Justiça · 2026-10-21 · Redação Notícia ES

Pagamentos de R$ 4 milhões antecederam votação no Senado

Notas de assessoria jurídica ligam os escritórios de Flávio Bolsonaro e Edvaldo Nilo antes da recondução ao CNMP.

Pagamentos de R$ 4 milhões antecederam votação no Senado
Pagamentos de R$ 4 milhões antecederam votação no Senado

O escritório de advocacia do senador Flávio Bolsonaro recebeu R$ 4 milhões da banca Nilo & Almeida em 2025, antes de o Senado analisar a recondução de Edvaldo Nilo ao Conselho Nacional do Ministério Público. As duas notas fiscais foram emitidas em agosto e outubro, e a votação ocorreu em 12 de novembro daquele ano.

A informação foi publicada pelo Metrópoles nesta terça-feira (20) e aparece também em levantamento do UOL sobre as receitas do escritório do senador. O registro oficial do Senado confirma que a indicação de Nilo foi aprovada pela Comissão de Constituição e Justiça e pelo plenário em 12 de novembro de 2025.

Notas precederam análise no Senado

Segundo a reportagem, a primeira nota foi emitida em 6 de agosto de 2025, no valor de R$ 2 milhões. A segunda, igualmente de R$ 2 milhões, saiu em 17 de outubro. Nos dois documentos, a descrição do serviço foi resumida a “assessoria jurídica”, sem detalhamento público sobre processos, clientes ou tarefas executadas em conjunto.

Edvaldo Nilo ocupava uma vaga destinada à Câmara dos Deputados no CNMP e buscava a recondução para mais um mandato. Antes disso, havia integrado a Comissão de Ética Pública da Presidência entre 2022 e 2025, por indicação feita durante o governo de Jair Bolsonaro.

O Metrópoles informou que Flávio votou a favor de Nilo na CCJ e no plenário. A página do Senado registra que o parecer foi aprovado na comissão por 26 votos a 1 e que o plenário confirmou a indicação por 54 votos a 3, com uma abstenção. O processo legislativo foi encerrado após a comunicação da decisão aos órgãos envolvidos.

O levantamento mais amplo citado pelo UOL aponta que o escritório de Flávio emitiu R$ 13,7 milhões em notas entre janeiro de 2023 e julho de 2026. A banca de Nilo aparece como o maior cliente individual, responsável pelos R$ 4 milhões agora associados ao período anterior à votação.

Relação exige explicação pública

A coincidência entre pagamentos elevados e uma decisão pública relevante justifica esclarecimentos objetivos sobre o serviço contratado. Ela não demonstra, isoladamente, troca de favores ou prática ilegal. Para qualquer conclusão desse tipo, seriam necessárias provas sobre o contrato, a execução do trabalho e eventual vínculo entre o pagamento e o voto.

Edvaldo Nilo afirmou ao UOL que os pagamentos decorreram de contrato assinado em abril de 2025. Segundo ele, os dois escritórios prestaram regularmente serviços conjuntos a clientes privados, sem recursos públicos ou participação de entes federativos. O advogado, porém, não identificou os clientes nem os casos; informou apenas que o contrato foi encerrado. A campanha de Flávio não respondeu até a publicação.

O escrutínio deve alcançar políticos de direita e de esquerda pela mesma régua. Contratos privados, quando se aproximam de decisões tomadas por agentes públicos, precisam de transparência suficiente para separar uma relação profissional legítima de um possível conflito de interesses. A cobrança não substitui o direito de defesa nem autoriza condenação antecipada.

O caso deverá ser acompanhado por documentos e respostas verificáveis, e não apenas por ilações eleitorais. A publicação dos contratos, dos serviços entregues e das manifestações das partes permitiria avaliar se houve atuação jurídica compatível com os pagamentos e se a votação ocorreu sem interferência indevida.

Em resumo

Qual foi o valor pago ao escritório de Flávio?

A banca Nilo & Almeida pagou R$ 4 milhões em duas notas de R$ 2 milhões.

Quando as notas foram emitidas?

As notas foram emitidas em 6 de agosto e 17 de outubro de 2025.

Qual decisão ocorreu depois dos pagamentos?

O Senado aprovou em 12 de novembro de 2025 a recondução de Edvaldo Nilo ao CNMP.

O pagamento prova alguma ilegalidade?

Não. A proximidade temporal justifica esclarecimentos, mas não comprova troca de favores sem outras provas.

O que pode esclarecer a relação profissional?

A divulgação dos contratos, dos serviços executados e das respostas das partes permitiria avaliar a operação.

Fontes