Justiça · 2026-10-21 · Redação Notícia ES

Pagamentos de Mario Frias entram na mira da PF

Investigação examina repasses de campanha, conta pessoal e cota parlamentar a empresa ligada a ex-integrante da Cultura.

Pagamentos de Mario Frias entram na mira da PF
Pagamentos de Mario Frias entram na mira da PF

Pagamentos do deputado federal Mario Frias a uma empresa ligada a uma ex-diretora da Secretaria Especial da Cultura passaram a integrar uma investigação da Polícia Federal sobre suspeitas de desvio e lavagem de dinheiro. Os registros incluem recursos eleitorais, transferência pessoal e despesas da cota parlamentar.

A Folha informou nesta quarta-feira (21) que a Estratégia Comunicações recebeu R$ 80 mil da campanha de Frias e R$ 115 mil de sua conta pessoal. Reportagem anterior do UOL confirma os R$ 80 mil do fundo eleitoral e aponta R$ 360,9 mil pagos pela cota parlamentar durante o mandato.

Empresa recebeu recursos diversos

A empresa foi vinculada a Jessika Helen dos Santos, nomeada diretora na Secretaria Especial da Cultura em 2021, quando Frias comandava o órgão. Ela permaneceu no cargo até junho de 2022 e abriu a Estratégia em janeiro de 2023. Em 2025, transferiu a firma para Paulo Henrique Brunetti Cruz, seu advogado.

Os R$ 80 mil da campanha aparecem em dados da Justiça Eleitoral como pagamento por comunicação e marketing entre agosto e outubro. Já a transferência pessoal de R$ 115 mil teria ocorrido entre abril de 2025 e abril de 2026. A diferença de origem dos recursos é relevante porque cada modalidade possui regras próprias de documentação e prestação de contas.

A Estratégia também recebeu verbas de outros deputados do PL. Somados os pagamentos atribuídos a Frias e a outros parlamentares, a reportagem aponta R$ 775 mil em cotas parlamentares. Contratação e vínculo político não provam crime por si sós; a apuração precisa demonstrar serviço inexistente, sobrepreço, desvio ou outra conduta prevista em lei.

A empresa e Frias foram alvos de busca e apreensão em 10 de setembro. Decisão do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, também suspendeu temporariamente o direito da firma de contratar com o poder público. A medida cautelar serve para preservar a investigação e não equivale a condenação.

Investigação exige prova individual

Segundo a Polícia Federal, as movimentações examinadas envolvem empresas, assessores, parentes, pessoas próximas e advogados. Os investigadores avaliam se essa rede teria sido usada para fazer recursos circularem entre pessoas ligadas ao núcleo político. A tese ainda precisa ser comprovada com documentos, perícias e eventual denúncia do Ministério Público.

Frias não respondeu às perguntas da reportagem mais recente, mas já negou irregularidades em manifestações anteriores. Em setembro, classificou a operação como cortina de fumaça eleitoral. Essa versão integra o contraditório e deve ser confrontada com notas fiscais, contratos, entregas dos serviços, extratos e informações prestadas à Câmara e à Justiça Eleitoral.

O caso combina recursos de naturezas diferentes: dinheiro de campanha, conta pessoal e cota para atividade parlamentar. A análise correta não pode somar todos os valores como se tivessem a mesma finalidade. Cada repasse precisa ser relacionado ao contrato correspondente, ao serviço entregue e à origem legal do dinheiro.

Os próximos atos dependem da conclusão dos exames realizados pela PF e da avaliação do Ministério Público. Se houver denúncia, caberá ao Judiciário decidir sobre seu recebimento e, depois, julgar as provas. Até lá, os fatos confirmados são a existência dos pagamentos, as medidas de busca e a investigação; responsabilidade criminal permanece sem decisão definitiva.

Em resumo

Quais pagamentos estão sob apuração?

A investigação examina R$ 80 mil da campanha, R$ 115 mil da conta pessoal de Frias e pagamentos de cota parlamentar à empresa.

Qual é a ligação da empresa com Mario Frias?

A Estratégia foi ligada a uma ex-diretora nomeada na Secretaria Especial da Cultura quando Frias comandava o órgão.

A investigação significa condenação?

Não. Busca, apreensão e apuração são medidas investigativas; eventual responsabilidade depende de prova, denúncia e decisão judicial.

O que diz Mario Frias?

Ele não respondeu à reportagem mais recente, mas já negou irregularidades e chamou a operação de cortina de fumaça eleitoral.

Quais são os próximos atos possíveis?

A PF deve concluir exames e encaminhar o material ao Ministério Público, que decidirá se pede diligências, arquivamento ou denúncia.

Fontes