Padilha rejeita relatos de Vorcaro sobre propinas
Ministro chamou acusações de farsa; PGR, PF e defesa do ex-banqueiro contestaram a existência de prova sobre parte dos relatos divulgados.

O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, rejeitou no sábado, 10 de outubro, alegações atribuídas a Daniel Vorcaro sobre propina ligada a fundos de pensão e financiamento irregular de um documentário sobre Lula. Padilha classificou o material como uma farsa política e negou ter participado de qualquer esquema.
O Poder360 publicou a resposta do ministro e relatou que as acusações apareceram em material atribuído ao fundador do Banco Master. O UOL informou, porém, que a Procuradoria-Geral da República, a Polícia Federal e a defesa de Vorcaro contestaram a existência de depoimento ou documento que comprovasse o suposto patrocínio de R$ 30 milhões ao filme.
Segundo a versão divulgada pela revista Veja e reproduzida pelo Poder360, Vorcaro teria apontado um grupo que cobraria 10% dos recursos captados pelo banco junto a fundos de pensão vinculados a estatais. Padilha, que chefiava a Secretaria de Relações Institucionais em 2024, teria sido citado como facilitador de contatos. O ministro nega.
Relato não apresentou provas suficientes
A reportagem do UOL afirma que mensagens extraídas do celular de Vorcaro mostram tentativas de aproximação com intermediários ligados a Petros e Postalis. Esses registros indicariam articulações para obter investimentos, mas não comprovariam pagamento de propina, participação de autoridade nem repasse ao documentário sobre Lula.
O UOL também relatou que as propostas de colaboração apresentadas pela defesa do ex-banqueiro foram rejeitadas pela PGR por não trazerem elementos novos suficientes. A Procuradoria afirmou que as tratativas ocorreram por intermédio de advogados, sem depoimento oral ou interlocução direta de Vorcaro com seus representantes.
A PF e a PGR negaram que o empresário tenha declarado formalmente ter financiado o filme dirigido por Oliver Stone. A defesa de Vorcaro disse desconhecer o documento e o áudio citados na reportagem original. Essas negativas tornam necessário separar o que foi atribuído ao investigado do que efetivamente consta nos autos.
Mensagens entram na investigação
Parte do material apreendido trata de contatos destinados a aproximar o Banco Master de dirigentes de fundos de pensão. De acordo com as reportagens, as conversas mencionam consultores e reuniões, inclusive um encontro de Vorcaro com Padilha no Palácio do Planalto em março de 2024. A existência de contato institucional, isoladamente, não comprova vantagem indevida.
A versão atribuída a Vorcaro sustentava que o banco esperava captar até R$ 10 bilhões e que intermediários receberiam uma parcela desses valores. O Poder360 informou que um pagamento de R$ 500 mil também foi mencionado. Padilha negou as acusações, e o UOL ressaltou que os aportes pretendidos não se concretizaram.
Ao responder, o ministro afirmou que a divulgação buscava transferir para o governo suspeitas relacionadas a adversários na campanha presidencial. A equipe de Lula anunciou medidas legais e pediu apuração sobre a origem e a autenticidade do material. A reação política não substitui a verificação pericial e processual das provas.
O caso permanece no campo de alegações contestadas. Para produzir consequência judicial, acusações de corrupção ou lavagem precisam ser sustentadas por documentos, perícias, depoimentos válidos e contraditório. Até aqui, as informações disponíveis confirmam a existência de contatos e tentativas de aproximação, mas não estabelecem culpa de Padilha nem comprovam o suposto financiamento ilícito do documentário.
Em resumo
O ministro negou participação em esquema de propina e classificou as acusações como uma farsa política.
Reportagem atribuiu ao ex-banqueiro relatos sobre cobrança de propina em investimentos de fundos de pensão e financiamento de um filme sobre Lula.
Não. A PGR disse que não houve depoimento oral nem interlocução direta de Vorcaro com seus representantes sobre esse material.
Segundo o UOL, as mensagens examinadas não registram pagamento ou patrocínio de R$ 30 milhões ao documentário.
Não. As informações disponíveis registram alegações contestadas e não estabelecem culpa do ministro.