Política Nacional · 2026-10-13 · Redação Notícia ES

Os segredos de Evair de Melo na votação para o Senado

Surpreendendo pela arrancada final, o deputado Evair de Melo (Rep) foi um dos maiores vencedores das eleições parlamentares no ES. Analisando os dados do TSE, mostramos o que explica sua ótima performance, para além do evidente impulso da nova onda bolson

Os segredos de Evair de Melo na votação para o Senado
Os segredos de Evair de Melo na votação para o Senado

Surpreendendo pela arrancada final, o deputado Evair de Melo (Rep) foi um dos maiores vencedores das eleições parlamentares no Espírito Santo, no último dia 4.

Com quase 1 milhão de votos (24,39% dos válidos),

Com quase 1 milhão de votos (24,39% dos válidos), elegeu-se senador como o segundo mais votado no Estado. Por muito pouco não chegou em 1º lugar, ficando a apenas 12,4 mil votos do ex-governador Renato Casagrande (PSB).

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Em primeiro lugar, pesou obviamente o vento (ou tufão) bolsonarista. A mesma onda que empurrou tantos candidatos do PL Brasil afora também impulsionou Evair, que, mesmo não sendo do PL, é um parlamentar sabidamente bolsonarista e muito identificado com o ex-presidente Jair Bolsonaro.

Se a explicação se resumisse à nova onda

Se a explicação se resumisse à nova onda de extrema direita, a verdadeira candidata do PL, Maguinha Malta, teria tido tantos votos quanto ele ou até mais votos que Evair – e, no entanto, teve 221,2 mil a menos.

Houve muitos votos casados em ambos, por parte, presumivelmente, dos eleitores mais bolsonaristas. Mas houve também muitos eleitores que votaram em Evair, mas não em Maguinha.

O primeiro segredo de Evair é um “voto invisível ”, que não aparece muito nas redes sociais, mas que está espraiado pelo interior do Espírito Santo e que tem muito a ver com sua profunda conexão com a agricultura capixaba, cultivada desde os tempos em que presidiu o Incaper: o voto da roça, do homem do campo, do produtor rural .

Na verdade, Evair quase venceu no mesmo número de cidades que Casagrande. Isoladamente, Casagrande foi o mais votado em 39 municípios; Evair, em 38. Já na pequena Divino de São Lourenço, os dois dividiram a 1ª posição, com 1.923 votos para cada um.

Na Grande Vitória, porém, Evair só ganhou em Guarapari. Nos outros seis municípios da região, Casagrande prevaleceu. Em Vila Velha e Vitória, a diferença até foi pequena. Mas, em Viana, Serra e Cariacica, o ex-governador ganhou por muito.

Por outro lado, se excluirmos da conta a Região Metropolitana, Evair foi o candidato mais votado no interior do Estado .

Das 71 cidades interioranas, ele venceu isoladamente em 37, incluindo Linhares, Colatina e Cachoeiro de Itapemirim (cidades que se consolidaram como colégios eleitorais bolsonaristas nos últimos anos).

Dos quatro municípios mais populosos do interior, Casagrande só ganhou em São Mateus.

Evair venceu em quase todas as cidades da Região Serrana (tanto a Central Serrana como a Sudoeste Serrana). É a região de onde ele vem e é também um bolsão bolsonarista. O deputado também dominou as regiões do Caparaó, Central Sul e Litoral Sul.

Mas o que mais chama a atenção na performance de Evair é a pulverização de seus votos e a sua altíssima regularidade . Ele não só foi o candidato mais votado no interior como foi bem votado em praticamente todas as cidades, das menores às maiores.

Evair ficou entre os dois candidatos mais votados em 76 dos 78 municípios capixabas. As duas exceções foram Apiacá, na divisa com o Rio de Janeiro, e Conceição da Barra, na divisa com a Bahia.

Nas duas cidades, Casagrande foi o mais votado, e o senador Fabiano Contarato (PT) chegou em 2º.

Nem Casagrande conseguiu tamanha regularidade. O ex-governador chegou em 3º ou até em 4º lugar em um número maior de cidades. Em alguns municípios altamente permeáveis ao bolsonarismo, Casagrande chegou atrás de Evair e também de Maguinha.

Isso ocorreu, por exemplo, em Linhares, Domingos Martins, Santa Maria de Jetibá e Venda Nova do Imigrante, terra natal de Evair, onde Flávio Bolsonaro (PL) teve 72,23% dos votos válidos no 1º turno para presidente.

Também ocorreu em Iúna e Irupi (no Caparaó), em Guarapari e em cidades do Litoral Sul, como Marataízes, Itapemirim e Rio Novo do Sul.

Em Colatina, Casagrande registrou sua pior colocação: com 17,90% dos votos válidos, chegou em 4º lugar, atrás de Evair (26,56%), Maguinha (20,94%) e Sérgio Meneguelli (18,20%).

O cruzamento dos dados nos dá outro indicativo de como a vantagem de Evair sobre Maguinha foi construída no interior: o voto do campo, não necessariamente ideológico, ou não estritamente ideológico, que ele tem, mas ela não.

Comparemos os resultados de ambos na Grande Vitória.

Em resumo

O que aconteceu?

Surpreendendo pela arrancada final, o deputado Evair de Melo (Rep) foi um dos maiores vencedores das eleições parlamentares no Espírito Santo, no último dia 4. Com quase 1 milhão de votos (24,39% dos válidos), elegeu-se senador como o segundo mais votado no Estado. Por muito pouco não chegou em 1º lugar, ficando a apenas 12,4 mil votos do ex-governador Renat

Qual é o ponto principal?

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Quais são os dados mais importantes?

Em primeiro lugar, pesou obviamente o vento (ou tufão) bolsonarista. A mesma onda que empurrou tantos candidatos do PL Brasil afora também impulsionou Evair, que, mesmo não sendo do PL, é um parlamentar sabidamente bolsonarista e muito identificado com o ex-presidente Jair Bolsonaro. Mas isso ainda explica pouco.

Qual é o contexto?

Se a explicação se resumisse à nova onda de extrema direita, a verdadeira candidata do PL, Maguinha Malta, teria tido tantos votos quanto ele ou até mais votos que Evair – e, no entanto, teve 221,2 mil a menos. Houve muitos votos casados em ambos, por parte, presumivelmente, dos eleitores mais bolsonaristas. Mas houve também muitos eleitores que votaram em E

Quais são os próximos desdobramentos?

O primeiro segredo de Evair é um “voto invisível ”, que não aparece muito nas redes sociais, mas que está espraiado pelo interior do Espírito Santo e que tem muito a ver com sua profunda conexão com a agricultura capixaba, cultivada desde os tempos em que presidiu o Incaper: o voto da roça, do homem do campo, do produtor rural .

Fontes