaparica, em Vila Velha, durante a Operação Quatro Torres, investigação conduzida pela Polícia Civil da Bahia contra um grupo suspeito de tráfico de drogas, homicídios e lavagem de dinheiro. A localização foi feita por agentes do Departamento Especializado em Narcóticos da Polícia Civil do Espírito Santo, a partir de informações compartilhadas pela polícia baiana. Contra o suspeito havia mandado de prisão temporária por organização criminosa.

A nota da Assessoria de Comunicação da Polícia Civil capixaba informa que o homem foi levado ao sistema prisional e permanece à disposição da Justiça. Seu nome não foi divulgado nas fontes oficiais consultadas. A prisão temporária é uma medida cautelar usada durante a investigação e não representa condenação. As acusações ainda precisam ser submetidas ao processo judicial, com contraditório e direito de defesa.

Segundo a investigação, a estrutura criminosa teria movimentado cerca de R$ 698 milhões ao longo de quatro anos. Esse valor foi apresentado pelas polícias como resultado da apuração financeira e não deve ser confundido com o montante efetivamente apreendido no dia da operação. O bloqueio judicial de ativos, por sua vez, foi autorizado até o limite global de R$ 300 milhões.

Ação cumpriu mandados em cinco estados

O balanço divulgado pela Polícia Civil da Bahia registra o cumprimento de 18 mandados de prisão temporária. Dez ordens foram executadas durante buscas na Bahia e outras seis alcançaram investigados que já estavam custodiados no estado. As duas prisões restantes ocorreram em Aracaju, Sergipe, e em Vila Velha, no Espírito Santo. Além delas, quatro pessoas foram presas em flagrante durante as diligências, três em Ilhéus e uma em Pedro de Toledo, São Paulo.

As equipes também apreenderam 113 munições, oito veículos, 16 aparelhos celulares e R$ 8.150 em espécie. Armas de fogo foram localizadas, mas a polícia informou que o quantitativo ainda passava por conferência no momento do balanço. Esses materiais serão periciados e poderão ajudar a reconstituir vínculos, comunicações e fluxos financeiros atribuídos aos investigados.

A Operação Quatro Torres alcançou cidades da Bahia, São Paulo, Alagoas, Sergipe, Rio de Janeiro e Espírito Santo. Na Bahia, mais de 200 agentes participaram das diligências. A coordenação ficou com a Diretoria Regional de Polícia do Interior e a 7ª Coordenadoria Regional de Polícia do Interior de Ilhéus, com apoio de unidades especializadas e da corregedoria da Polícia Militar baiana.

Investigação aponta quatro lideranças em Ilhéus

De acordo com a apuração policial, o grupo seria organizado em torno de quatro lideranças chamadas de “Torres”, que exerceriam influência sobre diferentes áreas de Ilhéus. A polícia sustenta que os integrantes mantinham comunicação para decidir sobre comercialização de drogas, compra de armas e homicídios. Essas afirmações descrevem a hipótese investigativa e ainda não constituem fatos julgados em sentença.

Entre os alvos mencionados pelas autoridades estão dois policiais militares, suspeitos de receber vantagens indevidas para favorecer a atuação do grupo, e um advogado, investigado por supostamente fazer a interlocução entre integrantes e intermediar pagamentos. As fontes consultadas não informaram, no balanço inicial, a posição das defesas. O contraponto deverá ser incorporado quando advogados ou investigados se manifestarem formalmente.

A Justiça também determinou o bloqueio e a indisponibilidade de ativos de 31 pessoas físicas e 11 pessoas jurídicas, até R$ 300 milhões no conjunto. Uma ordem desse tipo procura preservar patrimônio para eventual reparação, perda de bens ou outras decisões futuras. Ela não comprova, isoladamente, que todo o valor existia nas contas nem que os alvos são proprietários de recursos ilícitos.

Cooperação interestadual levou à prisão capixaba

A captura em Nova Itaparica mostra o papel do intercâmbio de inteligência entre as polícias civis. A Bahia reuniu os elementos da investigação e comunicou ao Denarc capixaba a presença do alvo em Vila Velha. Com a ordem judicial válida, a equipe do Espírito Santo realizou a abordagem e encaminhou o preso para as providências legais.

Os próximos passos incluem análise de celulares, documentos, veículos e registros bancários apreendidos. A polícia poderá pedir novas medidas caso encontre elementos que indiquem outros participantes ou patrimônio relacionado aos crimes investigados. O Ministério Público deverá examinar o material antes de eventual denúncia, enquanto o Judiciário controlará a duração e a necessidade das prisões cautelares.

Até a conclusão dessa etapa, os números divulgados devem ser lidos com precisão: R$ 698 milhões é a movimentação atribuída ao grupo pela investigação; R$ 300 milhões é o teto do bloqueio judicial; e R$ 8.150 foi o dinheiro em espécie apreendido no balanço inicial. Separar essas medidas evita transformar uma hipótese financeira de grande escala em apreensão que não ocorreu.

Em resumo

Quem foi preso em Vila Velha na Operação Quatro Torres?

Um homem de 42 anos, investigado pela Polícia Civil da Bahia como possível integrante de uma organização criminosa. O nome não foi divulgado pelas fontes oficiais consultadas.

Onde ocorreu a prisão no Espírito Santo?

O suspeito foi localizado no bairro Nova Itaparica, em Vila Velha, por policiais do Denarc da Polícia Civil capixaba.

Qual era a ordem judicial contra o homem?

Havia um mandado de prisão temporária por organização criminosa, expedido no âmbito da investigação conduzida na Bahia.

Quantas prisões temporárias foram cumpridas na operação?

O balanço divulgado pela polícia registra 18 mandados de prisão temporária cumpridos, incluindo duas prisões fora da Bahia, em Aracaju e Vila Velha.

O bloqueio de R$ 300 milhões significa que esse valor foi apreendido?

Não. Trata-se do limite global autorizado para bloqueio e indisponibilidade de bens e ativos de pessoas e empresas investigadas.

O preso já foi condenado?

As fontes informam prisão temporária durante uma investigação. Isso não equivale a condenação, e a responsabilidade penal será definida pelo Judiciário com direito de defesa.

Fontes