Orçamento de 2027 prevê salário mínimo de R$ 1.741; valor ainda pode mudar
PLOA enviado ao Congresso projeta reajuste de R$ 120 sobre o piso de 2026. Valor definitivo dependerá do INPC acumulado até novembro e das regras de valorização do salário mínimo.

O Projeto de Lei Orçamentária Anual de 2027 enviado pelo governo federal ao Congresso prevê salário mínimo de R$ 1.741 a partir de janeiro, um aumento nominal de R$ 120 em relação ao piso de R$ 1.621 vigente em 2026. O valor corresponde a uma alta de aproximadamente 7,4%, mas ainda é uma estimativa e pode ser alterado quando os dados finais de inflação forem conhecidos.
A projeção faz parte das principais premissas usadas pelo governo para calcular receitas e despesas do próximo ano. Como aposentadorias, pensões, Benefício de Prestação Continuada, seguro-desemprego e outros pagamentos são vinculados ao salário mínimo, qualquer mudança no piso produz efeitos relevantes sobre o Orçamento.
Como é calculado o reajuste
A política vigente combina a inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor acumulado até novembro com um ganho real baseado no crescimento da economia, observando os limites definidos pelo arcabouço fiscal. Para 2027, a estimativa apresentada pelo governo resulta em aumento real próximo de 2,4%.
O cálculo definitivo só poderá ser feito depois da divulgação do INPC correspondente ao período usado na fórmula. Se a inflação efetiva ficar acima ou abaixo da previsão incorporada ao PLOA, o valor final do piso poderá ser ajustado.
Valor ficou acima da estimativa anterior
Em abril, documentos preparatórios apontavam uma projeção de R$ 1.717. A nova estimativa de R$ 1.741 é R$ 24 maior. A revisão reflete atualizações nas projeções macroeconômicas e na inflação esperada.
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, já havia antecipado no fim de agosto que o Orçamento seria enviado com o piso de R$ 1.741. Segundo o governo, a política busca preservar o poder de compra e garantir ganho acima da inflação dentro das regras fiscais.
Impacto nas contas públicas
O aumento do salário mínimo eleva despesas obrigatórias porque milhões de benefícios previdenciários e assistenciais acompanham o piso. Estimativas divulgadas antes do envio do Orçamento apontavam impacto de dezenas de bilhões de reais em relação ao valor atual.
Esse efeito cria uma relação direta entre política de renda e espaço fiscal. Um piso maior amplia a renda de trabalhadores e beneficiários, mas também aumenta compromissos permanentes do governo e pode reduzir margem para outras despesas se a arrecadação não acompanhar o crescimento.
Efeito sobre consumo e renda
O reajuste tem impacto econômico além do setor público. Famílias que recebem até um salário mínimo costumam destinar parcela elevada da renda ao consumo imediato, como alimentação, medicamentos, transporte e serviços básicos. Por isso, aumentos reais do piso tendem a circular rapidamente no comércio local.
Ao mesmo tempo, empregadores que utilizam o salário mínimo como referência enfrentam aumento de custos trabalhistas. O efeito varia conforme o setor, a região e a proporção de empregados remunerados pelo piso.
Orçamento ainda será votado
O PLOA será analisado pela Comissão Mista de Orçamento e depois pelo Congresso Nacional. Deputados e senadores podem apresentar emendas e alterar diferentes pontos da proposta. O valor do salário mínimo, entretanto, dependerá principalmente da aplicação da fórmula legal e dos indicadores econômicos.
O projeto também traz metas fiscais, estimativas de crescimento, inflação, câmbio e juros. Essas premissas serão comparadas às projeções do mercado e podem ser revistas durante a tramitação.
Valor definitivo sai no fim do ano
O piso de R$ 1.741 deve ser tratado como referência orçamentária, e não como número imutável. O governo terá de atualizar o cálculo quando o INPC acumulado até novembro for conhecido.
Se a projeção se confirmar, o novo salário mínimo entrará em vigor em 1º de janeiro de 2027 e passará a servir de base para salários, aposentadorias, benefícios e contribuições vinculadas ao piso nacional.