Política ES · 2026-10-14 · Redação Notícia ES

Opinião - Marcos Augusto Gonçalves: Com Flávio lá, contrapesos e democracia correm risco

Candidato, se vencer, terá amplo controle dos Poderes para vergar instituições democráticas

Opinião - Marcos Augusto Gonçalves: Com Flávio lá, contrapesos e democracia correm risco
Opinião - Marcos Augusto Gonçalves: Com Flávio lá, contrapesos e democracia correm risco

Editor da Ilustríssima, formado em administração de empresas com mestrado em comunicação pela UFRJ. Foi editor de Opinião da Folha

Eventual vitória de Flávio Bolsonaro traria desafios importantes

Uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro traria desafios importantes para a democracia brasileira.

Condições muito favoráveis à concentração de poder somam-se ao histórico autoritário da família e do grupo político do candidato.

Além da ampla maioria conservadora no Congresso, com forte presença bolsonarista, ele terá meios para pressionar o Supremo Tribunal Federal, tanto pela indicação de novos ministros quanto por processos de impeachment.

Flávio é o herdeiro político de Jair Bolsonaro e

Flávio é o herdeiro político de Jair Bolsonaro e representa um movimento que atacou reiteradamente a legitimidade das eleições e as instituições democráticas.

Poderá não repetir o brutalismo tosco do pai ex-militar dos porões da ditadura, mas isso não é suficiente para afastar os riscos.

A convergência em torno de uma agenda de flexibilização de direitos trabalhistas, retrocessos ambientais, cortes de benefícios sociais e favorecimento de interesses econômicos poderosos está dada.

A questão mais grave é saber até que ponto essa aliança estaria disposta a sacrificar os mecanismos de controle do Executivo em caso de escalada antidemocrática.

Sabemos que o autoritarismo contemporâneo não precisa recorrer a tanques nas ruas ou ao fechamento do Legislativo.

Democracias podem ser corroídas por governantes eleitos, mediante mudanças constitucionais, intimidação dos adversários e enfraquecimento obstinado das instituições.

Esse caminho tem sido franqueado em diversos países pela conveniência de elites tradicionais, num mundo em que o futuro é percebido por amplos setores sociais como incerto e perigoso.

O acúmulo de crises (do trabalho, do clima, da tecnologia, da paz) parece apontar para o fim dos tempos, gerando medo e desorientação.

O cenário piora com o ativismo disruptivo do populista autocrático Donald Trump, aliado do bolsonarismo e protagonista, nos Estados Unidos e na política externa, de ataques à ordem e às convenções liberais.

Com Flávio, o avanço da doutrina Donroe, que vê a América Latina como quintal, será incontível. E tem o hermano Milei, a versão libertária do perfeito idiota latino-americano —ainda que em rota de fiasco econômico .

O episódio recente da censura de Kassio Nunes Marques ao canal lulista de André Janones, a pedido da campanha de Flávio, ofereceu mais uma amostra de que a diligente subserviência política da bancada de magistrados suspeitos de direita está muito competitiva.

A decisão virou alvo de disputa, mas é de se perguntar se os "checks and balances" funcionariam com um Executivo disposto a submeter os Poderes.

Poderá surgir um contrapeso, talvez de natureza paradoxal, à perspectiva de avalanche ideológica no exercício governamental.

O centrão, embora identificado com a agenda conservadora, não pretende entregar de bom grado ao PL o comando da Câmara, aceitando o do Senado .

Os interesses de ocasião e as disputas por influência e recursos tendem a mobilizar a velha tática de criar dificuldades para vender facilidades.

Haverá também uma representação de esquerda e centro-esquerda, especialmente entre deputados.

Em caso de vitória de Lula, outros problemas virão, mas o jogo entre Poderes terá que ser jogado —lembrando que o presidente já enfrentou a bombástica rejeição de uma indicação ao STF.

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Uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro traria desafios importantes para a democracia brasileira.

Condições muito favoráveis à concentração de poder somam-se ao histórico autoritário da família e do grupo político do candidato.

Além da ampla maioria conservadora no Congresso, com forte presença bolsonarista, ele terá meios para pressionar o Supremo Tribunal Federal, tanto pela indicação de novos ministros quanto por processos de impeachment.

Flávio é o herdeiro político de Jair Bolsonaro e representa um movimento que atacou reiteradamente a legitimidade das eleições e as instituições democráticas.

Poderá não repetir o brutalismo tosco do pai ex-militar dos porões da ditadura, mas isso não é suficiente para afastar os riscos.

Em resumo

O que aconteceu?

Editor da Ilustríssima, formado em administração de empresas com mestrado em comunicação pela UFRJ. Foi editor de Opinião da Folha

Qual é o ponto principal?

Uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro traria desafios importantes para a democracia brasileira. Condições muito favoráveis à concentração de poder somam-se ao histórico autoritário da família e do grupo político do candidato. Além da ampla maioria conservadora no Congresso, com forte presença bolsonarista, ele terá meios para pressionar o Supremo Tribunal

Quais são os dados mais importantes?

Flávio é o herdeiro político de Jair Bolsonaro e representa um movimento que atacou reiteradamente a legitimidade das eleições e as instituições democráticas. Poderá não repetir o brutalismo tosco do pai ex-militar dos porões da ditadura, mas isso não é suficiente para afastar os riscos.

Qual é o contexto?

A convergência em torno de uma agenda de flexibilização de direitos trabalhistas, retrocessos ambientais, cortes de benefícios sociais e favorecimento de interesses econômicos poderosos está dada. A questão mais grave é saber até que ponto essa aliança estaria disposta a sacrificar os mecanismos de controle do Executivo em caso de escalada antidemocrática.

Quais são os próximos desdobramentos?

Sabemos que o autoritarismo contemporâneo não precisa recorrer a tanques nas ruas ou ao fechamento do Legislativo. Democracias podem ser corroídas por governantes eleitos, mediante mudanças constitucionais, intimidação dos adversários e enfraquecimento obstinado das instituições.

Fontes