Economia · 2026-10-30 · Redação Notícia ES

Os três pilares que sustentam os 102 anos da Suzano, segundo David Feffer

Presidente do conselho da companhia destaca o legado empreendedor da família, a profissionalização da gestão e a necessidade de inovar para sobreviver às mudanças do mercado.

Os três pilares que sustentam os 102 anos da Suzano, segundo David Feffer
Os três pilares que sustentam os 102 anos da Suzano, segundo David Feffer

A capacidade de executar sem esperar pelas condições ideais, herdada do avô, Leon Feffer, e a disciplina da reflexão e do planejamento, aprendida com o pai, Max Feffer, ajudaram David Feffer a construir sua própria visão de empreendedorismo.

Visão empresarial e trajetória

Presidente do Conselho de Administração da Suzano ( SUZB3 ), ele afirma que a combinação dessas duas características, somada à curiosidade e resiliência, foi fundamental para conduzir a empresa centenária que se tornou a maior produtora de celulose do mundo.

Em palestra para uma plateia lotada nesta quinta-feira (29), durante o G4 Valley , realizado no São Paulo Expo, em São Paulo, Feffer compartilhou os desafios de assumir os negócios da família, preservando o legado das gerações anteriores e preparando a companhia para um mercado em transformação cada vez mais acelerada.

“Meu avô, como fundador, era um cara de execução. Não esperava muito, ia lá e resolvia. Já meu pai era mais calmo para planejar e fazer melhores escolhas”, contou.

Construção da cultura empresarial

Segundo o empresário, foi a partir dessas duas referências que começou a refletir sobre como poderia unir a capacidade de agir à necessidade de pensar estrategicamente.

Uma combinação que definiu como uma mistura de psicologia e matemática.

A experiência em diferentes áreas da Suzano também o levou a desenvolver o que chama de ambidestria, habilidade de conciliar características aparentemente distintas, como planejamento e execução, curiosidade e reflexão.

Para Feffer, essa capacidade é cada vez mais necessária aos líderes que precisam administrar os resultados do presente sem perder de vista as mudanças do futuro.

A trajetória da família Feffer começou com Leon, que deixou a Ucrânia e construiu seu negócio no Brasil. Max participou da expansão da empresa, enquanto David assumiu a responsabilidade de conduzir um novo ciclo de desenvolvimento e profissionalização.

A passagem de comando, entretanto, esteve longe de ser simples. Feffer contou que, apesar de ter sido preparado durante anos para assumir responsabilidades na companhia, sentiu medo quando chegou o momento.

As mortes seguidas do avô e do pai, em 1999 e 2001, respectivamente, tornaram o processo ainda mais difícil.

“Quando o momento chegou eu estava sozinho”, afirmou, ao recordar a necessidade de lidar simultaneamente com a perda familiar e as decisões sobre o futuro de uma empresa gigante, que só no último ano faturou R$ 50 bilhões.

Foi nesse período que passou a questionar qual seria sua contribuição para a história da Suzano.

Se o avô havia fundado a companhia e o pai impulsionado sua expansão, ele e os irmãos decidiram que o próximo legado deveria estar associado à sustentabilidade e à construção de uma empresa capaz de atravessar novas gerações.

A estratégia foi organizada em três pilares. O primeiro foi a profissionalização da gestão, com a possibilidade de que os principais cargos sejam ocupados por executivos de fora da família controladora.

Para Feffer, a escolha de dirigentes deve considerar a capacidade profissional, e não o sobrenome.

O segundo pilar foi ampliar o compromisso da companhia para além dos acionistas, incorporando os interesses de funcionários, clientes, fornecedores, comunidades e demais públicos afetados por suas atividades. “Só é bom para nós se for bom para o mundo”, resumiu.

O terceiro foi assegurar o comprometimento dos acionistas controladores com o negócio no longo prazo. A combinação busca preservar a continuidade da empresa sem transformar a sucessão familiar em um obstáculo à profissionalização.

A preocupação com a longevidade também orienta os investimentos em tecnologia e sustentabilidade.

Segundo Feffer, a Suzano planta atualmente cerca de 1,2 milhão mudas de árvores por dia e tem um saldo líquido de remoção de carbono equivalente (gases que causam o efeito estufa) de mais de 13 milhões de toneladas por ano.

Para ele, as florestas plantadas são parte importante da resposta para os atuais desafios ambientais e representam um ativo estratégico para a companhia.

O empresário destacou o papel da biotecnologia e da inteligência artificial no desenvolvimento de árvores mais resistentes e produtivas e na busca por processos de produção mais sustentáveis.

A inovação, porém, não deve ser entendida apenas como investimento em novas ferramentas.

Na avaliação de Feffer, ela exige disposição para assumir riscos, questionar métodos consolidados e reconhecer que “o sucesso de hoje não garante a competitividade de amanhã”, disse o executivo, lembrando de uma reflexão do filósofo Mario Sergio Cortella.

Para ele, um dos maiores riscos para o empreendedor é permitir que o crescimento da empresa produza uma sensação de autossuficiência. “O sucesso pode deixar a gente cego e surdo”, alertou.

Isso acontece, segundo ele, quando dirigentes deixam de ouvir clientes, observar concorrentes e buscar referências fora da própria organização.

Feffer defendeu que empresários saiam dos escritórios, conversem com diferentes públicos e mantenham a liberdade intelectual para ouvir críticas e opiniões divergentes.

Essa abertura, segundo ele, é essencial para perceber mudanças no mercado antes que elas comprometam os negócios.

Em resumo

O que aconteceu?

A capacidade de executar sem esperar pelas condições ideais, herdada do avô, Leon Feffer, e a disciplina da reflexão e do planejamento, aprendida com o pai, Max Feffer, ajudaram David Feffer a construir sua própria visão de empreendedorismo. Presidente do Conselho de Administração da Suzano ( SUZB3 ), ele afirma que a combinação dessas duas características,

Qual é o ponto principal?

Em palestra para uma plateia lotada nesta quinta-feira (29), durante o G4 Valley , realizado no São Paulo Expo, em São Paulo, Feffer compartilhou os desafios de assumir os negócios da família, preservando o legado das gerações anteriores e preparando a companhia para um mercado em transformação cada vez mais acelerada.

Quais são os dados mais importantes?

“Meu avô, como fundador, era um cara de execução. Não esperava muito, ia lá e resolvia. Já meu pai era mais calmo para planejar e fazer melhores escolhas”, contou. Segundo o empresário, foi a partir dessas duas referências que começou a refletir sobre como poderia unir a capacidade de agir à necessidade de pensar estrategicamente. Uma combinação que definiu

Qual é o contexto?

A experiência em diferentes áreas da Suzano também o levou a desenvolver o que chama de ambidestria, habilidade de conciliar características aparentemente distintas, como planejamento e execução, curiosidade e reflexão. Para Feffer, essa capacidade é cada vez mais necessária aos líderes que precisam administrar os resultados do presente sem perder de vista a

Quais são os próximos desdobramentos?

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Fontes