Economia · 2026-11-07 · Redação Notícia ES

Paraguai ainda é país com economia forte, diz vice-presidente da Moody’s

Agência de rating avalia que crise no sistema financeiro provocada por banco paraguaio pode ser evitada se resolução for rápida e ordenada

Paraguai ainda é país com economia forte, diz vice-presidente da Moody’s
Paraguai ainda é país com economia forte, diz vice-presidente da Moody’s

A quebra do Ueno Bank, no Paraguai , não deve desencadear uma crise no sistema financeiro do país, desde que o processo de resolução da instituição seja conduzido de forma rápida e ordenada.

Dados e contexto do setor

Essa é a avaliação da agência de classificação de risco Moody's Ratings , divulgada em relatório nesta quarta-feira (5).

Em setembro, o Ueno Bank concentrava cerca de 8% dos empréstimos e 9% dos depósitos de todo o sistema financeiro paraguaio.

A Moody's classifica o episódio como negativo para o setor, principalmente pelo risco de atrasos ou perdas para clientes com depósitos acima do limite garantido.

Impactos e informações adicionais

Daniel Girola, analista da Moody's Ratings, avaliou que uma intervenção desse porte em um banco de grande porte e sistemicamente importante é algo bastante raro.

"A gente nem tem precedente na história recente aqui da região", afirmou. Segundo ele, o regulador identificou informações que estavam mal refletidas no balanço da instituição, o que acabou impactando o capital do banco.

Girola destacou que ainda não há um cenário integral da situação.

"O que a gente sabe é que eles fizeram essa resolução justamente para evitar, para garantir que a solução para o banco seja feita de uma forma ordenada, de maneira rápida e para proteger também todos aqueles que têm recursos no banco", explicou.

Para o analista, o grande risco nesses casos é a perda de confiança no sistema financeiro como um todo, algo que, por ora, não é esperado.

O Ueno Bank era o maior banco do Paraguai em número de depositantes , o que torna o caso especialmente emblemático. Girola ressaltou que isso gera um impacto bastante grande, tanto social quanto econômico.

Pela legislação paraguaia, 97% dos depositantes cobertos pela garantia deveriam receber seus recursos em até 15 dias, prorrogáveis por mais 15 dias.

No entanto, o analista ponderou que a solução operacional não é simples, já que as pessoas precisam abrir conta em outro banco e ingressar em um novo sistema.

Com a quebra do Ueno, outros bancos paraguaios tendem a se beneficiar da migração de recursos.

"Desde que elas não percam a confiança no sistema financeiro, elas vão depositar o dinheiro delas em outros bancos que vão se beneficiar da entrada desses recursos", disse Girola.

Ele também apontou que o Ueno adotava uma estratégia agressiva de precificação, com planos de cashback para atrair clientes, o que gerava pressão competitiva sobre os demais bancos — pressão que deve se arrefecer com a saída da instituição.

Questionado sobre semelhanças com o caso do Banco Master , no Brasil, Girola afirmou que a principal similaridade está no impacto sobre os depositantes.

Segundo ele, assim como ocorreu no Brasil — onde cerca de metade do FGC (Fundo Garantidor de Créditos) foi consumido para repagar depositantes —, o equivalente paraguaio do FGC também deverá ser acionado.

Os bancos do Paraguai terão que repor esses recursos ao longo do tempo, de forma gradual, para não impactar o sistema.

Em resumo

O que aconteceu?

A quebra do Ueno Bank, no Paraguai , não deve desencadear uma crise no sistema financeiro do país, desde que o processo de resolução da instituição seja conduzido de forma rápida e ordenada.

Qual é o ponto principal?

Essa é a avaliação da agência de classificação de risco Moody's Ratings , divulgada em relatório nesta quarta-feira (5).

Quais são os dados mais importantes?

Em setembro, o Ueno Bank concentrava cerca de 8% dos empréstimos e 9% dos depósitos de todo o sistema financeiro paraguaio. A Moody's classifica o episódio como negativo para o setor, principalmente pelo risco de atrasos ou perdas para clientes com depósitos acima do limite garantido.

Qual é o contexto?

Daniel Girola, analista da Moody's Ratings, avaliou que uma intervenção desse porte em um banco de grande porte e sistemicamente importante é algo bastante raro.

Quais são os próximos desdobramentos?

"A gente nem tem precedente na história recente aqui da região", afirmou. Segundo ele, o regulador identificou informações que estavam mal refletidas no balanço da instituição, o que acabou impactando o capital do banco.

Fontes