Economia · 2026-11-05 · Redação Notícia ES

Os brasileiros com dinheiro preso no Paraguai após quebra do Ueno Bank: 'Preocupada com meu negócio'

Com a facilidade para abertura de contas, Ueno Bank atraiu brasileiros que se mudaram para a Paraguai para estudar ou abrir negócios.

Os brasileiros com dinheiro preso no Paraguai após quebra do Ueno Bank: 'Preocupada com meu negócio'
Os brasileiros com dinheiro preso no Paraguai após quebra do Ueno Bank: 'Preocupada com meu negócio'

A brasileira Renata de Brito, de 44 anos, tomou um susto quando abriu o aplicativo do Ueno Bank, no Paraguai , e não conseguiu mais acessar sua conta, na terça-feira (3/11).

Dados e contexto do setor

Era no banco que ela guardava todas as suas economias e recebia os pagamentos feitos pelos seus clientes na lanchonete que mantém na cidade de Hernandarias, perto da fronteira com o Brasil.

"Me falaram que estava bloqueado quando tentaram fazer um pagamento para mim. Quando fui ver, não acessava mais nada. Estou muito preocupada pelo meu negócio", diz Renata, que usava a maquininha de pagamentos do banco.

A crise no Ueno Bank, que sofreu intervenção do Banco Central do Paraguai na terça após ser constatado que seu índice de solvência caiu para menos da metade do mínimo exigido, levou à renúncia do presidente paraguaio, Santiago Peña , nesta quinta (5/11).

Impactos e informações adicionais

A instituição era um dos principais bancos do Paraguai e, segundo dados da própria instituição, tinha 3 milhões de clientes, o equivalente a 60% da população adulta do país. São pessoas que estão com suas economias bloqueadas.

Também havia milhões de dólares em recursos públicos, especialmente da previdência social, administrados pelos bancos.

O Fundo de Garantia de Depósitos do Paraguai cobre depósitos de até 228 milhões de guaranis por pessoa (cerca de R$ 211 mil). O Banco Central do país chegou a garantir o ressarcimento e afirmou que ainda precisa avaliar se conseguirá cobrir valores acima desse limite.

O economista Alexandre Barros da Costa, pesquisador que acompanha a economia paraguaia na Universidade Federal da Integração Latino-Americana (Unila) e Universidade Federal do Paraná (UFPR), estima que a crise no Ueno pode afetar dezenas de milhares de brasileiros que moram no país.

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Isso porque, segundo Costa, o banco atrai imigrantes pela facilidade de abertura de contas.

"A falta de burocracia e o cadastro rápido fizeram com que ele se tornasse a primeira opção para milhares de estudantes de medicina, pequenos comerciantes da fronteira, produtores rurais, investidores", diz o economista.

"E essa paralisação gera crise imediata no pagamento de aluguel, mensalidade, alimentação dessas pessoas."

Renata de Brito diz que escolheu o banco justamente pela facilidade e por ser uma empresa disseminada no país. "Era um banco que patrocinava clubes de futebol, com muita propaganda.

Então, essa facilidade atraía", diz ela, que se mudou para o país para ter uma vida mais tranquila após ser afetada pelas enchentes no Rio Grande do Sul.

Segundo a brasileira, ela já havia pago todas as contas que venciam esse mês. Mas ela teme que até o fim de novembro, quando precisa pagar a parcela de um apartamento que comprou, não tenha seu dinheiro de volta.

O pouco que ela tem em recursos físicos é para manter o caixa do seu negócio, uma lanchonete.

"O meu plano B é tentar realocar recursos que ainda recebo no Brasil devido à venda de um sítio", explica.

Segundo estimativas do Ministério das Relações Exteriores, em 2025 havia 270 mil brasileiros vivendo no Paraguai, a maior comunidade na América do Sul, e a terceira no mundo, atrás apenas de EUA e Portugal.

Em resumo

O que aconteceu?

A brasileira Renata de Brito, de 44 anos, tomou um susto quando abriu o aplicativo do Ueno Bank, no Paraguai , e não conseguiu mais acessar sua conta, na terça-feira (3/11).

Qual é o ponto principal?

Era no banco que ela guardava todas as suas economias e recebia os pagamentos feitos pelos seus clientes na lanchonete que mantém na cidade de Hernandarias, perto da fronteira com o Brasil.

Quais são os dados mais importantes?

"Me falaram que estava bloqueado quando tentaram fazer um pagamento para mim. Quando fui ver, não acessava mais nada. Estou muito preocupada pelo meu negócio", diz Renata, que usava a maquininha de pagamentos do banco.

Qual é o contexto?

A crise no Ueno Bank, que sofreu intervenção do Banco Central do Paraguai na terça após ser constatado que seu índice de solvência caiu para menos da metade do mínimo exigido, levou à renúncia do presidente paraguaio, Santiago Peña , nesta quinta (5/11).

Quais são os próximos desdobramentos?

A instituição era um dos principais bancos do Paraguai e, segundo dados da própria instituição, tinha 3 milhões de clientes, o equivalente a 60% da população adulta do país. São pessoas que estão com suas economias bloqueadas.

Fontes