Economia · 2026-10-28 · Redação Notícia ES

Pandemia, Joesley Day, eleição: relembre os maiores sustos do Tesouro Direto

A disparada de taxas de segunda põe a reeleição de Lula na lista das maiores altas de juros da série do Tesouro Direto, iniciada em 2005; veja o que provocou cada uma

Pandemia, Joesley Day, eleição: relembre os maiores sustos do Tesouro Direto
Pandemia, Joesley Day, eleição: relembre os maiores sustos do Tesouro Direto

A alta das taxas do Tesouro Direto na segunda-feira (26), primeiro pregão após a reeleição do presidente Lula, coloca a data entre os dias de maior alta dos juros na série histórica do programa.

Lista reúne episódios de natureza diversa, como a crise

A lista reúne episódios de natureza diversa, como a crise das hipotecas nos Estados Unidos, a crise financeira global de 2008, o Joesley Day e a pandemia de Covid-19.

O levantamento considera apenas a série histórica do Tesouro Direto , com dados desde dezembro de 2004.

O mercado moderno de títulos públicos no país se estruturou a partir da criação das Obrigações Reajustáveis do Tesouro Nacional (ORTN), em 1964, e das Letras do Tesouro Nacional (LTN), em 1970.

Períodos anteriores à série, como a crise cambial

Períodos anteriores à série, como a crise cambial de 1999 e a eleição de 2002, não fazem parte da comparação.

Em momentos de forte volatilidade, é comum que o Tesouro Nacional cancele leilões e recompre títulos, e que o Banco Central atue no mercado de câmbio.

Essas medidas foram adotadas em vários dos episódios da lista, que se diferenciam, sobretudo, pelos fatores que desencadearam cada movimento.

O critério compara a taxa de abertura de cada dia com a do pregão anterior, considerando o prefixado com maior alta. Por isso, quando o evento ocorre à tarde ou à noite, seu efeito aparece na série na manhã seguinte. Veja os dez dias, do menor para o maior avanço.

Nesses episódios, os títulos de prazo mais longo tendem a registrar as maiores perdas na marcação a mercado , já que a alta dos juros afeta mais os papéis com vencimento distante.

A perda só se concretiza para quem vende antes do vencimento. Quem mantém o título até o fim recebe a rentabilidade contratada no momento da compra.

Nos títulos atrelados à inflação , a maior alta da série ocorreu em 12 de março de 2020, de 1,62 ponto, seguida por esta segunda-feira, com 1,34 ponto, e pelo Joesley Day, com 1,02 ponto.

O dado reflete o pregão de 10 de novembro, quando o presidente eleito Lula, em discurso a parlamentares aliados em Brasília, questionou a prioridade dada ao controle das contas públicas.

“Por que as pessoas são levadas a sofrerem por conta de garantir a tal da estabilidade fiscal neste país?”, disse. Após a fala, o Ibovespa fechou em queda de 3,35%.

Em dezembro, o Congresso aprovou a PEC da Transição, que ampliou os gastos fora do teto.

A vitória de Trump nos Estados Unidos elevou as expectativas de inflação e de juros no país e provocou alta das taxas globais. No Brasil, o dólar chegou a R$ 3,42 em 10 de novembro, o maior nível desde junho daquele ano.

Segundo a ANBIMA, os títulos atrelados à inflação com prazo acima de cinco anos acumularam perda de 4,8% no mês até aquela data.

Nos dias seguintes, o Tesouro cancelou leilões de prefixados e anunciou recompra de títulos.

O dado reflete o período entre as manhãs de 18 e 19 de dezembro. A preocupação com a trajetória das contas públicas vinha levando o dólar a sucessivos recordes, e em 18 de dezembro a moeda fechou a R$ 6,26.

Em 19 de dezembro, a moeda chegou a R$ 6,30, e o Banco Central vendeu US$ 8 bilhões no mercado à vista, maior intervenção do tipo desde 1999.

Por trás do caso estavam as preocupações dos investidores com o cenário fiscal brasileiro, à medida que o governo tentava avançar com suas medidas de contenção de gastos no Congresso, que acabou sendo aprovado com alterações no apagar das luzes daquele ano.

O dado reflete o pregão de 28 de outubro, marcado por incertezas em torno da PEC dos precatórios e da extensão do auxílio social.

Na mesma semana, o Copom elevou a Selic em 1,5 ponto, para 7,75% ao ano, ajuste considerado insuficiente por parte do mercado para ancorar as expectativas de inflação.

O Tesouro Direto suspendeu as negociações três vezes naquele dia, e o Prefixado 2024 atingiu 12,34% ao ano, maior taxa já paga pelo título. A Selic chegaria a 13,75% em 2022.

O dado capta a piora entre 15 e 16 de agosto, quando a crise das hipotecas de alto risco nos Estados Unidos, as chamadas subprime, se espalhou para outros mercados, e a Countrywide, maior financiadora de imóveis do país, precisou recorrer a US$ 11,5 bilhões em linhas de crédito.

