Oracle reserva energia nuclear para megacentro de IA
Empresa pretende contratar entre 125 e 250 megawatts da usina Point Beach para atender o campus de dados Project Lighthouse.

A Oracle anunciou em outubro que pretende contratar entre 125 e 250 megawatts de eletricidade produzida pela usina nuclear de Point Beach, no estado norte-americano de Wisconsin. A energia será destinada ao Project Lighthouse, campus de processamento de dados voltado a serviços de nuvem e inteligência artificial.
A proposta foi descrita em reportagem publicada nesta quinta-feira (8) pela Jovem Pan e confirmada por um comunicado oficial da Oracle. A empresa informou que a contratação ainda depende de aprovação da Comissão de Serviços Públicos de Wisconsin, órgão regulador do setor energético no estado.
Energia sustenta expansão computacional
O volume reservado corresponderia a aproximadamente 10% a 20% da geração da central nuclear, segundo os dados divulgados pela empresa. Point Beach possui dois reatores e fica às margens do Lago Michigan, perto da cidade de Two Rivers. A usina pertence à NextEra Energy.
O Project Lighthouse está em construção na cidade de Port Washington e envolve Oracle, OpenAI e Vantage Data Centers. O investimento anunciado para o complexo supera US$ 15 bilhões e integra a expansão da infraestrutura norte-americana capaz de executar modelos e aplicações de inteligência artificial em grande escala.
Data centers desse porte consomem eletricidade de forma contínua para alimentar servidores, sistemas de armazenamento e equipamentos de refrigeração. A energia nuclear entra no projeto como uma fonte de geração estável, disponível durante as 24 horas do dia e sem emissão direta de dióxido de carbono durante a operação.
A contratação planejada não deve atender sozinha a toda a demanda do campus. O empreendimento prevê capacidade computacional próxima de um gigawatt, e a parcela nuclear será combinada com outras fontes e com a infraestrutura da rede elétrica regional. O fornecimento efetivo dependerá do cronograma de construção e das autorizações públicas.
O campus também faz parte do Stargate, iniciativa anunciada para ampliar a capacidade de inteligência artificial nos Estados Unidos. A implantação em Wisconsin havia sido apresentada por OpenAI, Oracle e Vantage em 2025, com previsão de mais de quatro mil postos na construção e cerca de mil empregos permanentes quando o complexo estiver operando.
O Stargate foi apresentado na Casa Branca em janeiro de 2025, com participação do presidente Donald Trump e de executivos do setor de tecnologia. A negociação de eletricidade para o campus, porém, é conduzida pelas empresas envolvidas e permanece submetida à regulação estadual.
Acordo depende dos reguladores
A Oracle estima que sua entrada no contrato de Point Beach possa retirar aproximadamente US$ 300 milhões em custos de combustível das contas de mais de um milhão de consumidores atendidos pela We Energies. Esse cálculo é uma projeção da própria companhia e será examinado no processo regulatório.
A We Energies vendeu a usina em 2007, mas manteve contratos de compra de eletricidade por longo prazo. Com a proposta, a Oracle assumiria parte da energia e dos custos ligados a esses acordos para abastecer o novo campus, reduzindo a parcela atribuída aos consumidores residenciais e empresariais da distribuidora.
A companhia pretende apresentar a documentação completa às autoridades de Wisconsin até o fim de 2026. Até a decisão do regulador, a faixa de 125 a 250 megawatts deve ser tratada como um compromisso planejado, e não como fornecimento já iniciado.
A análise deverá considerar preços, garantias financeiras, impacto tarifário e segurança do abastecimento. O caso se soma ao debate sobre quem deve pagar pela expansão das redes exigida por grandes centros de dados, num momento em que a corrida por inteligência artificial aumenta a procura por eletricidade firme nos Estados Unidos.
Em resumo
A faixa anunciada é de 125 a 250 megawatts da usina nuclear de Point Beach.
A energia deverá abastecer o Project Lighthouse, campus de dados em Port Washington, Wisconsin.
O complexo foi anunciado como um empreendimento superior a US$ 15 bilhões.
Não. A proposta depende da aprovação da Comissão de Serviços Públicos de Wisconsin.
A empresa estima deslocar cerca de US$ 300 milhões em custos que seriam pagos por clientes da We Energies.