Opinião - Dora Kramer: STF avançou e revelou-se mau jogador na política
Supremo participa da guerra eleitoral, mesmo quando quer dar a impressão de que se afasta da disputa

O Supremo Tribunal Federal participa da guerra política mesmo quando quer dar a impressão de que se afasta dela. Toma decisões referidas no placar da primeira etapa da disputa eleitoral, evidenciando falta de tino para atuar em terrenos alheios à sua alçada.
Série de acenos favoráveis aos bolsonaristas parece antes
A série de acenos favoráveis aos bolsonaristas parece antes uma tentativa de não atrapalhar o presidente Luiz Inácio da Silva ( PT ) mais do que já atrapalhou.
De outro lado, a extemporânea entrada da revisão criminal de Jair Bolsonaro ( PL ) na pauta da corte sinaliza a presunção de que os ventos no tribunal possam mudar a depender do resultado das eleições .
Ambos os gestos mantêm o STF atrelado a alinhamentos políticos, o que está bem longe de significar contenção às funções jurídico-constitucionais.
Se processos deveriam ser arquivados, denúncias rejeitadas e penas
Se processos deveriam ser arquivados, denúncias rejeitadas e penas relaxadas, tais providências tomadas agora dão a ideia de que obedeceram ao calor dos votos. À mesma lógica submete-se o exame do benefício ao ex-presidente.
Nesse modo, prossegue o tribunal que, estando à beira do abismo reputacional, dá um passo adiante e mergulha no poço da desconfiança, quando as circunstâncias adversas aconselhariam a direção oposta.
O ativismo vem agora embalado em supostas reparações, mas nem por isso deixa de exibir as digitais do engajamento. Aos políticos de profissão é dada a prerrogativa da pressa em se posicionar.
Dos apoios emprestados a quente depende a acomodação futura das forças em disputa de poder e relevância.
Aos juízes cabe o papel de observação não engajada; espectadores mantidos a prudente distância de interpretações de cunho político-eleitoral. Recolher os flaps sob a ponderada orientação do presidente Edson Fachin é a melhor opção.
A pior, voltar ao tabuleiro onde o STF já se mostrou um mau jogador. Não soube medir as consequências de seus atos. Convém, então, que se convença de que não deve se aventurar por mares onde não está preparado nem autorizado a navegar.
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O Supremo Tribunal Federal participa da guerra política mesmo quando quer dar a impressão de que se afasta dela.
Toma decisões referidas no placar da primeira etapa da disputa eleitoral, evidenciando falta de tino para atuar em terrenos alheios à sua alçada.
A série de acenos favoráveis aos bolsonaristas parece antes uma tentativa de não atrapalhar o presidente Luiz Inácio da Silva ( PT ) mais do que já atrapalhou.
Em resumo
O Supremo Tribunal Federal participa da guerra política mesmo quando quer dar a impressão de que se afasta dela. Toma decisões referidas no placar da primeira etapa da disputa eleitoral, evidenciando falta de tino para atuar em terrenos alheios à sua alçada.
A série de acenos favoráveis aos bolsonaristas parece antes uma tentativa de não atrapalhar o presidente Luiz Inácio da Silva ( PT ) mais do que já atrapalhou.
De outro lado, a extemporânea entrada da revisão criminal de Jair Bolsonaro ( PL ) na pauta da corte sinaliza a presunção de que os ventos no tribunal possam mudar a depender do resultado das eleições .
Ambos os gestos mantêm o STF atrelado a alinhamentos políticos, o que está bem longe de significar contenção às funções jurídico-constitucionais.
Se processos deveriam ser arquivados, denúncias rejeitadas e penas relaxadas, tais providências tomadas agora dão a ideia de que obedeceram ao calor dos votos. À mesma lógica submete-se o exame do benefício ao ex-presidente.