No Brasil, o Ibovespa chegou a cair cerca de 8% durante o pregão de 16 de agosto e fechou em queda de 2,58%, enquanto o dólar subiu 3,15%. A crise se aprofundaria no ano seguinte.

O dado reflete o período entre as manhãs de 18 e 19 de março. No dia 18, a Bolsa acionou o sexto circuit breaker do mês, e o dólar passou de R$ 5,14.

No mesmo dia, o governo pediu ao Congresso o reconhecimento de estado de calamidade pública, e, à noite, o Copom cortou a Selic para 3,75% ao ano. Nos meses seguintes, o Banco Central reduziu a taxa a 2% ao ano.

Na noite anterior, veio a público a gravação de uma conversa entre o então presidente Michel Temer e Joesley Batista, dono da JBS, que, segundo a delação do empresário, sugeriria aval à compra do silêncio do ex-deputado Eduardo Cunha.

No dia seguinte, o Ibovespa chegou a cair 10% e acionou o primeiro circuit breaker desde 2008, e o dólar subiu 8,15%, a maior alta diária desde 2003. Os contratos de juros futuros também atingiram o limite de oscilação.

Temer concluiu o mandato, e a reforma da Previdência foi aprovada em 2019.

O dado reflete o pregão de 22 de outubro, cerca de um mês após a quebra do banco americano Lehman Brothers.

Naquele dia, a Bolsa brasileira caiu mais de 10%, e o dólar subiu 6,15%, para R$ 2,38, mesmo após quatro intervenções do Banco Central no câmbio. O contrato de DI para janeiro de 2010 passou de 14,72% para 16,22%.

A Selic estava em 13,75% ao ano, e o ciclo de cortes começou em 2009.

O dado reflete o período entre as manhãs de 11 e 12 de março. No dia 11, a Organização Mundial da Saúde declarou a pandemia, e a Bolsa acionou o segundo circuit breaker da semana e fechou em queda de 7,64%.

No Brasil, também pesou a derrota do governo na votação do Benefício de Prestação Continuada (BPC), com custo estimado em R$ 20 bilhões. À noite, os Estados Unidos anunciaram a suspensão de voos vindos da Europa.

No dia 12, o Ibovespa caiu 14,78%, com dois circuit breakers, e o dólar chegou a R$ 5. No mesmo dia, o Tesouro e o Banco Central anunciaram leilões de compra e venda de títulos.

Desde o primeiro turno, os preços dos ativos refletiam a expectativa de vitória do senador Flávio Bolsonaro (PL).

Com o resultado do segundo turno, o Tesouro Nacional cancelou os leilões de prefixados e de títulos atrelados à inflação da semana e anunciou duas operações de recompra.

A plataforma do Tesouro Direto abriu às 12h13, e o Prefixado 2032 chegou a 15,78% ao ano. As taxas recuaram ao longo do dia, e o título fechou a 15,50%.

Os próximos passos dependem da composição da equipe econômica e da agenda fiscal do novo mandato.

Em resumo

O que aconteceu?

A alta das taxas do Tesouro Direto na segunda-feira (26), primeiro pregão após a reeleição do presidente Lula, coloca a data entre os dias de maior alta dos juros na série histórica do programa. A lista reúne episódios de natureza diversa, como a crise das hipotecas nos Estados Unidos, a crise financeira global de 2008, o Joesley Day e a pandemia de Covid-19

Qual é o ponto principal?

O levantamento considera apenas a série histórica do Tesouro Direto , com dados desde dezembro de 2004. O mercado moderno de títulos públicos no país se estruturou a partir da criação das Obrigações Reajustáveis do Tesouro Nacional (ORTN), em 1964, e das Letras do Tesouro Nacional (LTN), em 1970. Períodos anteriores à série, como a crise cambial de 1999 e a

Quais são os dados mais importantes?

Em momentos de forte volatilidade, é comum que o Tesouro Nacional cancele leilões e recompre títulos, e que o Banco Central atue no mercado de câmbio. Essas medidas foram adotadas em vários dos episódios da lista, que se diferenciam, sobretudo, pelos fatores que desencadearam cada movimento.

Qual é o contexto?

O critério compara a taxa de abertura de cada dia com a do pregão anterior, considerando o prefixado com maior alta. Por isso, quando o evento ocorre à tarde ou à noite, seu efeito aparece na série na manhã seguinte. Veja os dez dias, do menor para o maior avanço.

Quais são os próximos desdobramentos?

Nesses episódios, os títulos de prazo mais longo tendem a registrar as maiores perdas na marcação a mercado , já que a alta dos juros afeta mais os papéis com vencimento distante. A perda só se concretiza para quem vende antes do vencimento. Quem mantém o título até o fim recebe a rentabilidade contratada no momento da compra.

Fontes